Insegurança

Violência no transporte coletivo

Só este mês o STTR-Pel contabilizou 29 casos de assaltos à mão armada

14 de Julho de 2017 - 07h53 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Trabalhadores pedem mais atenção do Poder Público (Foto: arquivo Carlos Queiroz)

Trabalhadores pedem mais atenção do Poder Público (Foto: arquivo Carlos Queiroz)

Na última segunda-feira, *João - trabalhador do transporte coletivo em Pelotas - retornou ao serviço após 60 dias afastado. Em maio, ele foi espancado por dois jovens quando descia do ônibus e se dirigia à sua residência, depois de uma exaustiva jornada de trabalho. Dos males, três pontos na face são o menor, diante do trauma da violência que viveu e vive diariamente como cobrador do transporte coletivo.

Há dois anos atuando nos ônibus municipais, *João já se viu na mira de um revólver durante o expediente. O episódio que causou medo seria ainda mais assustador se a prática não tivesse virado “rotina” na vida de quem trabalha no transporte coletivo. “Voltei a trabalhar e não sei como serão os próximos dias. O sentimento é de medo e revolta”, desabafou *João.

Desde o início do ano, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Pelotas (STTR-Pel) contabilizou aproximadamente 280 casos de assaltos, média de 40 mensais. Neste mês, por exemplo, a entidade já registra 29 ocorrências. As linhas mais visadas são Getúlio Vargas, Pestano e Guabiroba. Os três bairros concentram mais de 50% dos roubos no transporte. Alguns pontos são tão críticos que os próprios trabalhadores já conhecem os assaltantes. “Têm paradas que a gente já sabe que vai ser assaltado e quem vai assaltar. Precisamos de iniciativas do Poder Público”, pediu um motorista.

Apesar da implantação do sistema de câmeras de segurança nos ônibus do transporte coletivo, em julho do ano passado, a medida não foi suficiente para inibir os assaltos. A presença dos equipamentos não intimida os suspeitos, que continuam agindo sem esconder os rostos. Em junho, por exemplo, o Sindicato contabilizou 48 roubos.

Os números diferem da Polícia Civil porque, conforme o STTR-Pel, a maioria dos trabalhadores não registra ocorrência logo após o assalto pelo fato de as empresas não liberarem para a confecção do B.O. “O motorista e o cobrador passam o dia trabalhando; quando acontece algo assim, eles querem é ir pra casa.

Não querem ficar horas numa delegacia”, comentou o vice-presidente do Sindicato que representa a categoria, Claudiomiro Amaral.

Além dos costumeiros assaltos, motoristas, cobradores e passageiros enfrentam consumo de drogas e arrastões dentro dos veículos. Essas situações ocorrem - especialmente - nas madrugadas de sábado, de domingo e de segunda. “O pessoal sai dos bailes e é aquele terror”, disse *João.

A Brigada Militar informou que realiza ações de fiscalização e prevenção no transporte, através da Operação Avante.

Em março, uma audiência pública na Câmara de Vereadores, proposta pelo vereador Éder Blank (PDT), debateu a situação do transporte coletivo na cidade. Na época, participaram da sessão representantes da Polícia Civil, da Brigada Militar e da Guarda Municipal que prometeram ações.

(*) Nome fictício para preservar a fonte

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