Saúde na UTI

Encaixotado há oito meses

Equipamento de raios X adquirido para a UPA Ferreira Viana não funciona pela necessidade de adaptações no prédio

17 de Março de 2017 - 07h52 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Pacientes aguardam atendimento na UPA Ferreira Viana na manhã de quinta-feira; equipamento de raios X que devia funcionar no local ainda não saiu da caixa devido à necessidades de obras de adaptação no local (Foto: Jô Folha - DP)

Pacientes aguardam atendimento na UPA Ferreira Viana na manhã de quinta-feira; equipamento de raios X que devia funcionar no local ainda não saiu da caixa devido à necessidades de obras de adaptação no local (Foto: Jô Folha - DP)

O equipamento de raios X adquirido pela prefeitura de Pelotas para a UPA Ferreira Viana por R$ 123.530,00 permanece há oito meses na caixa. Para que possa entrar em funcionamento é necessária uma série de adaptações no local. Comprado para a UPA da Bento, o aparelho acabou indo à da Ferreira Viana, concluída antes. A ideia continua de levá-lo para lá, mas vai depender da desobrigatoriedade solicitada ao governo federal, face à baixa demanda na única UPA até então. Enquanto isso, a prefeitura transporta os pacientes de táxi à Santa Casa de Misericórdia, referência em traumatologia na cidade, conforme contratualização com o município.

Caso o Ministério da Saúde mantenha a obrigatoriedade de raios X nas UPAs, a prefeitura terá de licitar a compra de um segundo equipamento para a unidade da Bento e poderá ter de gastar com isso mais R$ 173.100,00, além da adaptação do local para receber o equipamento na Ferreira Viana. Segundo a secretária de Saúde, Ana Costa, como é feita a média de 65 exames ao mês via UPA, há uma inclinação do governo federal em desobrigar a unidade em possuir o aparelho. Pelo menos assim já acenou o Ministério da Saúde, ainda que não oficialmente.

Ana afirma que o gasto com táxi é muito inferior ao necessário à adaptação, ainda que não tenha o orçamento atualizado. Nos primeiros cinco meses de funcionamento da UPA os pacientes que precisaram de raios X foram levados à Santa Casa em carro locado, com motorista contratado. O sistema mudou nos últimos dois meses, quando se deram conta de que o acerto com um táxi tornaria menos oneroso esse serviço.

De acordo com a secretária, entre as ações que precisariam ser feitas para instalar o equipamento está uma parede com isolamento. Outros requisitos precisariam ser cumpridos e não foram colocados no projeto da UPA porque diferem conforme o modelo de aparelho, o que não poderia ser previsto antes da licitação. As adaptações, de toda a forma, ocorrem e vão acontecer também na UPA da Bento, garante.

Por ser referência no atendimento em traumatologia na cidade, a Santa Casa é automaticamente a alternativa. “Se o Samu pegar um paciente fraturado na rua, vai levar para a traumato da Santa Casa, que é referência e não porque a UPA não tem equipamento funcionando”, afirma. O translado feito atualmente funciona bem e não há transtorno para ninguém, assegura Ana. Caso o Ministério da Saúde libere a UPA Ferreira Viana de ter o equipamento, ele será destinado à da Bento, por ser mais central.

Para a vendedora Ana dos Santos Ferreira, 37, seria importante ter um aparelho de raios X funcionando na UPA: “Desafogaria a Santa Casa e não precisaria locomover o paciente”, opina. Pensa o mesmo a cuidadora de idosos Karen Blanck, 46. Mais do que isso, entende que deve ter o equipamento em todas as unidades previstas. A dona de casa Sandra Regina Escobar, 56, vê a UPA como a “salvação” da cidade e por considerar o atendimento o melhor possível, diz que o importante é ter como fazer o exame, não a forma como ele é feito.

Confira o total de exames de raio x feitos por meio da rede pública ao mês em Pelotas
- 368 - Hospital Escola
- 5.237 - Hospital Universitário São Francisco de Paula (recebe a demanda do Pronto Socorro)
- 3.333 - Santa Casa de Misericórdia

Fonte: SMS


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