Saúde

Pelotas é referência na atenção a autistas

Qualidade do atendimento na cidade faz famílias inclusive se mudarem para a cidade por atendimento

10 de Agosto de 2017 - 12h15 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

De São Paulo: Margarete e Norberto moravam em Ribeirão Preto (Foto: Gabriel Huth - DP)

De São Paulo: Margarete e Norberto moravam em Ribeirão Preto (Foto: Gabriel Huth - DP)

Forma de atendimento inovadora, com terapias pedagógicas e clínicas consideradas da mesma maneira, faz do Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura um lugar de referência para pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Muitas famílias de fora encontram em Pelotas - e gratuitamente - a atenção que seus filhos precisam e duas vezes por semana se deslocam de suas cidades com esse objetivo. Outras acabam se mudando, por morarem longe. Tem quem esteja vindo de Manaus.

O casal Margarete Pereira Duarte, 40, e Norberto Koppes, 55, é natural de Pelotas, mas morava em Ribeirão Preto, até receber o diagnóstico da filha de nove anos. A ideia era voltar para Pelotas, mas o retorno foi antecipado por causa do atendimento. Souberam pela internet da existência do Centro e se encantaram com o trabalho, diz o pai. “Lá em Ribeirão é muito difícil. Até tinha uma clínica, mas as exigências eram muitas, assim como a fila de espera. Daí preferimos voltar”, completa a mãe.

Retornaram há um mês e estão satisfeitos com os resultados. A filha Yasmim aceitou bem as terapias e na hora de ir para casa é um problema, pois não quer. A professora Débora Lanner, 39, reside em Pedro Osório e traz Pietro, também de nove, duas vezes por semana a Pelotas. Débora pertencia à Associação de Amigos, Mães, Pais de Autistas e Relacionados (Amparho) e o filho tem atendimento no Centro desde sua inauguração, há três anos. “Elas nos abraçaram mesmo sabendo que a gente não era daqui. Muito o que temos conquistado tem a ajuda do Centro”, afirma.

Apesar de a preferência ser pelos alunos de Pelotas, não há como deixar de atender casos de fora quando há vaga. No momento há uma lista de espera com 140 nomes. Considerando que a ampliação na capacidade é necessária, a diretora Débora Jacks não só pensa em um espaço maior, como já teve o aval da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed), à qual o centro é vinculado, para procurar outro prédio.
As técnicas empregadas resultam em avanços. No início a maioria dos alunos não permanece uma hora no Centro, com o tempo ficam o turno inteiro e alguns nem querem ir embora. Os atendimentos iniciaram em 2014, quando havia 58 alunos. Atualmente o total chega a 297, com idades que variam de um ano e seis meses aos 35 anos. Desses, 18 são de fora, a maioria de municípios da Zona Sul.

Em três anos de funcionamento, o Centro ampliou e qualificou os atendimentos. Todos os profissionais recebem formação continuada em TEA. São possibilitadas formações para as redes regulares de ensino, bem como orientação in loco nas escolas, onde são pensadas estratégias e metodologias específicas para cada aluno, explica Débora. Os municípios de abrangência de Pelotas também recebem formação e orientações.

O que oferece

O Centro trabalha de forma articulada com o Núcleo de Neurodesenvolvimento Professor Mário Coutinho, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que presta o acompanhamento clínico aos alunos com TEA (grande maioria). Atua também com a Secretaria Municipal de Saúde e presta os seguintes atendimentos:

Educacional especializado
Estimulação essencial
Psicopedagógico
Ludoterapia
Tecnologia assistiva
Psicomotricidade
Educação física
Arteterapia
Fonoaudiologia
Psicológico às famílias

* Estão em funcionamento os projetos Pet Terapia (Terapia assistida com cães), psicoterapia, nutrição e intervenção precoce baseados no modelo Português.


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