Una Talks

Quando a criatividade fala mais alto

Lu Gastal, uma das palestrantes do Una Talks, evento promovido pela Idealiza Urbanismo

13 de Novembro de 2017 - 09h02 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Mudança. Lu Gastal trocou a carreira de advogada pelo 
artesanato, mas não sem inovação (Foto: Gabriel Huth - DP)

Mudança. Lu Gastal trocou a carreira de advogada pelo artesanato, mas não sem inovação (Foto: Gabriel Huth - DP)

Você consegue colocar sua empresa dentro de uma mala? Pois Lu Gastal põe. Dentro da mala vermelha e grande, aberta em qualquer lugar, até em aeroporto, tem inúmeras possibilidades para o desenvolvimento do seu trabalho: a criatividade. Há dez anos ela deixou de advogar para assumir um relacionamento sério com a inovação. Logo se tornou referência para artesãos e aspirantes ao mundo do empreendedorismo criativo. Ela estará em Pelotas no próximo dia 21 para participar como uma das palestrantes do Una Taks, evento promovido pela Idealiza Urbanismo, em parceria com o Diário Popular, na Casa Una/Parque Una.

Natural de Cachoeira do Sul, aos 17 anos Lu veio para Pelotas. Formou-se na primeira turma de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Trabalhou muitos anos em um escritório de advocacia, morou em Brasília e um dia resolveu fazer a escolha que mudaria radicalmente sua vida. “Me sentia uma advogada mediana e uma criativa intensa”, conta o que pensou quando optou por empreender e fazer. O impacto na família, que já era esperado, foi péssimo. Mas ela seguiu em frente.

Em 2006 criou um blog, considerado a forma de dar vasão ao formato engessado do seu dia a dia. De volta ao Sul, em 2010 radicou-se em Porto Alegre e, mesmo distribuindo currículo em uma série de escritórios, não conseguiu emprego. Tinha 39 anos. Foi aí que iniciou a carreira de empreendedora criativa. Implantou o Espaço Lu Gastal, passou a ministrar oficinas e a acumular cada vez mais seguidores nas redes sociais. Passou por três temporadas de um programa de TV sobre artesanato. Deu certo.

Seu propósito é proporcionar sensação de acolhimento. “Foi muito difícil chegar nesse momento do que eu sou, mas eu sei o que proporciona o criativo. O que me inspirou? Quais referências? Não conheço a maioria e me inspira ver que criam”, diz. A habilidade manual não é por acaso. O avô era alfaiate. É neta também de mulheres prendadas. Considera um retorno às origens. Existe uma busca muito grande no saber fazer à mão, enfatiza.

Além de encontros presenciais, participação de programas de televisão e ensino à distância, Lu é uma digital Influencer. Faz o resgate do charme e da elegância do feito à mão, que até pouco tempo era considerado coisa de vó.

A mudança de rumos de Lu Gastal deu certo. E hoje é inspiração para inúmeras outras pessoas.

A arte de fazer pedidos
Não bastasse abandonar a vida em uma carreira tradicional e bem-sucedida para se dedicar a tecidos e pompons, Lu soube demonstrar sua fragilidade e abriu um projeto de financiamento colaborativo para lançar um livro que permeia histórias do cotidiano e dicas preciosas sobre sua arte. No Una Talks vai falar justamente sobre a arte de fazer pedidos.

Conta que terminou o livro intitulado Relicário de afetos e percebeu que não tinha recursos para bancá-lo. Lançou a campanha pré-venda para financiamento coletivo e trouxe o público para assinar a obra com ela. Ou seja, comprando o exemplar antes, a pessoa pagou menos e teve garantida sua coautoria. Mas foi difícil se apresentar vulnerável ao grande público.

Teve sete mil acessos em um mês. Lu salienta que as pessoas acreditam. É um coletivo, um todo, um caminho e uma energia muito grande. Pessoas de outros países atenderam ao chamado. Foram 40 dias de campanha e o resultado foi a obtenção de 75% do valor que precisaria. Imaginou chegar a 50%. A dificuldade em se mostrar vulnerável foi suprida pela acolhida e pelo carinho das pessoas, o que ela resume em uma única palavra: empatia.

“Tem horas que recebo mensagens que me dão até vontade de chorar. Me emocionam”, fala. Segundo Lu, satisfação é medir a percepção, criar menos expectativa e ser feliz com isso. Acentua que a pessoa tem de ser o que é, gostem ou não, sem ficar pensando em julgamento.

O estúdio físico está em vias de ser desativado. “Minha empresa cabe numa mala vermelha e grande. Dela saem mil possibilidades, minhas ferramentas. É meu escritório de trabalho”, destaca. Ela trabalha e para isso abre a mala onde for preciso. Até enquanto espera o horário de um voo no aeroporto. Como viaja muito, é comum vê-la entre pompons e tecidos coloridos com os quais trabalha. As pessoas olham curiosas, claro. E ela? Nem aí. Está criando.


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