Violência

10 de Janeiro de 2018 - 16h50 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Nos primeiros dez dias do ano, Pelotas está atrás apenas de Porto Alegre no número de homicídios; onda de violência com maior frequência começou em dezembro (Foto: Paulo Rossi - DP)

Nos primeiros dez dias do ano, Pelotas está atrás apenas de Porto Alegre no número de homicídios; onda de violência com maior frequência começou em dezembro (Foto: Paulo Rossi - DP)

O assassinato de três pessoas na noite da última terça-feira (9) acende um alerta para o Poder Público e para o início de ano histórico de violência em Pelotas: dez mortos em nove dias. Os números colocam a cidade como a segunda mais violenta do Estado, ficando atrás da capital com 14 assassinatos. No ano passado, Pelotas registrou três homicídios nos nove primeiros dias. As execuções praticadas neste início de 2018 representam aumento de 233,3%.

Mateus Silveira, 21 e Matheus Oliz, 17, foram mortos a tiros na rua Epitácio Pessoa, no Fragata. A dupla estava em uma motocicleta quando teria sido alvo de disparos feitos por criminosos que estavam em um carro. Horas depois, na Rua 3 do Arco-íris, nas Três Vendas, Thiago Duarte, 20, foi assassinado com diversos disparos. Moradores da região relataram tiroteio. Na manhã desta quarta, a cidade foi palco de mais episódios de violência. Foram duas tentativas de homicídio: uma no corredor do Obelisco, no Areal, por volta das 10h30min, que terminou com a prisão de três pessoas - incluindo a vítima, e outra no Dunas no início da tarde.

Para o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoas (DHPP), Félix Rafanhim, a explosão de crimes se deu depois do acerto de contas na avenida Salgado Filho, no dia 26 de dezembro, que terminou na morte de um preso que havia acado de sair do Presídio Regional de Pelotas (PRP) em indulto de Ano-Novo. Alessandro Ruch dos Santos, 34, foi assassinado após a motocicleta em que estava ser interceptada por bandidos fortemente armados. Na ocasião, foram disparados tiros de pistola e fuzil .556. O delegado avalia que pelo menos cinco dos dez homicídios têm relação com a guerra do crime organizado. "Muitos dos mortos possuíam passagens pela polícia. Alguns deles, inclusive, por mais de um homicídio", comentou Rafanhim.

22_123746_8Delegado Félix vê o crime do dia 26 de dezembro como o estopim da violência (Foto: Infocenter)

O comando do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM) se reuniu nesta quarta para discutir as ações de prevenção e repressão desenvolvidas em Pelotas. Uma das medidas adotadas é o chamamento de policiais militares que estavam na reserva para reforçar o efetivo. Este ano, dois PMs já se apresentaram. A intenção é que eles atuem no videomonitoramento e na Patrulha Escolar para que policiais que estão na ativa possam voltar às ruas.

Em dezembro, durante a cerimônia de entrega de cinco novas viaturas à Brigada Militar, o secretário de Segurança Pública do Estado, Cezar Schirmer, prometeu reforço no efetivo a partir de fevereiro. Schirmer disse que conhece os índices criminais de Pelotas e, por isso, o município está incluído nas prioridades da pasta.

Diante do caos, o secretário de Segurança Pública do município, Aldo Bruno Ferreira, deve se reunir nesta quinta com os órgãos de segurança para traçar novas estratégias nas ações do Pacto Pelotas pela Paz. Em entrevista ao Diário Popular, Tenente Bruno reconheceu o alto número de homicídios e afirmou que o projeto do governo municipal não previa esse crescimento acelerado nos crimes. "Homicídio é muito difícil de previnir. Nove dos dez crimes já eram encomendados, sem dúvidas. Temos feito reforço naqueles locais que apontam maior incidência de mortes, tanto a Guarda Municipal como a Brigada", contou.

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A iniciativa municipal foi pensada em janeiro de 2017 pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) que percebeu a necessidade de uma medida de repressão, combate e prevenção - através de ações de integração entre os órgãos de Segurança Pública - para frear os índices de criminalidade na cidade, que vê os seus indicadores criminais dispararem. A consultoria técnica da Comunitas e do Instituto Cidade Segura mapeou as principais carências locais e trouxe exemplos de políticas públicas desenvolvidas em outras cidades que tiveram sucesso em reduzir homicídios e roubos.

