Plenário

Ciclismo institucionalizado

Além da Semana Municipal do Ciclista, presidente da Câmara quer que sejam criadas campanhas incentivando o uso de bicicletas; Pelotas hoje conta com aproximadamente 50 quilômetros entre ciclovias e ciclofaixas, que devem ser interligadas nas próximas obra

09 de Agosto de 2017 - 08h41 Corrigir A + A -
Pelotas tem hoje cerca de 50 quilômetros entre ciclovias e ciclofaixas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pelotas tem hoje cerca de 50 quilômetros entre ciclovias e ciclofaixas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Próximas obras do Poder Público municipal devem interligar ciclovias e ciclofaixas da cidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Próximas obras do Poder Público municipal devem interligar ciclovias e ciclofaixas da cidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Luis Carlos pedala uma clássica barra circular amarela queimada no canteiro central da praça 20 de Setembro. É do tipo de ciclista urbano mais comum em Pelotas: pedaladas firmes e constantes, caixa de feira no bagageiro e bicicleta sem marchas. O uso não é para atividades físicas ou passatempo. Luis Carlos tem 54 anos e é vendedor. Ele percorre a maioria dos bairros da cidade utilizando a própria força e sobre duas rodas desde 1991. Hoje utiliza ciclovias e ciclofaixas. Antes dividia o espaço com carros, caminhões, ônibus e charretes.

Com a construção de ciclovias e ciclofaixas, o uso se intensificou. "A gente não tem dados sobre o uso da bicicleta em Pelotas, mas por observação a gente percebe um aumento no uso com as ciclovias", avalia o secretário de Transportes e Trânsito (STT), Flávio Al Alam (PSDB). Neste sentido, o presidente da Câmara de Vereadores de Pelotas, Luiz Henrique Viana (PSDB), quer criar a Semana Municipal do Ciclista - o projeto irá à votação hoje -, para comemorar todo ano na semana que integra o dia 19 de agosto, Dia Nacional do Ciclista. Além da data comemorativa, o parlamentar quer o desenvolvimento de campanhas institucionais que promovam o uso de bikes como meio de transporte alternativo. "Eu não ando muito de bicicleta, mas vejo que cada vez tem mais adeptos. A ideia de criar esta Semana estimula isso", argumenta Viana. O parlamentar lembra que, muito antes da tendência de andar sobre duas rodas, Pelotas sempre teve muitas categorias, como da construção civil, que sempre utilizaram a bicicleta como meio de transporte. "As campanhas institucionais querem aumentar a educação, porque a gente vê dos dois lados a imprudência, e com educação a gente pode melhorar essa relação", explicou.

No Brasil, mais de 40% dos ciclistas optam por este meio de transporte por ser mais prático e rápido. Ainda conforme o livro Mobilidade por bicicleta no Brasil, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Prourb/UFRJ), o principal problema enfrentado pelo ciclista brasileiro é a falta de respeito de outros condutores motorizados, seguido por falta de estrutura.

Ciclistas urbanos
Com praticamente todo trecho com ciclofaixa na Duque de Caxias, o estudante Luciano Chanças, 25, morador da Guabiroba, enfrenta diariamente obstáculos ao percorrer o caminho pelo canteiro central na praça 20 de Setembro, para as aulas de Engenharia Elétrica no IFSul. São cerca de 500 metros percorridos na terra e desviando de raízes que ficam em alto relevo no chão. "É muito mais seguro andar na ciclofaixa", opina. A bicicleta fica em casa somente em dias de chuva, quando utiliza transporte coletivo. Com as pedaladas diárias, já sentiu os efeitos no organismo após um ano da prática. "Antes eu andava duas quadras e já estava ofegante", lembra Chanças. Questionado se já passou por algum momento perigoso, Luciano conta que sempre reduz a velocidade ao chegar em cruzamentos e semáforos. "Mesmo sendo a preferencial minha, muitos motoristas não respeitam e avançam pra cima da gente."

Já Luis Carlos Boss já se chocou com uma moto. Foi no bairro Areal, quando o ciclista foi contornar se encontrou com uma motocicleta e ambos foram ao chão. Ninguém se machucou, apesar do susto. Morando na vila Cruzeiro, Luis Carlos fazia entregas de bicicleta até no Barro Duro e Laranjal semanalmente, bairros que hoje não visita com tanta frequência pela distância. Experiente no assunto, já andava de bicicletas antes das ciclovias. "Prefiro só andar na ciclovia, agora já estou adaptado", conta.

