Aumentou

Número de focos cresce desde quarta-feira, quando foram encontrados os primeiros casos

Dos 19 focos identificados até agora, 16 se concentram no Fragata; bairro pode ser a porta de entrada do mosquito em Pelotas por concentrar empresas de ônibus e transportadoras

17 de Março de 2017 - 21h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Dupla que integra força-tarefa organizada pela Secretaria de Saúde para encontrar e combater focos do mosquito da dengue é vista na avenida Duque de Caxias, a principal do bairro Fragata, na manhã desta sexta-feira; Pelotas já conta com 19 focos, a maioria (16) no bairro (Foto: Jerônimo Gonzalez/DP)

Dupla que integra força-tarefa organizada pela Secretaria de Saúde para encontrar e combater focos do mosquito da dengue é vista na avenida Duque de Caxias, a principal do bairro Fragata, na manhã desta sexta-feira; Pelotas já conta com 19 focos, a maioria (16) no bairro (Foto: Jerônimo Gonzalez/DP)

Agente da força-tarefa organizada pela Secretaria de Saúde do município vistoria o pátio de uma residência no bairro Fragata na manhã desta sexta-feira em busca de focos do mosquito Aedes aegypti, causador de doenças como dengue febre chikungunyia e o vírus zika; todos os 19 focos encontrados em Pelotas (16 no bairro) desde quarta-feira foram em casas particulares (Foto: Jerônimo Gonzalez/DP)

Agente da força-tarefa organizada pela Secretaria de Saúde do município vistoria o pátio de uma residência no bairro Fragata na manhã desta sexta-feira em busca de focos do mosquito Aedes aegypti, causador de doenças como dengue febre chikungunyia e o vírus zika; todos os 19 focos encontrados em Pelotas (16 no bairro) desde quarta-feira foram em casas particulares (Foto: Jerônimo Gonzalez/DP)

Larvicida é colocado em uma banheira com água parada por agente da Vigilância Ambiental na manhã desta sexta-feira em uma casa no Fragata, bairro que soma 16 dos 19 focos do Aedes aegypti em Pelotas; veneno é reconhecido pelo mosquito como alimento e ao ingeri-lo morre ou fica estéril, impedindo a proliferação (Foto: Jerônimo Gonzalez/DP)

Larvicida é colocado em uma banheira com água parada por agente da Vigilância Ambiental na manhã desta sexta-feira em uma casa no Fragata, bairro que soma 16 dos 19 focos do Aedes aegypti em Pelotas; veneno é reconhecido pelo mosquito como alimento e ao ingeri-lo morre ou fica estéril, impedindo a proliferação (Foto: Jerônimo Gonzalez/DP)

Lixo acumulado em local irregular na estrada do Engenho (Zona Leste de Pelotas) preocupa moradores da região quanto ao surgimento de focos do mosquito Aedes Aegypti (Foto: Paulo Rossi/DP)

Lixo acumulado em local irregular na estrada do Engenho (Zona Leste de Pelotas) preocupa moradores da região quanto ao surgimento de focos do mosquito Aedes Aegypti (Foto: Paulo Rossi/DP)

Pelotas tem 19 focos do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e do vírus zika. Desses, 16 estão no Fragata. Força-tarefa foi desenvolvida nesta sexta-feira (17) no bairro que, por ser porta de entrada à cidade e endereço de transportadoras e empresas de ônibus, se transforma em alvo fácil, pois o Aedes consegue voar apenas 150 metros e viaja literalmente de carona em ônibus e caminhões.

A situação, no entanto, apesar de controlada, é de alerta e a população precisa estar consciente dos riscos, observa o chefe do Departamento de Vigilância Ambiental (VA) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Guilherme Kaster. Segundo ele, todos os focos foram encontrados em residências.

Só na casa do comerciante Luís Antônio Siqueira Santana, 53, no final do bairro, foram achados nesta sexta-feira (17) oito em um tonel. “Era água da chuva, de poucos dias”, comenta ele, meio incrédulo e sem graça ao falar sobre o que julgou um pequeno descuido, já que junta tudo, vira de cabeça para baixo ou tampa. Proprietário de um brique, o que não falta na propriedade é local para procurar, já que mora nos fundos e se trata de uma área considerável.

Uma banheira cheia d’água chama atenção da equipe de agentes da VA e da Defesa Civil, que participam do mutirão. Por via das dúvidas, o agente Hernildo Heres tira da bolsa um larvicida e dissolve o produto na água. Explica que o mosquito entende como alimento e ingere. Morre ou fica estéril, que no caso é vantagem para o que todos desejam no momento, que é impedir sua proliferação.

