Justiça

MP denuncia envolvidos na Operação Castelo

Juíza da 4ª Vara Criminal de Pelotas acolheu pedido do Ministério Público

12 de Setembro de 2017 - 09h20 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Na decisão, a juíza negou o pedido de liberdade para integrantes do grupo (Foto: Gabriel Huth - DP)

Na decisão, a juíza negou o pedido de liberdade para integrantes do grupo (Foto: Gabriel Huth - DP)

Atualizada às 17h10min.

O Ministério Público (MP) denunciou 21 pessoas envolvidas no esquema criminoso de abigeato e comércio ilegal de carnes por receptação, furto, porte de armas, organização criminosa e corrupção de menores. A denúncia foi acolhida pela juíza da 4ª Vara Criminal de Pelotas, Maria da Glória Barbosa. Em seu despacho, a magistrada considerou que “ não se vislumbra nenhuma hipótese de rejeição liminar da denúncia (...) havendo indícios suficientes de autoria e materialidade”.

Segundo inquérito policial, o líder da organização criminosa, Giovanni Fickel Bandeira, e a sua companheira, Kátia Rosângela Caldas, teriam inserido a filha adolescente no esquema para ser responsável pelo recolhimento do pagamento das carnes oriundas do crime, segundo aponta o MP em sua denúncia. A dupla está presa no Presídio Regional de Pelotas.

Conforme denúncia oferecida pelo promotor Guilherme Kratz, dois dos denunciados - Carolina Gonçalo
(proprietária do Doçuras de Pelotas) e Paulo Moscarelli (proprietário do Tomate Lanches) - mesmo após a deflagração da Operação Castelo, continuavam a realizar a prática criminosa em seus estabelecimentos já que, segundo o Ministério Público, nos locais, recentemente, foram apreendidas carnes sem procedência e impróprias para consumo.

Carolina Fonseca Gonçalo cumpre prisão de caráter preventivo em casa. O restaurante do qual é dona está de portas fechadas. Um pedido formulado pela defesa da proprietária do Doçuras de Pelotas para que Carolina volte às atividades foi indeferido pela Justiça e considerado “à beira do absurdo”, segundo despacho da juíza Rita de Cássia Muller. Paulo Giovanne Vasconcellos Moscareli está recluso no Presídio Regional de Pelotas (PRP).

Kratz pediu ainda a expressa decretação da perda do cargo público da guarda municipal de Pelotas, Natália Noble Ianzer. Segundo investigações da Polícia Civil, a servidora seria responsável por avisar o grupo criminoso sobre as ações realizadas pelos órgãos de segurança no combate ao abigeato em Pelotas e na Região Sul.

A investigação de aproximadamente um ano da Polícia Civil deu origem à Operação Castelo, deflagrada em agosto deste ano pela Força-Tarefa de Combate ao Abigeato, e apontou que o grupo se demonstrava organizado e hierarquizado, possuindo três grupos de carneadores, lideranças, receptadores e apoiadores.

Escutas telefônicas
Gravações telefônicas autorizadas pela Justiça, às quais o Diário Popular teve acesso, mostram que integrantes da quadrilha especializada em abigeato e comércio ilegal de carnes desarticulada pela Polícia Civil reclamam da qualidade das carnes, se dizem cansados de utilizar barcos para praticar roubos e comunicam membros da equipe sobre ações policiais.

Durante conversa entre Giovanni Fickel e o advogado Cláudio Fonseca, o líder do esquema diz que depois que começou a roubar de carro não quer mais ir de barco. “De barco não quero roubar nunca mais, é uma ladainha para descarregar, é complicadíssimo. Aqui, se tu sai pra roubar só tu fica sabendo. De barco todo mundo fica sabendo onde passou, quem passou. Depois que eu roubei de carro, não quero mais roubar de barco”, comenta Giovanni. Ainda durante a conversa entre Fickel e Fonseca, ambos trocam receitas culinárias e dizem estar enjoados de comer “bife com batatas fritas”.

Em uma outra gravação, a servidora da Guarda Municipal, Natália Ianzer, avisa ao pai também integrante da organização que haverá operação conjunta em alguns pontos da região. “Ninguém sabe onde é, mas eu sei que é com a Civil, Polícia do Exército, Guarda. É operação grande.” Poucos meses antes da Operação Castelo ser deflagrada, José Ianzer foi assassinado.

Denunciados
1 - Giovanni Fickel: preso no PRP
2 - Kátia Ramos: presa no PRP
3 - Carolina Fonseca Gonçalo: prisão domiciliar
4 - Paulo Giovanne Vasconcelos Moscareli: preso no PRP
5 - Marta Pedroso da Silva: presa no PRP
6 - Maikon Kohn Einhardt: preso no PRP
7 - Vagner Moreira Fabra: preso no PRP
8 - Zairo Milton Garcia: preso no PRP
9 - Cláudio Luiz Campos Dias: preso no PRP e apontado como um dos principais abigeatários
10 - Paulo Roberto Schimidt Vieira: apontado como principal abigeatário
11 - Thiago Vieira Cardoso: preso no PRP
12 - Aline Santos Feijó: prisão domiciliar
13 - Tamires Afonso Costa
14 - Natália Ianzer: presa no PRP
15 - Igor Luis Vasconcellos: preso no PRP
16 - Cristiano Colvara Siqueira: preso no PRP
17 - Darci Varera Duarte: preso no PRP
18 - Cláudio Rodrigues Fonseca: prisão domiciliar
19 - André Fonseca Gonçalo (dono do restaurante La Figueira e ex-gerente do boteco O Escritório). 
20 - Cleiton Teixeira Wotter
21 - Loeci Santos da Silva

Contraponto

De acordo com o atual gerente de O Escritório, Humberto Carvalho, André Fonseca Gonçalo há um ano e quatro meses não está mais vinculado ao restaurante. Carvalho salienta ainda que a investigação da Polícia Civil se iniciou há 12 meses e que absolutamente nada ilegal foi encontrado n'O Escritório.  


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