Projeto

Nova etapa para iniciar obras no Calçadão

Quadra da Andrade Neves, entre Voluntários e Neto, deve começar a ser liberada; vendedores ambulantes, que hoje atuam no espaço, não têm garantias de que poderão permanecer no local após a requalificação

17 de Março de 2017 - 06h44 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

O revisteiro José Roberto Pinto locou um espaço na área central onde vai se instalar nos próximos dias sem nenhuma esperança de retornar ao calçadão da rua Andrade Neves, entre Voluntários e Neto; “Se fôssemos depender da prefeitura, iríamos morrer de fome

O revisteiro José Roberto Pinto locou um espaço na área central onde vai se instalar nos próximos dias sem nenhuma esperança de retornar ao calçadão da rua Andrade Neves, entre Voluntários e Neto; “Se fôssemos depender da prefeitura, iríamos morrer de fome", critica (Foto: Paulo Rossi - DP)

Movimento no calçadão da Andrade Neves, entre Neto e Voluntários, na manhã de quinta-feira; quadra será a primeira a receber obras de qualificação, o que força retirada de todos os ambulantes fixados no local (Foto: Paulo Rossi - DP)

Movimento no calçadão da Andrade Neves, entre Neto e Voluntários, na manhã de quinta-feira; quadra será a primeira a receber obras de qualificação, o que força retirada de todos os ambulantes fixados no local (Foto: Paulo Rossi - DP)

Imagem mostra como deve ficar o calçadão da Andrade Neves, entre Neto e Voluntários, após as obras de requalificação (Foto: Paulo Rossi - DP)

Imagem mostra como deve ficar o calçadão da Andrade Neves, entre Neto e Voluntários, após as obras de requalificação (Foto: Paulo Rossi - DP)

A partir desta sexta-feira (17) começa a ser liberada a primeira quadra do Calçadão, na área central de Pelotas, a receber a requalificação, que têm início previsto para quarta-feira e promete transformar o espaço, até setembro de 2018, com a injeção de R$ 3,9 milhões. O prazo para revistarias e ambulantes - da rua Andrade Neves, entre Voluntários da Pátria e General Neto - deixarem o local se encerrou à meia-noite desta quinta-feira. Se alguma das estruturas permanecer por ali, entretanto, ainda durante a manhã a prefeitura dará início ao processo de retirada. É um momento que mescla muitas expectativas e dúvidas; apesar do consenso quanto à necessidade das melhorias.

De um lado, os lojistas temem pelos transtornos e possíveis atrasos no andamento dos trabalhos, que devem durar de três a quatro meses por quadra. De outro, os ambulantes procuram lidar com a incerteza sobre o futuro. O secretário de Gestão da Cidade e Mobilidade, Jacques Reydams, confirmou: não há como garantir que todos eles poderão retornar aos lugares onde atuam há anos. “Não podemos dar certeza a ninguém”, enfatiza. No setor de alimentação, por exemplo, a estimativa é de que o número total de ambulantes caia dos atuais 22 para 18.

Sob análise
Uma convocação pública, sob formatação da Procuradoria Geral do Município (PGM), deverá definir todo o regramento a ser respeitado pelos vendedores que irão ocupar o Calçadão, após as obras. O padrão das bancas também está em fase de discussão. Para as estruturas fixas, de revistarias e floricultura, a seleção deverá ser feita através de licitação - adianta Reydams.

A expectativa, entretanto, é de que as decisões ocorram à medida que cada uma das quadras fiquem prontas, para evitar que os eventuais prejuízos - em função da troca do ponto de vendas - se prolonguem por muito tempo.

Nas últimas horas, descontentamento
O revisteiro José Roberto Pinto, 69, prepara-se para mudança de ponto. O endereço já está definido: será na rua Padre Anchieta, quase esquina 7 de Setembro, onde locou uma sala. Ao comentar as alterações, admite: a requalificação é necessária e benéfica, mas não esconde o descontentamento. “Se fôssemos depender da prefeitura, iríamos morrer de fome. Ninguém sabe nos dizer nada, por isso tô me organizando sem a intenção de voltar para cá”, conta. E, enquanto se planeja à nova fase, não mede críticas aos políticos, de todas as esferas de governo.