Nos planos do governo
Além das ciclovias já instaladas, o governo pretende construir mais vias exclusivas e interligar as já existentes. Este é um dos principais problemas relatados por usuários, que chegam ao final de uma via sem possibilidades de continuar. Na ciclofaixa da avenida Duque de Caxias, por exemplo, está em andamento a ligação com a da rua Professor Araújo. Na avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, a ciclovia deve ser interligada com a da Domingos de Almeida. Outra ligação está sendo planejada entre a Domingos de Almeida e a Ferreira Viana, adianta Al Alam. "Queremos interligar a Domingos via Rua das Traíras (Comendador Rafael Mazza) com a via que liga ao Laranjal", explica.

Outra novidade do mundo ciclístico será a oferta de 15 pontos de aluguel de bicicletas. O edital de licitação deve ser lançado até o final do mês. Com os pontos, o cidadão cadastrado poderá utilizar bicicletas públicas pelo período de até uma hora - podendo após esperar 15 minutos e alugar outra novamente. Para o serviço, será cobrada mensalidade de R$ 10,00 a R$ 15,00. Os pontos serão distribuídos em toda a cidade, do Porto à Zona Norte e ao Fragata. "No verão, pretendemos levar os pontos das universidades, em férias, para a praia", planeja o titular da STT.

Dia Nacional
Aprovado na Câmara dos Deputados e enviado ao Senado Federal, o dia 19 de agosto deve ser instituído como Dia Nacional do Ciclista. A proposta tem a autoria de 26 deputados. A escolha se deu como forma de homenagear o ciclista e biólogo Pedro Davison, que morreu neste mesmo dia, em 2006, depois de ser atropelado por um automóvel. Na época, Davison tinha 25 anos. O motorista dirigia em alta velocidade, além de estar sob efeito de álcool. A matéria aguarda ser apreciada no Senado.

Futuros pontos para aluguel de bikes (*)
- Gomes Carneiro - Campus Anglo/UFPel
- Conde de Porto Alegre - Centro de Artes/UFPel
- 3 de Maio - Praça Conselheiro Maciel (Praça do Direito)
- Praça Coronel Pedro Osório
- Andrade Neves esquina Doutor Amarante - Praça Dom Antônio Zattera
- Dom Joaquim esquina com Andrade Neves
- República do Líbano com Salgado Filho
- Fernando Osório com Salgado Filho
- Dom Joaquim com Fernando Osório - Praça do Colono
- Professor Araújo com Bento Gonçalves
- Praça 20 de Setembro - Em frente ao IF-Sul
- Duque de Caxias - Próximo ao cemitério
- Parque Museu da Baronesa
- Bento Gonçalves com Ferreira Viana
- Mercado Central

Ciclovias atuais (*)
- Ferreira Viana/Adolfo Fetter
- Fernando Osório/Professor Araújo
- Duque de Caxias
- Salgado Filho
- Dom Joaquim
- Félix da Cunha
- Gomes Carneiro
- Professor Araújo
- Domingos de Almeida
- Andrade Neves
- Ildefonso Simões Lopes
- Zeferino Costa
- República do Líbano
- Juscelino Kubitschek

Total de quilômetros entre ciclovias/ciclofaixas (*)
- 50

O ciclista no Brasil (**)

Tempo que aderiu ao uso da bicicleta em meio urbano
Menos de 6 meses - 14,5%
6 meses a 1 ano - 15,1%
1 a 2 anos - 15,9%
2 a 5 anos - 16,6%
Mais de 5 anos - 37,3%

Frequência com que pedala
Até 3 dias por semana - 16,9%
4 ou 5 dias por semana - 54,4%
7 dias por semana - 28,1%

Motivação para começar a pedalar
Ambientalmente correto - 2,2%
É mais barato - 19,6%
É mais rápido e prático - 42,9%
É mais saudável - 24,2
Outros motivos - 10,5%

Principal problema enfrentado
Falta de estrutura - 26,6%
Falta de respeito dos outros condutores motorizados - 34,6%
Falta de segurança no trânsito - 22,7%
Falta de segurança pública - 7,4%
Falta de sinalização - 3,3%
Outros - 4,6%

(*) Fonte: Secretaria de Transportes e Trânsito (STT)
(**) Fonte: Mobilidade por bicicleta no Brasil (Prourb/UFRJ)


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