Impasse

Com salários atrasados, servidores do Hospital de Caridade de Canguçu entram em greve

Sem receber desde novembro e ainda sem o 13º, os funcionários da instituição começaram a paralisação nesta segunda-feira; eles pretendem acampar em frente ao hospital

02 de Janeiro de 2017 - 19h35 0 comentário(s) Corrigir A + A -
A faixa avisa: greve começou no Hospital de Caridade de Canguçu (Foto: Augusto Pinz)

A faixa avisa: greve começou no Hospital de Caridade de Canguçu (Foto: Augusto Pinz)

Servidores reunidos em frente à casa de saúde nesta segunda-feira (Foto: Divulgação)

Servidores reunidos em frente à casa de saúde nesta segunda-feira (Foto: Divulgação)

Sem receber salário há dois meses, os funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) resolveram parar as atividades nesta segunda-feira (2). Os servidores, que também não receberam o 13º salário, já haviam entrado em estado de greve na última quarta, quando um ato foi realizado na frente da casa de saúde.

Os funcionários pretendem acampar no local como forma de protesto. A comunidade de Canguçu apoia os servidores com doações de cestas básicas, já que muitos - sem o salário - não têm condições de arcar com suas próprias despesas, como aluguel e mantimentos.

Na quarta-feira, o administrador do Hospital de Caridade, Régis Silva, conversou com os servidores e com a imprensa e esclareceu algumas questões. "O Estado não deve nada pro HCC, nem o município. Tudo o que devia, fomos buscar judicialmente. O hospital está endividado por culpa dele mesmo. O comprometimento bancário com dívidas é maior que a produção no mês, então o dinheiro fica todo no banco."

Régis também garante que a administração do hospital está buscando, através de várias ações, a resolução do problema, mas que precisa de ajuda política para pleitear algumas verbas. "Os incentivos, por exemplo, são um valor fixo atrelado a metas. Sem o contrato assinado, os incentivos não serão pagos. Só que não paramos de atender em nenhum momento, então, estamos construindo uma solução. E tem que ser política, não há uma solução técnica, porque - sem contrato - o Tribunal de Contas veta."

Atualmente o HCC é abastecido por recursos de internações particulares. Este dinheiro está sendo utilizado para compra de material e medicamento, mas não é suficiente para o pagamento dos salários atrasados. O administrador diz ainda que muitos dos mantimentos que estão na cozinha da casa de saúde são fruto de doações da comunidade.

Apesar da paralisação, os atendimentos de urgência e emergência foram preservados. Os clínicos, que recebem pela prefeitura, estão com os salários em dia. O Pronto-Socorro, também conveniado com o Poder Executivo, funciona normalmente.

Entenda
O contrato do HCC com o Estado venceu em outubro e não foi renovado em função da falta de um Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI). De acordo com a administração do hospital, o documento foi protocolado em novembro. Após ser expedido o alvará, os trâmites burocráticos duraram ainda cerca de um mês.

Na sequência, veio a proposta da Secretaria Estadual de Saúde (SES) com R$ 3 milhões a menos do que o orçamento anterior. Uma contra-proposta foi enviada e aprovada. A expectativa é que o novo contrato entre Estado e HCC seja publicado no Diário Oficial ainda esta semana.

Após a publicação, Régis Silva espera poder buscar alguns recursos, como os incentivos e uma emenda parlamentar, que pode entrar como um aditivo. Com esse dinheiro seria possível pagar o salário e o 13º dos servidores.


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