Nem tudo é festa

Abraçaço para a Apae

Associação completou nesta quinta 55 anos e reuniu funcionários, pais e alunos em um abraço simbólico; situação financeira delicada foi assunto durante a celebração

10 de Agosto de 2017 - 17h53 Corrigir A + A -
Abraço no prédio e celebração marcaram a tarde desta quinta-feira (Foto:  Heitor Araujo)

Abraço no prédio e celebração marcaram a tarde desta quinta-feira (Foto: Heitor Araujo)

Funcionários celebraram a data com muito carinho na Associação (Foto: Heitor Araujo)

Funcionários celebraram a data com muito carinho na Associação (Foto: Heitor Araujo)

De braços dados. Esse foi o lema do aniversário de 55 anos da Associação de Pais e Amigos dos Exepcionais de Pelotas (Apae). Criada no dia 10 de agosto de 1962, a instituição vive a maior crise financeira da história. No entanto, a tarde desta quinta-feira (10) serviu para reunir funcionários, pais, alunos e a comunidade em geral para dar um abraço no prédio sede, localizado no bairro Três Vendas.

Pensando nas famílias e nas crianças atendidas, a Apae vai lutando para sobreviver. Cerca de 320 crianças são atendidas no local. Somando com o auxílio prestado às famílias, mais ou menos mil pessoas dependem da associação. Por isso, no breve discurso proferido na solenidade de aniversário, o presidente Soldiney Rosa Marques não deixou de citar a situação financeira: a pior da história. “O dia de hoje é pra celebrar os 55 anos. Todos aqui são especiais, pais e alunos. Mas, infelizmente, não podemos esquecer os problemas que enfrentamos.”

É com o simbolismo do abraço que a Apae norteia as atividades. Organizadora da festividade de aniversário, a coordenadora de fisioterapia, Tatiane Barcellos, destaca a importância da entidade para funcionários e para a população atendida. "Apesar de toda a crise, nos mantemos ao lado da comunidade. Somos muito mais do que o serviço prestado. Até por isso estendemos o convite para a solenidade a toda população. O abraço simboliza que somos um lar."

Esse também é o pensamento dos pais dos alunos da instituição. Raquel Rodriguez é mãe de Ana Thais, de 9 anos. Ela esteve presente na solenidade com a filha, que sofre de hidrocefalia. Segundo Raquel, desde que começou a ser atendida pela Associação, a vida da família mudou. “Minha filha agora é muito mais amorosa. Sem a Apae nós não seríamos nada”, contou.

Situação delicada
Segundo os próprios funcionários da instituição, esse é o pior momento financeiro vivido pela associação. Desde abril a situação atiginiu um nível inimaginável. Para manter o contrato com a prefeitura, a Apae precisa regularizar o contrato do Fundo de Garantia com a Caixa Econômica Federal. Há cinco anos os valores não são pagos. Ainda há uma apuração para determinar o valor total da dívida. Para Soldiney e os demais funcionários, nem se pensa na possibilidade de fechar as portas. Ele comenta que o Poder Executivo municipal sinalizou favoravelmente na resolução da situação.

Para isso, o presidente destaca: há a necessidade de aumento das verbas. Das receitas da Apae, 85% partem do poder público - um repasse da União à prefeitura - e 15% de doações particulares, especialmente pelo telefone. O problema é que a meta estabelecida é de aproximadamente 110 atendimentos e a Associação recebe mais de 300 alunos.

Além disso, o local auxilia as famílias, principalmente em atendimento psicológico. Outro problema é o valor defasado de repasse por atendimento, que não sofre reajustes, segundo as informações da própria Apae, desde o ano 2000.


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