Música

Garcez planta a semente

Sob o codinome Dirty Lion, rapper lança disco que tem a água como pano de fundo para abordar temas sociais e existenciais

14 de Novembro de 2017 - 15h00 Corrigir A + A -
Por aí. Artista viajará o Brasil divulgando o trabalho. (Foto: Heitor Araujo)

Por aí. Artista viajará o Brasil divulgando o trabalho. (Foto: Heitor Araujo)

O rapper Garcez chega à Redação do Diário Popular pouco antes das 14h com duas laranjas às mãos. Ele as segura durante todo o tempo em que fala do disco Mergulhe fundo, lançado através de seu projeto, Dirty Lion, no último 12, Dia Mundial do Hip Hop. As frutas simbolizam a carreira do artista: forte, por vezes ácida, de sabor marcante. O álbum já está disponível para audição no YouTube e em breve ganhará as demais mídias digitais.

Este é o segundo álbum de Garcez dentro do projeto. O primeiro, NaturezAção, já sinalizava a fusão do rap com outras vertentes musicais, tendo a crítica social e as boas mensagens como pano de fundo. Junto ao primeiro disco vinham sementes de ipê amarelo, árvore nativa do Brasil. O objetivo era deixar para o futuro, além de canções, um planeta mais verde e melhor de se respirar. Nas influências, Vibrações, Djavan, Bob Marley, MC Marechal entre outros.

Três anos se passaram desde NaturezaAção, Garcez virou pai e o trabalho seguinte, a princípio um EP de cinco faixas, tornou-se álbum com 17 músicas que vão desde o “rapão” - rap cru - até o samba, passando ainda pela MPB, pelo reggae, pelo jazz. A mensagem central, conta, é mostrar ao ouvinte que a identidade própria é o único caminho. Dentro desta proposta entra a presença forte da água como um símbolo do autoconhecimento, através do reflexo e do mergulho. “Queria falar de mar sem apelar para o clichê da praia. Então falo muito da privatização da água, que resulta em doenças para a população, e da importância dela para a sustentabilidade do planeta”, explica.

A carga política, que vai além das aspas, Garcez credita ao próprio movimento hip hop, responsável por ensinar a não ser apenas mais uma pessoa seguindo o fluxo da vida sem deixar cicatriz que seja. “Apesar de vivermos um momento de esvaziamento das mensagens nas músicas, prezo muito por isso e é como vou seguir fazendo”, completa.

Dentro da filosofia de respeito e defesa à natureza, Garcez mantém em Mergulhe fundo a proposta de espalhar sementes. Além das canções, quem adquirir a cópia física de Mergulhe fundo receberá também punhado de sementes crioulas que podem ser utilizadas na elaboração de pomares particulares ou comunitários. “Meu sonho é ter horta em tudo que é lugar. Temos que deixar essa semente nas crianças para que o futuro seja melhor”, comenta, lembrando da responsabilidade ao cantar músicas que o filho irá ouvir.

Mergulhe fundo 

Dirty Lion 2017 - Independente
Participações de Vanessa Hariel, Marta Souza, Nando Viana, Pedro Moraes, Nataniel Mello, Paks, DJ Magreen, Dario, Diego Pereira, Zilla Sonoro, Bova, Jairo Queiroz, Sérgio Souza, Rafael Martins, Hamilton Pereira, Carlos Jordão, Luciano Sebaje, David Batuka e Matheus Menega


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