A força-tarefa da prefeitura reuniu 70 pessoas, entre agentes da dengue, Vigilância Ambiental, Programa Primeira Infância Melhor (PIM), Secretaria de Serviços Urbanos e Defesa Civil. Conforme Kaster, o quarto foco registrado em Pelotas foi justamente no fim do Fragata, onde se espalhou em um raio de 300 metros, por isso o mutirão foi feito lá. Os três primeiros, pela ordem, ocorreram no Porto, início do Fragata e no Centro. O bairro tem condição propícia para o depósito de larvas, pois sedia empresas de transporte e borracharias.

Fumacê
Kaster esclarece que a aplicação de fumaça e vaporização de Ultrabaixo Volume (UBV) é um trabalho constante, inclusive no Fragata. Na sexta foram feitas novas aplicações, mas o fumacê atinge o mosquito, não a larva. O trabalho também contou com a utilização de drone para registrar imagens aéreas da ação. Segundo a VA, a identificação feita em Pelotas, a exemplo do que ocorre em todo o Estado, é do vetor. Não vai além, porque não existe laboratório que faça o trabalho, mas sabe que o ovo pode estar contaminado, pois a fêmea pode ter nascido com o vírus.

Esclarecimento
O mosquito se desenvolve em água limpa, o que não significa ser potável. Com muita matéria orgânica não vai conseguir sobreviver, pois não se trata de um mosquito que criou resistência. Em valetas, por exemplo, não se cria, assim como em canais ou em buracos de calçadas, que secam rapidamente, antes do ciclo se concluir. Todas as amostras confirmam que se desenvolveu em água parada e limpa.

Os agentes já encontraram focos em panelas destampadas, potinhos de cachorros, tampinhas de garrafas PET e até em baldinhos de praia de crianças. Portanto, todo o cuidado é pouco. Vasinhos de plantas também podem ser vilões, pela água depositada nos pratinhos.

Transmissão
A transmissão da dengue, da febre chikungunya e do vírus zika ocorre pela picada do Aedes aegypti. Ele tem em média menos de um centímetro de tamanho, é escuro e com riscos brancos nas patas, na cabeça e no corpo. O mosquito costuma ter sua circulação intensificada no verão, em virtude da combinação de temperatura mais quente e chuvas. Para se reproduzir, ele precisa de locais com água parada. Por isso, o cuidado para evitar a sua proliferação busca eliminar esses possíveis criadouros, impedindo o seu nascimento.

Existe um culpado?
Se existe um culpado, é a população, que não colabora no cuidado em suas casas. O chefe do Departamento de Vigilância Ambiental enfatiza que a o Poder Público faz a sua parte, mas lembra que todos os focos foram encontrados pela fiscalização em residências, por descuido dos moradores. A prefeitura tem 154 armadilhas espalhadas pela cidade, ou seja, locais onde coloca pneus cortados ao meio para propiciar condições ao desenvolvimento de larvas.

Além disso, são 316 Pontos Estratégicos (PEs), lugares que oferecem plenas condições ao desenvolvimento de larvas, onde são colocados larvicidas. O pneu é usado porque o mosquito deposita o ovo branco, que muda em seguida de cor, ficando preto. Por isso procura pneus. Lixões são PEs e como tal monitorados pelo município. O problema é que existe todo o tipo de descarte, inclusive de pneus e carcaças de produtos da linha branca (máquinas de lavar, geladeiras, entre outros), que se tornam criadouros em potencial. Um exemplo está na Estrada do Engenho. Em determinado ponto tem-se a impressão exata de que um caminhão despejou lixo doméstico, pela grande quantidade depositada em um lugar específico. Não há casas ali na volta para que seus moradores pudessem largar na rua seu lixo todos os dias e justificasse o tanto que tem lá.“A prefeitura faz sua parte. O que a gente precisa é que a população esteja conosco”, garante Kaster.

Morador da Estrada do Engenho, o motorista Fernando Pereira, 52, conta que na parte onde mora (mais próxima ao arroio, que realmente está limpa), todos fazem o trabalho de limpeza. “Faz um tempão que a prefeitura não vem aqui. Só passa caminhão do lixo. O resto a gente faz. Cada um cuida do que é seu”, diz. Ele não tem medo das doenças transmitidas pelo Aedes e justifica isso pelo fato de viajar pelo país todo e por ter um banhado no pátio de casa.

Números no Estado
Dados computados pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS) até o último dia 10 (esta semana não teve levantamento), indicam 630 casos suspeitos de dengue no Rio Grande do Sul, sendo seis casos importados confirmados. Na série histórica de 2010 a 2017, até a mesma semana de cada ano, observa-se que 2016 registrou o maior número de notificações, 4,1 vezes mais do que em 2017 até o momento.

Confira a situação:
Classificação                                      Casos                              %

Confirmados                                       6 (importados)                1
Inconclusivos                                      3                                      0
Descartados                                        469                                 74
Em investigação                                 152                                 24

Total notificados                                 630




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