Saúde

Pelotas está acima da média do RS em casos de sífilis

Até agosto deste ano já são 346 notificações da adquirida e 27 casos confirmados da congênita, que acomete gestantes e pode resultar em sérias consequências ao feto

11 de Setembro de 2017 - 10h02 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Em Pelotas, os casos de sífilis congênita caíram (Foto: Marcus Maciel - Infocenter DP)

Em Pelotas, os casos de sífilis congênita caíram (Foto: Marcus Maciel - Infocenter DP)

Pelotas está acima da média do Estado, com 172 casos de sífilis para cada cem mil habitantes. Pelo Boletim Epidemiológico da Sífilis, o Rio Grande do Sul ocupa o primeiro lugar no ranking brasileiro por detecção da doença, com 111,5 casos para cada cem mil habitantes. Até agosto deste ano já são 346 notificações de sífilis adquirida em Pelotas, total considerado alto em relação a todo o 2016, que fechou em 560.

A sífilis congênita, no entanto, diminuiu. São 27 casos confirmados até julho, enquanto que em 2016 foram 68 casos positivos. A falta de conscientização das pessoas, que deixam de usar preservativo nas relações sexuais, é o motivo para a alta incidência da doença. Dois óbitos e quatro abortos foram registrados no ano passado em decorrência da sífilis congênita, que preocupa muito os integrantes do Comitê Municipal de Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites B e C.

A criação do Comitê, por determinação do Ministério da Saúde, se deu em decorrência do aumento de casos das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), o que inclui a sífilis. O órgão tem a atribuição de investigar os casos notificados e elaborar a estatística. De acordo com os membros José Ricardo Fonseca e Maria Alice Rodrigues, a sífilis em gestantes é muito séria, porque se não for tratada a mãe passa para o bebê, que pode nascer com sequelas físicas, neurológicas e ósseas.

Os testes rápidos estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Centro de Testagem e Aconselhamento, localizado no Centro de Especialidades, na rua Voluntários da Pátria próximo à Barão de Santa Tecla. É importante a realização do exame, pois as pessoas muitas vezes não sabem que são portadoras e transmitem a doença. Principalmente as mulheres, porque nos homens é mais visível.

O aumento de casos em todo o País e a baixa procura de preservativos na rede pública de saúde fez com que o governo federal adotasse nova estratégia de combate à sífilis, passando a disponibilizar o teste rápido em todas as UBSs. “O objetivo é testar e tratar”, observa Fonseca. O tratamento, à base de penicilina, também está à disposição dos pacientes na rede básica de atenção à saúde.

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas em diferentes estágios (primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios iniciais a possibilidade de transmissão da infecção é maior. Quando apresenta reagente no teste rápido (apenas uma picada no dedo), uma amostra de sangue do paciente deve ser encaminhado a teste laboratorial, para confirmação do resultado.

Sinais e sintomas
Primária: Ferida geralmente única, no local da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece entre dez e 90 dias após o contágio. Não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha.

Secundária: 
Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses após a ferida inicial e a cicatrização espontânea. Manchas no corpo, principalmente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Não coçam, mas podem surgir ínguas.

Latente: 
Não apresenta sinais ou sintomas. É dividida em latente recente (menos de um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano).

Terciária: 
Pode surgir de dois a 40 anos após o início da infecção. Apresenta sinais e sintomas, sobretudo lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Complicações da sífilis congênita
A sífilis congênita é transmitida pela mãe ao bebê e pode ocorrer aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e/ou morte ao nascer.

Estatística
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no mundo existem mais de um milhão de casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), sendo a sífilis na gestação responsável por mais de 300 mil mortes fetais e neonatais por ano, colocando um adicional de 215 mil crianças em aumento de risco de morte prematura.

De 2010 a 2016 foram notificados no Brasil 227.663 casos de sífilis adquirida, sendo 20,5% dos casos na Região Sul.

Fonte: Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde


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