Só em 2018

Acabou-se o que era doce

Edição 2017 da Fenadoce encerrou neste domingo superando números do ano passado e recebendo elogios de comerciantes e visitantes

19 de Junho de 2017 - 06h29 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

2,26 milhões de doces foram comercializados (Foto: Flávio Neves - DP)

2,26 milhões de doces foram comercializados (Foto: Flávio Neves - DP)

Último dia de feira teve grande público (Foto: Flávio Neves - DP)

Último dia de feira teve grande público (Foto: Flávio Neves - DP)

281 mil pessoas passaram pelo Centro de Eventos (Foto: Flávio Neves - DP)

281 mil pessoas passaram pelo Centro de Eventos (Foto: Flávio Neves - DP)

Foram 19 dias de pavilhões movimentados, comerciantes fazendo bons negócios, doceiras espalhando sua arte e, principalmente, visitantes voltando para casa com o paladar adocicado e caixas de guloseimas para manter vivo por mais algum tempo o sabor da Fenadoce. Neste domingo (18), último dia da 25ª edição da feira, muita gente que deixou para a última hora foi até o Centro de Eventos. E, de forma geral, estas pessoas não se arrependeram.

Apesar da mudança brusca no clima após o calor registrado no sábado, o domingo com termômetros na casa dos 12°C e chuva fina não assustou pelotenses e turistas de diversos lugares do Estado e até de fora. Pelos corredores, diversos sotaques se misturavam, confirmando a expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de uma Fenadoce com melhores resultados em comparação ao ano passado. Segundo a organização, em pouco menos de três semanas a feira recebeu 281 mil visitantes. "Privilegiamos os artistas locais e valorizamos a figura da doceira, foram projetos que levaram a Fenadoce a ser o sucesso que foi", avaliou a Conselheira Gestora do CDL, Vanisse Krause.

Fanáticos por doces como o aposentado Zeno Santiago, de Santa Cruz do Sul. Junto com a família, encarou duas horas e meia de viagem para mais uma vez provar as delícias coloniais de Pelotas. Embora ele, que mantém a tradição desde a primeira Fenadoce, continue se encantando pelos sabores, o mais entusiasmado da turma ontem era o pequeno Estevão. Aos seis anos, o neto era só sorrisos em meio às bancas de doce. "São maravilhosos, todos muito bons", exclamava.

Graças ao entusiasmo dele e ao talento das doceiras, o balanço divulgado no final da tarde contabilizou 2,26 milhões de produtos vendidos, aumento de 7% em relação ao ano passado. Os preferidos, como sempre, foram o quindim, ninho e bombom de morango. Nas últimas horas da feira, encerrada às 22h, era possível encontrar promoções: ao invés do preço do R$ 3,75 por doce, praticado durante todo o evento, algumas bancas reduziram para R$ 3,50.

Há 21 anos vendendo seus pequenos pedaços de felicidade com origem portuguesa na feira, a carismática Eulália Duarte teve ainda mais motivos para sorrir este ano. "O movimento foi ótimo, com pessoas daqui e também de fora. Posso dizer que mais uma vez valeu a pena. Recebemos muita gente do Uruguai e de cidades distantes que vieram nas excursões", disse. Ao todo, 540 ônibus com 24,8 mil turistas desembarcaram nos pavilhões.

Se tanto movimento assim agradou as responsáveis pela principal atração da Fenadoce, também gerou bons resultados também a outros comerciantes. Pelo segundo ano fazendo parte do evento, a Feira da Agricultura Familiar foi um dos setores mais buscados e registrou um aumento de 50% no faturamento em comparação a 2016, chegando a R$ 450 mil em vendas. Produtos coloniais como queijos, vinhos e geleias foram os mais comprados nos 51 estandes de agricultores de 35 diferentes cidades.

Também entre lojistas e expositores o fechamento foi positivo, mesmo com a crise econômica que tem feito muitos consumidores pisarem no freio. Enquanto reduziam os preços para tentar acabar com o estoque, comemoravam. "Venho desde 2007 e este ano me surpreendeu. Vendi 40% a mais do que no ano passado. Não tenho do que reclamar", analisou Aurélio Silva, dono de uma loja de roupas com sede em Itapema, Santa Catarina.


Cultura e entretenimento
Mais do que comer doces e aproveitar ofertas, a Fenadoce mais uma vez mostrou-se uma boa opção de lazer. Para as crianças e adolescentes, o parque de diversões e o Wombo Combo (pavilhão dedicado aos games e cultura pop) foram os locais mais concorridos. Entre os pequenos, havia ainda a alternativa de brincar e pintar no Espaço Kids, oferecido no estande da Câmara de Vereadores.

Aos adultos, além das apresentações artísticas que se alternaram na Cidade do Doce e Praça de Alimentação, o último dia reservou espaço também para aulas de zumba, o que chamou a atenção e fez muitos visitantes espantarem o frio com a dança.

Porém, o local que mais teve registros de selfies e sorrisos em toda a feira foi o Espaço Arte do Doce, onde pinturas, esculturas e personagens criados pelo artista plástico Madu Lopes divertiram adultos e crianças. "Gostei porque é quando a gente tem várias atrações para curtir um passeio, algo que não é muito comum em Pelotas", avaliou a cuidadora de idosos Rosiane Ávila, que fez várias fotos com a mãe Vera e os filhos Ismael e Maria Eduarda.

Estacionamento e sinalização, as reclamações
Embora os visitantes tenham elogiado bastante a infraestrutura interna da feira, mais uma vez o estacionamento foi o ponto mais crítico. Do lado externo dos pavilhões, muitas famílias tentavam desviar do barro acumulado em meio aos veículos.

Outro ponto levantado foi a falta de sinalização para quem não conhece a cidade e os acessos ao Centro de Eventos. "Estou acostumado a visitar muitas feiras pelo Estado e sempre vemos muito auxílio ao turista. Aqui encontrei dificuldades para compreender como chegar e acessar o parque", reclamou Angelo Dias.

Apesar do problema, para o marinheiro André dos Santos e a namorada Rosane da Silva encarar a estrada para voltar à Fenadoce após quatro anos valeu a pena. "Foram cinco horas de viagem que valeram. E tomara que ano que vem possamos retornar", disse ela. Para isso, já podem marcar na agenda: o CDL confirmou que em 2018 a 26ª Fenadoce será entre os dias 30 de maio e 17 de junho.


Os números da feira:

- 19 dias de evento
- 281 mil visitantes
- 2,26 milhões de doces vendidos
- 540 excursões (24,8 mil pessoas)
- 42,5 mil alunos de escolas públicas visitantes
- 620 apresentações culturais

 

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