Fatalidade

Mais uma tragédia na família de Kemily

O irmão Alexandre Rosa Farias, de sete anos, morreu ao manusear um arma de fogo na noite de domingo

07 de Agosto de 2017 - 09h41 Corrigir A + A -

Por: Redação
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 (Foto: Leandro Lopes - DP)

(Foto: Leandro Lopes - DP)

Atualizada às 22h22min

Menos de duas semanas depois da morte de Kemily Rosa Farias, vítima de uma bala perdida no pátio de casa, no loteamento Barão de Mauá, em Pelotas, no dia 24 de julho, a família agora tenta suportar uma outra tragédia: a perda de mais um filho. Na tarde desta segunda-feira (7), no Cemitério da Boa Vista, os pais da criança, Tauana Farias e Anderson Souza, reviveram a dor de sepultar um filho.

Familiares contaram à polícia que o irmão da menina, Alexandre Rosa Farias, de sete anos, fazia companhia para um tio - adolescente de 13 - que manuseava uma arma longa, calibre .28, na casa de um outro tio, localizada nos fundos da nova residência da família, no loteamento Getúlio Vargas. Conforme relato da família no registro de ocorrência, o adolescente teria se afastado quando a criança pegou a arma e efetuou um disparo contra si. O menino morreu na hora. Alexandre estava no segundo ano do Ensino Fundamental, ele aguardava transferência para uma escola do BGV. "Ele sentiu muito a morte da irmã. Ele era uma criança alegre e esperta", comentou um familiar.

Arrasada com a perda de dois filhos, a mãe de Kemily e Alexandre contou ao Diário Popular que no domingo foi almoçar na casa de uns amigos que a ajudaram muito após a perda da filha, e como forma de retribuir o carinho resolveu aceitar o convite. A dona de casa lembra que chamou o filho para ir junto, mas ele preferiu ficar na casa do tio jogando videogame.

Por volta das 19h, quando Tauana preparava-se para ir à igreja ouviu um estampido. "Pensei que fosse a televisão que tivesse caído. Nunca imaginei que fosse perder mais um filho", comentou. A dona de casa disse que não sabia que na residência tinha uma arma. "Só vi quando o menino veio com meu filho no colo. É mais um ferida eternamente aberta em mim, pensei que não fosse cair mais uma vez assim tão cedo, mas caí e no mesmo lugar", desabafou.

O adolescente teria contado aos familiares que viu Alexandre com a arma em mãos e tentou tirá-la da criança, momento em que houve o disparo. Segundo contou aos familiares, o menino teria pego a arma de um espaço ao lado do guarda-roupas da casa do tio. O adolescente deve prestar depoimento nesta terça-feira à Polícia Civil. "Não se sabe o que aconteceu, meu irmão está em estado de choque, ele não fala nada", disse Francine Souza, irmã do adolescente e tia da vítima.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) como suicídio, mas a Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD) investiga se foi disparo acidental ou homicídio culposo - quando não há intenção de matar. A Especializada apura também como a arma foi parar nas mãos da vítima e do adolescente. A arma foi recolhida e passará por perícia. "Por que essa arma estava lá? O que essa arma estava fazendo lá? São alguns dos pontos que devem ser esclarecidos", comentou o titular da DHD, Félix Rafanhim.

Caso Kemily
Kemily Rosa Farias, cinco anos, brincava com os irmãos quando foi atingida próximo ao coração por bala perdida no pátio de casa, no loteamento Barão de Mauá, Zona Sul de Pelotas. O disparo ocorreu durante um acerto de contas entre um jovem de 21 anos - detento do Presídio Regional de Pelotas - e um adolescente de 13. A menina chegou a ser socorrida pelo Samu, mas morreu no Pronto-Socorro de Pelotas.


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