Nos últimos 14 anos, Pelotas foi testemunha de um aumento de mais de 480% nos assassinatos. Em 2002, 17 pessoas foram assassinadas na cidade. Treze anos depois, em 2015, o município atingiu a marca até então histórica de 109 mortes violentas, seguido do ano passado, com 108, as piores da última década. Ao que indicam especialistas na área da Segurança Pública, 2018 se encaminha para o mesmo cenário ou para um ainda pior. Projeção feita por estudiosos do Pacto Pelotas pela Paz indica que este ano a cidade deve superar o número de execuções ocorridas em 2015.

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1º de janeiro

Mateus Aires Domingues, de 21 anos, foi morto dentro de sua residência, na rua João Neves da Fontoura, no Fragata. De acordo com o registro de ocorrência, um homem invadiu a casa em que a vítima morava com a mulher e os filhos e atirou contra Aires que estava no quarto e morreu na hora. Conforme relatado à Polícia Civil, o criminoso entrou no imóvel com o rosto coberto, anunciando ser policial. Antes de ir embora, o suspeito ainda disparou contra a companheira de Mateus, que foi atingida em uma das pernas. Os filhos do casal foram feridos de raspão sendo um dos tiros na cabeça de um dos menores.

2 de janeiro

Thiago Fonseca de Souza, 26, foi morto a tiros em frente ao portão da casa em que morava, na Praça Aratiba, no Barro Duro. A mulher dele contou à polícia que Souza foi chamado na frente e, ao se dirigir ao pátio, do imóvel foi assassinado.

2 de janeiro

Gustavo Almeida Vieira, de 29 anos, foi morto a tiros. O crime aconteceu na avenida Guadalajara, no bairro Três Vendas. De acordo com testemunhas, a vítima foi chamada na porta da residência onde estava e executada com vários disparos. Gustavo era presidente da Força Jovem do Pelotas (FJP).

4 de janeiro

João José Teixeira Domingues, de 53 anos, foi morto durante uma briga na rua Tamandaré, no centro da cidade. O suspeito do crime, S.S.L., também ficou ferido após o confronto.

7 de janeiro

O corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado por moradores na rua Benjamin Constant entre Manduca Rodrigues e Barão de Santa Tecla, no Centro, com diversas marcas de disparos, principalmente, na cabeça. A vítima de aproximadamente 40 anos tinha, em um dos braços, a tatuagem de um grupo criminoso que domina a galeria C do Presídio Regional de Pelotas (PRP), intitulado Vândalos.

7 de janeiro

Paulo César Raupp, 36, foi morto dentro da residência de uma amigo, na rua Frederico Trebi, no bairro Fátima. O rapaz já havia cumprido pena no PRP mas estava em liberdade desde 2005. De acordo com a BM criminosos invadiram o imóvel e atiraram contra Raupp que estava sentado no sofá quando foi morto. O tiro acertou a cabeça da vítima. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado mas Paulo César já estava morto. 

8 de janeiro

Morreu o homem que havia sido baleado na última sexta, 5, no Dunas, bairro Areal, em Pelotas. Rodrigo Souza, conhecido como "Chico", foi alvo de diversos disparos em via pública. Na sexta-feira, a Brigada Militar chegou a confirmar a morte de Chico logo após ele ter sido alvejado, mas logo em seguida a informação foi corrigida porque Rodrigo apresentou sinais vitais. 

9 de janeiro (duplo homicídio)

Mateus Silveira, 21 e Matheus Oliz,17 foram mortos a tiros na rua Epitácio Pessoa, no Fragata. A dupla estava em uma motocicleta quando teria sido alvo de disparos feitos por criminosos que estavam em um carro. Segundo testemunhas, houve troca de tiros

9 de janeiro

O jovem Thiago Duarte foi morto a tiros no Arco-íris. A vítima foi alvejada por vários disparos, inclusive na cabeça. Uma equipe da Guarda Municipal (GM), que estava próxima do local, atendeu à ocorrência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, mas Thiago já estava sem vida.


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