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Sabe as moedas que você guarda?

Lojistas do Centro reclamam do desaparecimento dos centavos usados como troco e culpam o estacionamento rotativo

12 de Setembro de 2017 - 10h48 Corrigir A + A -
Doceria instalou um quadro com o pedido de ajuda aos clientes (Foto: Jô Folha - DP)

Doceria instalou um quadro com o pedido de ajuda aos clientes (Foto: Jô Folha - DP)

Sim, nós precisamos das suas moedas. Esta frase estampa um quadro próximo ao caixa de uma doceria da cidade. O pedido retrata uma necessidade de grande parte do comércio pelotense porque as moedas engavetadas fazem muita falta no troco. Nos últimos dias de agosto o Banco Central do Brasil lançou uma campanha para incentivar o uso dos centavos. Em Pelotas, o estacionamento rotativo é apontado como o “culpado” pelo sumiço das moedas.

A ação da doceria é recente, mas já vem dando resultado, afirma o gerente Leonardo Barcellos. Segundo ele, os parquímetros são os vilões da falta de moedas. Como o estabelecimento fica próximo a esses equipamentos, não são raras as pessoas que o procuram para trocar as cédulas por centavos - na maioria das vezes, sem sucesso. Quando a situação piora, o gerente recorre aos bancos. Mas, afirma, hoje dificilmente os bancos fazem a troca. A solução é apelar aos cofres dos clientes. A situação também é enfrentada em uma loja de acessórios. A vendedora Caroline Cunha conta que os clientes guardam suas moedas para o estacionamento rotativo e não as colocam em circulação no comércio. Se antes era difícil conseguir centavos para o troco, desde a implementação dos parquímetros eles passaram a ser raridade, afirma.

Com o objetivo de incentivar os clientes a usar suas moedas, uma rede de supermercados dá um brinde a quem substitui os centavos por cédulas. A cada R$ 50,00 em moedas, o consumidor ganha um litro de leite, explica o gerente Fábio Delabari. A campanha é a forma mais efetiva de conseguir troco, avalia. Ele também culpa a zona azul pelo desaparecimento das moedas. “É difícil conseguir trocar com eles”, conta. Nos quatro anos de rotativo, só conseguiu substituir as cédulas por centavos em duas ocasiões.

Segundo o representante da empresa Serttel, Vitor Barboza, o estacionamento rotativo recebe 60% do pagamento em moedas. Em reais, o montante equivale a cerca de R$ 204 mil por mês. Vitor afirma que abastece o comércio local com moedas, porém a procura é muito grande e há uma lista de espera com os interessados. A prioridade é dada às empresas próximas aos parquímetros e aos estabelecimentos que vendem o cartão do estacionamento rotativo. O valor trocado com os lojistas é todo o montante que há no cofre de cada parquímetro. Em média, cada cofre recolhe R$ 500,00.

Para amenizar a falta de moedas, que também gera um gasto excessivo aos cofres públicos, o Banco Central do Brasil (BCB) lançou uma campanha. O objetivo é sensibilizar a população a desengavetar as moedas e, assim, diminuir as despesas com fabricação. No país, há cerca de 8,7 bilhões de moedas guardadas. Só no ano passado, o custo de suprimento desse dinheiro chegou a R$ 243 milhões. Se o Brasil passar a fabricar menos moedas, também economizará energia e minérios, lembra o presidente do BCB Ilan Goldfajn.

O custo de cada uma
Algumas moedas têm o valor de fabricação mais alto que o valor da face.

Valor   
- Custo
R$ 0,05 - R$ 0,11
R$ 0,10 - R$ 0,16
R$ 0,25 - R$ 0,23
R$ 0,50 - R$ 0,20
R$ 1,00 - R$ 0,29


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