Dificuldades

Crise e greve no Hospital de Caridade de Canguçu

Greve mobiliza técnicos e auxiliares, e ainda nesta semana os enfermeiros e farmacêuticos devem juntar-se ao movimento

03 de Janeiro de 2017 - 20h39 0 comentário(s) Corrigir A + A -
“O hospital nem vê esses recursos por causa das dívidas”, é o que diz o Administrador do HCC, Régis Silva 
 (Foto: Paulo Rossi - DP)

“O hospital nem vê esses recursos por causa das dívidas”, é o que diz o Administrador do HCC, Régis Silva (Foto: Paulo Rossi - DP)

Funcionários trabalham em regime de revezamento (Foto: Paulo Rossi - DP)

Funcionários trabalham em regime de revezamento (Foto: Paulo Rossi - DP)

Cobrança. Funcionários estão com os salários atrasados (Foto: Paulo Rossi - DP)

Cobrança. Funcionários estão com os salários atrasados (Foto: Paulo Rossi - DP)

Os funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) estão, literalmente, acampados em frente à instituição. Em greve, a categoria vinculada ao Sindisaúde protesta o atraso de salários. O cenário, já crítico, ainda pode piorar: os profissionais de enfermagem e farmácia prometem aderir à mobilização a partir de sexta-feira.

Da outra ponta da corda, a administração do único hospital do município tem pressa para a publicação do contrato com o Governo do Estado, que deve garantir mais de R$ 700 mil de repasses mensais, durante um ano. Pelo menos 30% dos servidores - entre técnicos e auxiliares - continuam em atividade, conforme permite a legislação.

De acordo com a presidente do Sindisaúde, Bianca Macedo, os colegas estão trabalhando em regime de revezamento, sem deixar de atender casos de urgência e emergência. Na fachada do HCC, a explicação da paralisação é clara: “Estamos em greve por falta de salário”, informa um dos cartazes. Os salários de novembro e dezembro, e também o 13º, não foram pagos. Engajada no movimento, parte da comunidade está levando mantimentos aos trabalhadores acampados. “Tem gente sem comida em casa. No meu caso, está tudo atrasado: o aluguel, as prestações... E aí, faz o quê? O trabalhador quer resposta”, reivindica uma das responsáveis pela higienização, Jussara Rocha.

O movimento do Sindisaúde deve ganhar força com a adesão dos sindicatos dos enfermeiros e farmacêuticos - os funcionários das duas áreas estão com salários igualmente atrasados. Após assembleia, na segunda-feira, as categorias determinaram, por unanimidade, paralisar os serviços na instituição de Canguçu ainda nesta semana, por tempo indeterminado.

Contrato com o Estado
O titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Gabriel Andina, enfatiza que o Estado não possui dívidas com o HCC. De acordo com ele, um novo contrato entre Poder Público e instituição será firmado - pelo período de um ano, devem ser repassados aproximadamente R$ 700 mil em recursos; cerca de R$ 200 mil em incentivos e R$ 500 mil, em média, referentes à produção. Após reuniões em Canguçu, com prefeitura e hospital, nesta terça-feira (3) à tarde Andina declarou: “Pretendemos publicar o novo contrato ainda nesta semana”. O vínculo entre o HCC e o Estado venceu em outubro de 2016 e não foi renovado por falta de um Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI).

As dívidas bancárias do hospital são altas, coloca o administrador da instituição, Régis Silva. Ele enfatiza tentar negociar a situação - são entregues cerca de R$ 250 mil mensais aos bancos. “O hospital nem vê esses recursos por causa das dívidas. A situação financeira é crítica há tempos”, admite Silva. A instituição vem sendo abastecida por recursos de internações particulares - verba que é utilizada para compra de material e medicamento, porém, não é suficiente para ressarcir os funcionários. Atualmente, são 217 em atividade - em dezembro de 2015 eram 239 no total. Conveniados ao Executivo, os recursos do Pronto-Socorro e os salários dos médicos estão regularizados.


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