Saúde

Mudança fechará leitos hospitalares na região

Prefeitos estão apreensivos com a intenção do governo estadual em transformar hospitais de quatro municípios em unidades de Pronto Atendimento

05 de Agosto de 2017 - 16h08 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Hospital do Morro Redondo pode passar a atuar como Pronto Atendimento

Hospital do Morro Redondo pode passar a atuar como Pronto Atendimento

A transformação dos hospitais de Morro Redondo, Santana da Boa Vista, Herval e Amaral Ferrador em unidades de Pronto Atendimento de Urgência (Padus), com 82 leitos apenas para observação e por 48 horas, leva os prefeitos da região a se indagarem para onde irão esses pacientes após excedido o prazo. A medida foi anunciada pelo governo do estado e será um dos temas do Congresso dos Secretários de Saúde, na próxima quarta-feira, em Porto Alegre. O assunto é polêmico, preocupante e foi levantado pela Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul).
De acordo com a secretária de Saúde de Pelotas, Ana Costa, os secretários solicitaram a inclusão da pauta no congresso pela preocupação com o fechamento de 82 leitos na região. "Vai faltar. Vão para onde esses pacientes? Têm que se definir referências e não houve nenhum tipo de discussão com os secretários", comenta. O prefeito de Herval, Ruben Wilhelmsen (PSDB), promoveu reunião quinta-feira na sede da Azonasul, em Pelotas, com prefeitos e gestores de saúde para debater o assunto com o coordenador regional, Gabriel Andina.
Por meio da assessoria de comunicação da Azonasul, o presidente salienta a preocupação de todos: "Estamos inseguros sobre a funcionalidade dessas novas unidades, bem como sobre o repasse de recursos para cobrir os custos. Hoje em dia nossos hospitais internam os pacientes. Com a criação do Padu há apenas previsão para leitos de observação por 48 horas. E após esse período, para onde se leva o cidadão? E onde vamos alojar os pacientes em estado terminal?", indagou.
Para a secretária de São Lourenço do Sul, Arita Bergmann, o problema ainda é mais complexo, uma vez que a proposta apresenta questões técnicas a serem analisadas pelo Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosen). "Não se pode fazer a escolha sem que sejam avaliados custos, por exemplo, com o deslocamento dos pacientes e inseguranças sobre as autorizações de internações hospitalares (AIHs) nos hospitais referenciados", disse.
Andina afirmou que o Estado executou amplo estudo para a elaboração da proposta. Ele sustentou a tese de que na Zona Sul os 82 leitos pertencentes às unidades hospitalares estão ociosos, gerando custos à rede hospitalar e que a maioria das unidades de pequeno porte está em desacordo com as normas da Vigilância Sanitária.
"Na verdade, essas unidades já trabalham como pronto atendimento. Estamos propondo uma readequação para atender portaria federal que regulamenta os financiamentos e as transferências de recursos para ações e serviços de saúde", explicou, durante a reunião na Azonasul. Conforme a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde, a adesão à nova política de cofinanciamento dos Padus pautou reunião anterior, realizada com o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis, no dia 18 de julho, em Porto Alegre. Participaram representações de cerca de 35 municípios e de sete Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS) que possuem hospitais com menos de 30 leitos, considerados de pequeno porte e com perfil ambulatorial.
Andina enfatiza que que os quatro hospitais juntos têm uma média de internação inferior a 30% ao mês e todas são clínicas de baixa complexidade, que podem ser absorvidas pela atenção básica. Após as 48 horas, se necessário, os pacientes serão deslocados para hospitais regionais mais próximos, como Jaguarão, Piratini, Pedro Osório, São Lourenço do Sul e Canguçu.

Proposta detalhada
A assessoria da Azonasul informa que o assunto também voltará à pauta durante a reunião do Conselho de Secretários (Cosen/Sul), prevista para ocorrer no dia 16 deste mês, às 9h, na sede da Associação Comercial e Industrial de São Lourenço do Sul. No encontro, a 3ª Coordenadoria de Saúde deverá apresentar a proposta detalhadamente, com os devidos relatórios técnicos. O impasse, no entanto, deverá seguir, uma vez que os gestores de saúde das prefeituras confrontam a legislação vigente, que prevê o funcionamento dos hospitais de pequeno porte e a falta de entendimentos sobre as exigências da Vigilância Sanitária para conceder os devidos alvarás às unidades. "Vamos criar um grupo de trabalho para mapear a situação regional", adiantou a secretaria Arita.

 

 


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