Motoristas

O fantasma da CNH

Nervosismo seria um dos principais motivos para reprovação

11 de Novembro de 2017 - 11h19 Corrigir A + A -
Na hora da prova, o descuido pode ser um grande inimigo do candidato.  (Foto: Jô Folha - DP)

Na hora da prova, o descuido pode ser um grande inimigo do candidato. (Foto: Jô Folha - DP)

Ser habilitado para dirigir é o sonho de muitos brasileiros. Entre o desejo e a conquista, há um obstáculo difícil de sezr superado: a prova prática - especialmente para a categoria B, que permite a condução de carros. Na Região Sul, até agosto deste ano, 70,7% dos avaliados foram reprovados no exame prático da categoria B. O nervosismo e o despreparo são os principais fatores para o insucesso dos candidatos, aponta quem lida diretamente com esse público.

O primeiro motivo para o alto índice de reprovação se refere aos rigorosos critérios de avaliação dos candidatos. “Só passa quem realmente tem condições de dirigir em meio ao fluxo de veículos”, explica João Eduardo Mendes, diretor administrativo de um CFC. Aliado a isso está o nervosismo. O aluno pode se considerar preparado para conduzir um carro, mas, na hora da prova, a pressão pesa mais. “Até pessoas mais experientes podem ter dificuldade”, revela.

O nervosismo aparece porque há muita coisa em jogo, analisa João Eduardo. Para ele, o candidato percebe que, ao seu redor, existem diversas pessoas habilitadas. A responsabilidade de ser aprovado no exame só aumenta. Além disso, a importância da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cresceu muito nas últimas décadas. Ela pode ser uma porta de entrada no mercado de trabalho em funções de motorista, por exemplo. Soma-se a esses fatores o alto custo da CNH. Hoje, a habilitação na categoria B no Rio Grande do Sul custa R$ 2.095,62.

Na hora da prova, o descuido pode ser um grande inimigo do candidato. Por isso, o diretor recomenda que o aluno não disperse a concentração em momento algum, nem mesmo nos minutos finais da avaliação.

O despreparo do candidato é outro ponto que pode levá-lo à reprovação, salienta João Eduardo. Questionado se as 25 aulas práticas (cinco delas feitas em um simulador de direção) são suficientes para o aluno aprender a dirigir, responde que essa é uma questão extremamente pessoal. O número é o mínimo estabelecido para que o aluno esteja apto a realizar a prova.

Este é o caso de Suzana de Ávila, 51, aluna de um CFC. Ela já finalizou todas as aulas obrigatórias e fez mais oito. “Ainda não me sinto preparada para o exame”, confessa. Atribui sua insegurança ao fato de nunca ter nem tentado dirigir antes. Apesar disso, tem certeza de que vai conseguir obter a CNH e afirma: “Mesmo se reprovar, não vou desistir”.


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