Quase na hora

Obama alfineta Trump em discurso de despedida

Democrata ressaltou o papel dos imigrantes na construção dos EUA e disse que negar a mudança climática é "trair gerações futuras"

11 de Janeiro de 2017 - 08h57 Corrigir A + A -

Agência Estado

A dez dias para deixar a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, encerrou seu discurso de despedida na noite desta terça-feira (11) em Chicago com a clássica frase que marcou sua primeira campanha eleitoral: "Sim, nós podemos". O dirigente ainda complementou com a frase "sim, nós fizemos" para falar dos avanços que ocorreram na maior economia dos mundo nos últimos oito anos. 

"Em dez dias o mundo testemunhará uma marca distintiva de nossa democracia: a transferência pacífica do poder de um presidente livremente eleito para o próximo", afirmou Obama, referindo-se a Donald Trump, que toma posse no próximo dia 20. 

Ao fazer um balanço de seu governo, Obama disse que conseguiu reverter a recessão gerada pela crise mundial de 2008, recuperar a indústria automobilística dos EUA, abrir um novo capítulo no relacionamento de Washington com Cuba e encerrar o programa nuclear do Irã sem disparar um tiro. 

Ao mesmo tempo, Obama reconheceu que o progresso nos EUA tem sido desigual. "O trabalho da democracia sempre foi duro, contencioso e às vezes sangrento. Para cada dois passos para frente, muitas vezes parece que damos um passo para trás", disse Obama. Ele completou dizendo que os EUA continuam sendo a nação mais rica, poderosa e respeitada do mundo. 

O presidente ressaltou na parte final do discurso que deixa a Casa Branca ainda mais otimista com as perspectivas para os EUA do que quando ganhou nas urnas. Destacou em sua fala de quase uma hora no entanto que a democracia norte-americana sofre ameaças e não vai funcionar sem que todos tenham oportunidades econômicas. 

Obama disse que houve momentos na história dos EUA em que forças - como o terrorismo, aumento da desigualdade e mudanças demográficas - ameaçaram a segurança, a solidariedade, a prosperidade e também a democracia do país. De acordo com o presidente, se não forem criadas oportunidades para todos, a divisão e a insatisfação só vão ficar mais nítidas nos próximos anos. Obama ressaltou que a questão racial, mas ponderou que a divisão de raças nos EUA está melhor agora do que há alguns anos. 

"Se cada questão econômica for enquadrada como uma luta entre uma classe média branca e trabalhadora e uma minoria não merecedora, os trabalhadores de todas as nuances vão ficar lutando por sucatas, enquanto os ricos se retiram para seus locais privados", disse Obama. 

Além disso, Obama apontou que a renda em 2016 nos EUA cresceu para todas as raças e faixas etárias, homens e mulheres. "Então, se vamos ser sérios sobre a questão racial, precisamos manter leis contra a discriminação - na contratação, na habitação, na educação e no sistema de justiça criminal." 

O presidente ressaltou, contudo, que só leis não serão suficientes para resolver a questão racial. "Os corações devem mudar. Não será uma mudança da noite para o dia. Atitudes sociais algumas vezes levam gerações para mudar."

Obama mencionou ainda uma terceira ameaça à democracia, que é quando um grupo de pessoas similares se junta em uma bolha, seja uma comunidade, uma igreja, uma rede social ou um colégio, e esse grupo concentra pessoas semelhantes e com a mesma visão política. Uma pessoa nunca questiona as hipóteses da outra. "E cada vez mais, ficamos tão seguros em nossas bolhas que aceitamos apenas informações, verdadeiras ou não, que se encaixam em nossas opiniões, ao invés de basear nossas opiniões nas evidências que estão lá fora." A política, disse Obama, é uma batalha de ideias.

O democrata ressaltou ainda o papel dos imigrantes na história do país, alfinetada em Donald Trump, que planeja deportar milhões de imigrantes ilegais. "A América não foi enfraquecida pela presença desses recém-chegados. Eles abraçaram o credo desta nação, e ela foi fortalecida", disse Obama ao comentar a entrada de imigrantes no país.

A segunda farpa lançada ao sucessor foi quando abordou a mudança climática. Obama afirmou que a ela é real e precisa ser combatida. "Sem ações mais ousadas, nossos filhos não terão tempo para debater a mudança climática, eles vão lidar com os efeitos."

Trump é acusado de negar os efeitos das mudanças climáticas e Obama mencionou este ponto no discurso, sem citar o nome do republicano. "Simplesmente negar o problema não só trai gerações futuras, trai o espírito essencial deste país", disse ele. 

"A realidade tem uma maneira de alcançar você", disse Obama ao falar da negação das mudanças climáticas, ressaltando ainda a importância da ciência e da inovação para se estudar, entender e combater estas mudanças.

 


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