Reforço

Cpers monta acampamento na capital

Em Pelotas, semana começou com Tenda da Solidariedade para melhorar a renda dos trabalhadores

11 de Setembro de 2017 - 20h49 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Tenda da Solidariedade tem por objetivo melhorar a renda dos trabalhadores, que seguem com os salários em aberto (Foto: Paulo Rossi - DP)

Tenda da Solidariedade tem por objetivo melhorar a renda dos trabalhadores, que seguem com os salários em aberto (Foto: Paulo Rossi - DP)

A partir desta terça-feira (12) a Praça da Matriz, em Porto Alegre, vira cenário a acampamento de professores e funcionários da rede estadual, em greve desde a última quarta-feira. Em Pelotas, a semana começou com Tenda da Solidariedade, no Calçadão, com objetivo nobre: melhorar a renda dos trabalhadores, que seguem com os salários em aberto. A mobilização também serviu para a categoria estreitar o contato direto com a comunidade e reforçar o recado: Não mande seu filho para escola. Estamos em greve!

Dois ônibus com profissionais da região irão se deslocar à capital para engrossar o acampamento, que irá durar até quinta. Na pauta, três temas centrais: o fim do parcelamento dos salários e do 13º, a reposição salarial e a derrubada de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tramitam na Assembleia Legislativa e atingem diretamente os direitos da categoria, como a extinção da licença-prêmio.

"Queremos reforçar que existem outras formas de o governo sair da crise, que não seja atacando o funcionalismo e sucateando os serviços públicos", enfatizou o diretor do 24º Núcleo do Cpers-Sindicato, Mauro Amaral. O combate à sonegação e a revisão da política de isenção fiscal voltaram a ser lembradas como alternativas para o governo elevar a arrecadação.

O jeito é apelar à renda extra
Quitutes, plantas e roupas usadas foram alguns dos produtos à venda na tarde desta segunda-feira. Não raro, os profissionais da Educação têm precisado extrair renda de outras fontes. Com os repetidos parcelamentos, viver do Magistério torna-se cada vez mais desafiador.

A professora Fabiane Silva, 49, sabe bem. Com 24 anos de carreira, já se acostumou a abrir mão de momentos de descanso - após as 40 horas de trabalho semanais - para ampliar a renda familiar. É quando se dedica à terceira jornada do dia: o preparo de pães recheados. Ainda assim, não foi o suficiente. No ano passado, precisou vender o carro. Já não conseguia pagar o financiamento do Clio. Era preciso priorizar o pagamento das parcelas da casa própria - conta. E desabafa: "Adoro o que eu faço e poderia ficar mais um tempo, mas com tudo isso, não vejo a hora de me aposentar", resume. 

E abre a contagem regressiva, até julho de 2018, quando poderia deixar a Sala de Recursos da Escola Estadual Areal. Um ambiente em que a realiza tarefas essenciais, dirigidas a estudantes com necessidades especiais.


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