Na manhã de quinta, quando o Diário Popular esteve nesta primeira quadra que irá receber as obras, apenas a revistaria sob responsabilidade de José Pinto permanecia aberta. A outra revistaria, o quiosque da Vivo e a banquinha de Panquecas do Cassino estavam fechados.

Para onde vão?
A pergunta deverá se repetir inúmeras vezes pelos próximos meses. A prefeitura, todavia, não definiu um local para realocar os vendedores ambulantes durante o período de obras. Cada um deles terá de verificar a melhor saída. A instalação no quadrilátero central, compreendido entre Tiradentes, Gonçalves Chaves, Doutor Cassiano e Santa Tecla, está vetada - confirma o secretário de Gestão da Cidade e Mobilidade. “Eles podem escolher todo o resto da cidade”. E, claro, precisam comunicar o Executivo.

Atualmente, 22 vendedores de alimentos, nove revistarias e uma floricultura funcionam no Calçadão. Com a requalificação, os números devem mudar e, possivelmente, as famílias que estão por trás dos negócios, também.

Insegurança também entre os lojistas
O cumprimento dos prazos para execução das obras é o grande receio dos lojistas - admite o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Pelotas (Sindilojas), Gilmar Bazanella. De modo geral, o nível de satisfação com a obra - aguardada há quase uma década - é alto, mas existem dúvidas quanto ao peso dos transtornos que estão por vir.

Um tapume central deve formar um corredor para circulação do público, de ambos os lados, para que nenhum dos estabelecimentos tenha de interromper o atendimento. E, para trazer o mínimo de incomodação possível, operários devem atuar também à noite. Nas situações que envolvem instalação de tubulações e são mais demoradas, a solução será a colocação de chapas metálicas para que, no dia seguinte, o acesso às lojas esteja liberado.

E as doceiras?
Há dúvidas quanto à ocupação do quiosque de doces a ser instalado na 7 de Setembro, próximo ao Chafariz das Três Meninas, em ambiente composto também por artesãos. Não se sabe quais profissionais serão escolhidas nem quais critérios serão utilizados. Breve, o secretário de Gestão da Cidade e Mobilidade restringe-se a afirmar que a revitalização do Calçadão não abrange investimentos nos Becos.

Confira algumas das melhorias
Piso - O calçamento não contará com ladrilhos hidráulicos. O piso, composto por lajotas grandes de cimento e basalto polido, ganhará três tonalidades: grafite, cinza claro e vermelho.

Iluminação - Vários postes serão instalados e todas as lâmpadas serão de LED.

Mobiliário - Todos os canteiros serão requalificados. Os que já possuem bancos receberão manutenção. Os demais também passarão a contar com lugar para descanso. As lixeiras também serão trocadas.

Bicicletário - Uma das demandas da comunidade será atendida; ao menos em parte. Cinco bicicletários, em pontos diferentes da área Central, serão instalados. Ao todo, será possível acomodar 25 bicicletas.

Fiação - Os fios de alta tensão permanecerão expostos. O projeto, entretanto, contempla a instalação de estrutura para que todas as empresas de TV por cabo, de telefonia e de internet eliminem fios e cabos que criam emaranhados nos postes. Um projeto de lei deve ser elaborado pela prefeitura e encaminhado à Câmara de Vereadores para fixar prazo à adequação. A obra não irá requerer intervenções no piso novo.

Bombeiros - O caminhão do Corpo de Bombeiros, finalmente, poderá circular pelo Calçadão. Em diversas oportunidades, nos últimos anos, simulações comprovaram que a distribuição de quiosques, bancos, lixeiras e orelhões barravam a passagem do veículo.

Quadra diferenciada - A quadra da rua Andrade Neves, entre Marechal Floriano e Lobo da Costa, ganhará um projeto de tráfego de veículos. É mais um diferencial do projeto, que deverá criar espaços de convívio e valorizar o “shopping a céu aberto”.

 


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