Literatura

Pelotas por quem a viu

Nelson Morais Granada lança livro em que conta o que observou da cidade de 1950 até os dias atuais

13 de Setembro de 2017 - 10h00 Corrigir A + A -
História. Contador apresenta comércios, fábricas e costumes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

História. Contador apresenta comércios, fábricas e costumes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Monumento.  Ponte do Ramal é citada na produção (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Monumento. Ponte do Ramal é citada na produção (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Faz calor no fevereiro de 2015 e Nelson Granada conversa com um amigo que o indaga sobre o nome de um antigo restaurante localizado na Andrade Neves, conhecido, lá pelos anos 1980, como Bife Sujo. Recreio Pelotense, responde, após exercício de memória. No papo, percebe como se desmancha fácil o conhecimento popular das cidades se não for registrado. Surge daí a ideia do livro Memórias de um pelotense, que ele lança às 17h30min desta quarta-feira (13), na Livraria Vanguarda Técnicos.

O livro se propõe a contar aquilo que Granada, hoje com 75 anos, viu no município dos anos 1950 até os dias atuais. Comércio, indústria, serviços públicos, serviços privados, tradições, costumes, tudo o que o pelotense foi testemunha ocular está ali. “Muitas pessoas viveram nas décadas passadas, outros não sabem como era aquela época. Procurei fazer com que quem lesse desse uma volta ao passado”, comenta.

Granada destina atenção, inclusive, a contar a história das ruas de Pelotas, muitas das quais já tiveram nome alterado da metade do século 20 para cá. O autor aborda as alterações sofridas pelas vias para que comportassem fluxo mais elevado de veículos. “A Floriano permitia estacionamento dos dois lados, trânsito do bonde, dos carros e em mão dupla. Hoje isso é inviável”, exemplifica.

Entre a pujança e a pobreza
O mais interessante de Memórias de um pelotense, e esta seleção quem faz é o próprio autor, é a comparação traçada entre a Pelotas desenvolvida dos anos 1900, ainda com resquícios da riqueza do século anterior, e a Princesa do Sul carente de indústrias nos tempos atuais - por diversos motivos, desde a simples descontinuação de um negócio de família até o histórico sucateamento sofrido a partir de ações do governo do Estado.

A estagnação trouxe pobreza e a pobreza trouxe violência, embora seja difícil às vezes entender a ligação entre os três pontos. Também testemunha ocular de tais transformações, Granada é saudoso. “Era uma cidade muito mais segura. Fui estudante noturno e sempre saía de casa de noite, mesmo com 12 anos, sem preocupação alguma”, conta.

Lugares
Ao Diário Popular, Granada destaca três lugares folclóricos em Pelotas por ele mencionados no livro. A primeira é a Ponte do Ramal, interessante monumento, construído sob o canal Santa Bárbara. “As pedras eram colocadas espaçadas então quem passava por ali tinha de ter cuidado e para pisar exatamente em cima delas”, lembra. Ele cita também o antigo Gasômetro, cujo gás resultante da queima de carvão era tido como salutar às crianças que sofriam de coqueluche. “Funcionou para muitas crianças, eu entre elas”, comenta. Por fim, o autor acrescenta o incinerador de lixo, imponente prédio situado onde hoje se encontra a estação da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

Serviço:
O quê: lançamento do livro Memórias de um pelotense, de Nelson Morais Granada

Quando: nesta quarta, às 17h30min

Onde: Livraria Vanguarda Técnicos, no Campus I da UCPel

Entrada franca


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