Educação

Pós em Epidemiologia recebe prêmio Capes de Tese 2017

Trabalho relacionou a distribuição de gordura corporal e o risco de doenças cardiovasculares

11 de Outubro de 2017 - 07h55 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Estudo integrou dados genéticos e clínicos de mais de 194 mil pessoas e dados de indicadores metabólicos de mais de dez mil indivíduos (Foto: Divulgação - DP)

Estudo integrou dados genéticos e clínicos de mais de 194 mil pessoas e dados de indicadores metabólicos de mais de dez mil indivíduos (Foto: Divulgação - DP)

Um trabalho de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia (PPGE) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é o vencedor do Prêmio Capes de Tese 2017 na área de Saúde Coletiva. O prêmio é concedido às melhores teses de doutorado defendidas em 2016 nos cursos de pós-graduação do país, em cada uma das áreas do conhecimento reconhecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).

Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (10) no Diário Oficial da União. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá em 7 de dezembro de 2017, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília.

O prêmio contempla a tese Adiponectina: relação com a distribuição de gordura corporal e influência sobre o risco de doenças cardiovasculares, desenvolvida pela nutricionista Maria Carolina Borges, sob orientação do docente do PPGE, Aluísio Jardim Dornellas Barros. O trabalho contou ainda com a contribuição de pesquisadores da University College of London, Universidade de Cambridge e Universidade de Bristol.

Agora, a tese concorre ao Grande Prêmio Capes de Tese, outorgado à melhor tese selecionada entre as vencedoras do Prêmio Capes de Tese.

A pesquisa consiste em uma investigação aprofundada sobre o potencial do hormônio adiponectina para prevenir doenças cardiovasculares. Produzida pelo tecido adiposo, a adiponectina tem níveis drasticamente reduzidos em pessoas obesas. "Muitos pesquisadores defendiam que recuperar a produção de adiponectina em indivíduos obesos ou com sobrepeso, por meio de mudanças de estilo de vida ou de tratamentos medicamentosos, reduziria o risco de doenças cardiovasculares nessa população. Nosso estudo contraria esta hipótese", afirma a autora. Os resultados da tese apontam que o hormônio não parece atuar na prevenção de doenças cardiovasculares em seres humanos, ao contrário do que sugeriam testes realizados em animais e em culturas de células em laboratório.

Público pesquisado
O estudo integrou dados genéticos e clínicos de mais de 194 mil pessoas e dados de indicadores metabólicos de mais de dez mil indivíduos. Foram comparados os indicadores de doenças cardiovasculares entre pessoas geneticamente predispostas a produzir mais adiponectina e pessoas geneticamente predispostas a produzir menos adiponectina, com a metodologia conhecida como randomização mendeliana. De acordo com as análises, não houve diferenças entre esses grupos em relação à chance de desenvolver doenças cardiovasculares ou de apresentar as alterações metabólicas que precedem essas doenças. Além disso, a pesquisa apontou que a redução da produção de adiponectina está relacionada ao acúmulo de gordura abdominal e não ao acúmulo de gordura na região dos quadris.

"Nossas conclusões apontam que a aposta em novos medicamentos que aumentem a produção de adiponectina não deve se converter em avanços na prevenção das doenças cardiovasculares", explica Borges.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e no Brasil, e a obesidade, um dos principais fatores de risco para essas doenças.


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