Criminalidade

Polícia Civil realiza operação contra abigeatários em Pelotas

Estima-se que aproximadamente 1500 animais foram furtados pela quadrilha no último ano; um Guarda Municipal está entre os acusados

08 de Agosto de 2017 - 17h45 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Os 20 mandatos de prisão sendo executados (Foto: Gabriel Huth - DP)

Os 20 mandatos de prisão sendo executados (Foto: Gabriel Huth - DP)

Atualizada às 17h45min

Uma organização criminosa especializada em abigeato e na comercialização da carne sem procedência foi desarticulada pela Polícia Civil durante a Operação Castelo, deflagrada nesta terça-feira (8), em Pelotas. Giovanni Fickel, apontado pela polícia como a liderança do grupo criminoso foi preso. Além dele, outras 13 pessoas foram presas, entre elas, uma agente da Guarda Municipal, um advogado e donos de restaurantes da cidade. A polícia cumpriu 38 ordens judiciais de prisão e busca e apreensão. Durante a ação foram apreendidos materiais utilizados para a prática do crime de abigeato, como facas, moedores de carne e balança.

Investigações de aproximadamente um ano da equipe da Força-Tarefa de Combate ao Abigeato com apoio da 18ª Delegacia de Polícia Regional, Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Captura (Defrec) de Pelotas e Bagé, revelaram que a quadrilha é considerada uma das maiores e mais bem estruturadas organizações criminosas de abigeato na forma de carneada do Estado. O grupo organizado e hierarquizado possuía funções que iam de líder do esquema, carneadores a receptadores.

Os carneadores seriam os responsáveis por cumprir ordens e ir a campo praticar o furto dos animais. O advogado auxiliava nas ações e negociações do bando. A servidora da Guarda Municipal era responsável por realizar as cobranças para o grupo e também fornecia informações privilegiadas sobre barreiras policiais aos criminosos. Os empresários - donos de bares e restaurantes - identificados pela Defrec de Pelotas como alguns dos principais alvos da operação, comercializavam em seus estabelecimentos a carne oriunda do abigeato, sem procdência e inspeção sanitária.

A Polícia Civil acredita que no último ano o bando que se tornou um dos mais temidos dos produtores rurais da metade Sul tenha furtado e carneado mais de 1,5 mil bovinos e ovinos causando prejuízo de mais de R$ 3 milhões na economia da Região. O chefe da Polícia Civil no Estado, Emerson Wendt, considera que com a desarticulação do grupo os índices de abigeato - considerados alto pelo órgão - sejam reduzidos. "É uma das principais organizações criminosas responsáveis por inúmeros crimes rurais", disse.

As investigações apontaram ainda que os criminosos cometiam os abigeatos em cidades das Regiões da Campanha e Sul, Lavras do Sul, Rosário do Sul e Cachoeira do Sul. Conforme o delegado da Força-Tarefa de Combate ao Abigeato, Luis Eduardo Benites, o bando costumava ser chamado pelos produtores rurais de "Grupo dos Seis", por carnearem em média seis animais bovinos por vez. Logo após a prática criminosa, a carne oriunda do abigeato era trazido pelos abigeatários para Pelotas, onde a organização criminosa era sediada. Na Princesa do Sul, Giovanni Fickel possuía diversas "equipes" de carneadas que distribuía a carne furtada para açougues, lancherias, bares e restaurantes.

Ao longo das ações, a Força Tarefa chegou a pegar em flagrante pelo menos quatro equipes de carneadores da organização e recuperou dez carros roubados adaptados para transportar carne.

A Operação Castelo contou com a participação da Divisão de Apoio Aéreo, que utilizou o helicóptero da Polícia Civil dando suporte às equipes que cumpriam os mandados.

Afastamento
O secretário municipal de Segurança Pública, Aldo Bruno Ferreira, o tenente-Bruno, disse que a servidora da Guarda Municipal presa durante a Operação Castelo foi afastada de suas funções. A agente que serve à instituição há cinco anos pode ser exonerada do cargo. "É lamentável a participação dela no esquema. Em hipótese alguma iremos admitir essa postura", disse o secretário.

Vigilância Sanitária
Dois restaurantes localizados no Centro da cidade e um bar no Fragata foram notificados e multados pela Vigilância Sanitária Municipal. Nos locais, os agentes apreenderam 100kg de carne e miúdos bovinos inutilizados. "Os proprietários desses locais não conseguiram comprovar a procedência do produto", explicou o chefe da Vigilância, Sidnei Júnior.

Líder do grupo
Em 2012, o homem considerado a liderança do grupo que atuava há mais de dez anos, Giovanni Fickel, já havia sido preso pela Polícia Civil. Na época, a prisão ocorreu em São Lourenço do Sul, pelo crime de estelionato. Ele comandava uma quadrilha que faturava milhões através de golpes financeiros em bancos e empresas. Fickel ainda era suspeito de torturar e estuprar integrantes que quisessem abandonar o esquema criminoso.

Operação Castelo
O nome da ação foi denominado Castelo porque as investigações se iniciaram em Pedras Altas com a denúncias de moradores locais em relação a atuação do grupo.


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