Música

A hora de Pok Sombra

Após mixtapes e participações, rapper lança o disco Cartão postal em parceria com o produtor Dario, reconhecido nacionalmente

05 de Janeiro de 2017 - 13h04 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Ouça Pok Sombra & Dario 2016 em https://open.spotify.com/album/0Bdk08SYT064hhGf61PgoL. (Foto: Eduarda Souza - Especial DP)

Ouça Pok Sombra & Dario 2016 em https://open.spotify.com/album/0Bdk08SYT064hhGf61PgoL. (Foto: Eduarda Souza - Especial DP)

Muito respeito aos que chegaram antes e aqui é a próxima geração é a frase que encerra Rua 11, segunda faixa do disco Cartão postal, que o rapper Pok Sombra lança agora em parceria com o produtor Dario, um dos principais beatmakers do Brasil. É nossa hora, então passa a bola que é pra fazer história e pisar onde ninguém pisou, ele completa em Com licença, na sequência. Após se destacar em participações e produções para grandes nomes da cena, Luis Sergio Jaekel quer agora o seu espaço.

O ano de 2016 foi de fato de mudanças na vida de Pok Sombra: além de desconstruções pessoais que refletiram em canções mais politizadas, ele migrou para Curitiba, uma das capitais da cena rap nacional. É de lá Dario, cujo currículo abrange a produção de trabalhos de Rashid, Gog, Emicida. Pok já era fã e resolveu entrar em contato pouco antes de lançar a mixtape Aonde vou chegar, de 2013. “Troquei ideia, ele foi muito sangue bom, me lançou umas batidas de graça. Foi tudo muito natural. No outro dia já mandei a guia de uma música. Em seguida que mandei duas, três músicas com os beats dele ele me convidou pra fazer um álbum”, conta.

O rap e a comunidade
Daí nasceu Cartão postal, disco que une rimas e refrões através da qualidade. “É meu primeiro trabalho profissional. O primeiro em que me dediquei a começar e terminar. Nos outros eu juntava as músicas, colocava um nome e já era. Esse eu criei do início até o final”, diz, destacando como importante no trabalho a possibilidade de botar para fora o resultado das vivências de quem foi criado dentro do Navegantes entre jogar bola e ver o crime chegar rápido e fácil.

Para Pok Sombra, mora exatamente nessa possibilidade de funcionar como válvula de escape a importância que tem o rap para a periferia. Quando se mora em um lugar em que drogas e armas chegam mais fácil que educação e lazer, entra a cultura própria da comunidade como um resgate. “É uma ferramenta de transformação e de libertação para quem mora no gueto. Esse contato com o rap é sempre uma saída para essa babilônia que nos circunda”, comenta.

União
Da periferia e antes marginalizado, o rap pelotense agora conquista cada vez mais espaços por fora da cidade, com discos em listas de melhores do ano de revistas e sites paulistas e cariocas. Pok Sombra diz ver beleza nisso, principalmente quando um grupo se junta para, unido, lutar por uma causa maior - a construção de uma pista de skate de qualidade, a ocupação de um espaço público para a realização de rodas de rima. “O mundo é nosso, o problema é deles.

 

 


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