Literatura

Um útero do campo

Marília Floôr Kosby aborda questões sociais através da poesia no livro Mugido, que lança sexta-feira na Casa Las Vulvas

13 de Novembro de 2017 - 09h11 Corrigir A + A -
Para escrever, poetisa  valeu-se de memórias afetivas da infância até a vida adulta (Foto: Divulgação - DP)

Para escrever, poetisa valeu-se de memórias afetivas da infância até a vida adulta (Foto: Divulgação - DP)

Um som emitido por animais do campo, típico dos bovinos, configura-se como um ruído forte, contínuo e, para Marília Floôr Kosby, dolorido. A poetisa aborda em seu novo livro a relação da mulher rural com tudo aquilo que grita sem ser escutado. Nesta sexta-feira, Mugido (ou diário de uma doula) será lançado na Casa Cultural Las Vulvas.

“Como sou de Arroio Grande, vivi minha infância num município sustentado pelo latifúndio, pela pecuária, pela escravidão. Saí para estudar e, quando retornei, o que era cotidiano, se tornou estranho”, explica. Esse contraste motivou a produção de poemas que tencionam questões de gênero, o convívio entre humano e animal, o agronegócio, o patriarcado, o machismo.

Mugido também estrutura-se em memórias afetivas da autora ao relembrar atendimentos veterinários realizados por seu pai, principalmente partos. Marília questiona a forma como se formam os rebanhos dentro de um latifúndio, uma realidade que sustentou a riqueza dos pampas gaúchos.

O posfácio do livro é assinado pela poeta Angélica Freitas, de Rilke Shake e Um útero é do tamanho de um punho. A pelotense escreveu a respeito de Mugido e ainda entrevistou Marília. “O meu trabalho dialoga com o dela. Angélica fala de um útero feminino, e eu falo a partir do útero da vaca sobre o machismo e a violência contra a mulher, que ultrapassa as fronteiras com fêmeas de outras espécies”, comenta. O lançamento em Pelotas contará com leitura dos poemas do livro por convidados e, também, conversa com a autora.

Carreira
Natural de Arroio Grande, Marília Flôor Kosby morou durante dez anos em Pelotas, onde cursou bacharelado e mestrado em Ciências Sociais. Atualmente reside em Porto Alegre e cursa doutorado em Antropologia. Sua primeira publicação chama-se Os baobás do mundo (2011), em parceria com o artista Zé Darci. “Foi um movimento contrário, de adentrar um universo estranho para mim”, entrega. Parte dos textos foi produzida a partir de sonhos com poemas referentes às religiões de matriz africana.

O quê?
lançamento do livro Mugido (ou diário de uma doula), de Marília Floôr Kosby

Quando?
sexta-feira (17), às 19h

Onde?
Casa Cultural Las Vulvas, na rua Padre Anchieta, 949
Entrada franca

 


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