Mercado de trabalho

Profissão de barista cresce em meio à crise

Trabalhar com cafés especiais é aposta para quem deseja uma nova profissão

25 de Agosto de 2017 - 11h01 Corrigir A + A -
Em alta: O paulista Fernando Santana (D) ministrou o curso sobre as técnicas de preparo do café (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em alta: O paulista Fernando Santana (D) ministrou o curso sobre as técnicas de preparo do café (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Formar-se numa profissão em ascensão em meio a um cenário de crise. É com esta expectativa que pessoas de todas as idades procuram pelo curso de Barista, oferecido em Pelotas pelo Café 35 há três anos. Pelo menos uma vez por ano, o segundo andar da cafeteria localizada na avenida República do Líbano serve de sala para as aulas ministradas pelo barista Fernando Santana, de Campinas (SP).

Barista é o profissional que trabalha com cafés especiais, servindo-os de forma correta e até artesanal. No país, a paixão pelo café é unanimidade - em média, os brasileiros consomem 3,7 xícaras da bebida por dia. Neste contexto, os cafés gourmet, principalmente aqueles preparados por baristas e servidos em um ambiente diferenciado, apresentam crescimento expressivo. A busca pelos grãos especiais aumenta 15% ao ano no Brasil. Fernando acredita que, devido a esses fatores, o ramo tende a crescer. Ele mesmo é prova disso. Em agosto trabalhou todos os dias. Só nas últimas semanas conta que deu cursos no Acre, em Roraima, no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Os alunos geralmente são profissionais da área com o desejo de ampliar os negócios, pessoas em busca de uma nova profissão ou até quem está preparando-se para uma viagem longa ao exterior. Este último perfil engloba Beatriz Sena, 32 anos, e André Amaral, 34. No próximo ano, eles passarão seis meses na Austrália e viram na profissão de barista uma chance de trabalhar no local. O país valoriza bastante esses profissionais e, para Beatriz, é algo que dá para conciliar com as aulas de inglês que terá.

O curso tem duração de 16 horas/aula, divididas em três dias. No primeiro, são ensinadas técnicas de colheita, pós-colheita e sobre a produção de diferentes tipos de café. Na segunda etapa os alunos aprendem métodos de preparo da bebida. Por fim, no último dia, o professor fala da extração do café, latte art (desenhos feitos com leite sobre o café) e da elaboração de bebidas clássicas. É um curso profissionalizante e não há pré-requisitos para fazê-lo. Fernando Santana afirma que o curso é o primeiro passo para quem quer crescer na profissão. Orienta os alunos a seguirem se aperfeiçoando através de outros cursos e, principalmente, da prática. “Tem que sair da zona de conforto e colocar a cara no mundo”, aconselha.

Em Pelotas, o investimento gira em torno de R$ 500,00 e as turmas são para até dez alunos. Para quem deseja aprender a fazer cafés especiais em casa há o curso Home Coffee, também ministrado no Café 35, com turmas abertas uma vez por ano.

Experiência na área
Fernando Santana atua no ramo há nove anos. É barista, mestre de torras e classificador e degustador de cafés. Em 2011, montou a própria empresa, chamada Baristando. Hoje, viaja o país prestando consultoria para cafeterias, monta cardápios e treina equipes, além de ministrar cursos.


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