Dança

De geração em geração

Abambaé mantém vivas as tradições brasileiras, difundindo cultura para outros países, como na recente participação em festival no Peru

12 de Setembro de 2017 - 16h32 Corrigir A + A -
Grupo apresentou um apanhado de danças folclóricas em oficinas e espetáculos (Foto: Divulgação - DP)

Grupo apresentou um apanhado de danças folclóricas em oficinas e espetáculos (Foto: Divulgação - DP)

O conjunto de tradições e manifestações populares forma o que se chama de folclore, incluindo costumes, mitos, provérbios, lendas e danças. Desta última característica criou-se a Abambaé - Companhia de Danças Brasileiras, que trabalha na divulgação da cultura de várias regiões do país através de pesquisa, workshops, vídeos, documentários e apresentações. Recentemente, o grupo de Pelotas viajou cerca de 3,5 mil quilômetros para participar de festival no Peru.

Dos 19 integrantes que fazem parte da equipe, 14 embarcaram para o 6º Encuentro Binacional de Danza na cidade de Cusco. Os custos foram viabilizados com apoio da prefeitura local, por meio de edital de intercâmbio que garantiu as passagens aéreas para duas pessoas. As demais foram obtidas com rifas, colaborações espontâneas e, inclusive, do próprio bolso dos bailarinos.

O Brasil foi o convidado de honra do evento que transcorreu ao longo de seis dias. Os “abambaenses” ministraram oficinas e realizaram apresentações em locais conceituados como o Centro Cultural de Cuzco e o Teatro Municipal da cidade. Entre as ações sociais desenvolvidas, visitaram uma penitenciária feminina e dançaram para as detentas.

A programação, como de costume, foi bastante intensa, possibilitando levar ao país estrangeiro danças desenvolvidas nas cinco regiões do Brasil, como calango, cirandas, maracatu, afoxé, carimbó, lundu, engenho de maromba e siriri.

“A expectativa quando falam em Brasil é o Carnaval”, comenta Naiane Ribeiro, 22, estudante do curso de Dança da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A apresentação de samba foi realizada apenas no último dia do festival, pois a intenção do projeto também é oferecer o contato com culturas que possam surpreender o público.

Os jovens partiram em 24 de agosto e retornaram no dia 2 deste mês. “Foi uma experiência grandiosa, possibilitando uma troca cultural de extrema importância na minha caminhada como dançarino”, comentou o estudante Emanuel Dias, 18.

A principal das trocas foi realizada junto do grupo Perudanza, que organizou o evento. Os pelotenses apresentaram o samba de roda e, como retribuição, aprenderam a dançar o festejo, característico da costa peruana. Juntos, ambos subiram ao palco na noite de abertura do festival.

Circuito nacional
A proposta da Abambaé não é apenas difundir o folclore nacional para outros países. Depois de realizar turnês no Chile, Uruguai, Paraguai, Argentina e Colômbia, o grupo acredita que é importante circular com essa riqueza cultural dentro do próprio Brasil, uma vez que o povo muitas vezes não se reconhece nos costumes de outra região.

“Certamente é um trabalho mais difícil, porém oferece uma sensação de pertencimento maior. Não desenvolvemos uma visão separatista. Na verdade, é uma visão de união, a fim de perceber a ligação entre as diversas regiões do país, o que nos une culturalmente”, explica a diretora Jaciara Jorge.

A própria criou a companhia em 2005, quando cursava faculdade em Cruz Alta. Trouxe o projeto para sua cidade natal em 2008, onde passou a ser integrante do Núcleo de Folclore (Nufolk) da UFPel, que oferece suporte para pesquisa e ainda cede espaço para realização dos ensaios.

O grupo tem por hábito realizar aulas abertas e, apenas uma vez por ano, seleciona novos integrantes. A maior parte é de estudantes do curso de Dança - Licenciatura da UFPel. Entre eles encontra-se Thobias Amorim, 28, que, apesar da sua paixão pela arte, cursa Odontologia. Durante a infância e adolescência dançou em CTGs e também aprendeu balé, jazz e dança de rua. Tudo isso até se encontrar na Abambaé. “Depois que conheci o folclore, a dança ganhou outro sentido. Seria como levar comigo, através da dança, a história de um país. Eu digo que é um privilégio”, avalia.

Movimentação local
De 18 a 25 de outubro, os “abambaenses” serão anfitriões das delegações que participarão do 3º Festival Internacional de Folclore e Artes Populares de Pelotas (Fifap), uma parceria entre UFPel e Instituto Federal Sul-rio-grandense. As atividades são gratuitas e incluem oficinas e espetáculos.

Ao contrário dos demais eventos do gênero, o objetivo visa a formação educacional. “Normalmente os festivais de dança são competitivos. O próprio Estado possui esse histórico de pouca integração. Para o folclore esta não é a parte que importa. Queremos promover a cultura de paz e a união entre os povos”, comenta a publicitária e integrante do grupo, Jordana Jorge.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados