Mortandade

Orla do Laranjal amanhece com milhares de peixes mortos

Animais podiam ser vistos por toda a orla; Patram disse que a causa só será determinada depois de análise laboratorial

19 de Abril de 2017 - 21h02 Corrigir A + A -
Durante a tarde os peixes estavam sendo retirados pela empresa que presta serviço de limpeza urbana à prefeitura (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Durante a tarde os peixes estavam sendo retirados pela empresa que presta serviço de limpeza urbana à prefeitura (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Peixes e águas-vivas surgiram na areia (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Peixes e águas-vivas surgiram na areia (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Quem passeava pela praia do Laranjal na manhã desta quarta-feira (19) se deparou com um cenário preocupante. Milhares de peixes mortos, de vários tamanhos e espécies, se encontravam em toda a extensão da orla. Águas-vivas também podiam ser vistas, o que é incomum para quem frequenta a região - ainda mais uma semana após a água da Lagoa dos Patos ter recuado, fenômeno inusitado que foi registrado pelo DP. Durante a tarde os peixes estavam sendo retirados pela empresa que presta serviço de limpeza urbana à prefeitura.

Segundo moradores, os peixes apareceram nas margens da Lagoa dos Patos nesta quarta, nas primeiras horas do dia. Dentre as espécies, era possível identificar peixes de água salgada como bagre e também os típicos de água doce, como pintado, mandí e biru - todos aparentavam estar mortos há algum tempo. Além disso, a reportagem também identificou a presença de pelo menos 25 águas-vivas. O estudante Diniz Ferreira, que caminhava pela orla com um grupo de amigos, relatou a surpresa ao ver a quantidade dos animais no local. Já o comerciante Diego Parada, morador que passeava com seu cachorro pela areia, não se sentiu surpreso. “É normal isso acontecer, até com maior quantidade”, lamentou.

Sobre o fenômeno, o ecólogo Matheus Vieira Volcan apontou a hipótese de que as chuvas que caíram na última semana podem ter carregado resquícios de pesticidas utilizados nas plantações próximas ao local, o que afeta a qualidade da água e, consequentemente, a fauna da lagoa. Ele ainda afirmou que como os peixes já estavam em estado de decomposição avançado, é provável que essas espécies já estivessem mortas há algum tempo. Mas reforça que essa é apenas uma hipótese, sendo necessário realizar uma análise para verificar o verdadeiro motivo. O comandante da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram), capitão André Avelino, também confirmou que uma resposta depende de análise laboratorial.

Nesta quarta-feira mesmo os peixes estavam sendo retirados. Segundo funcionário da Sersul Limpeza e Prestação, um grupo estava no local desde as 13h recolhendo os peixes. Até as 16h desta quarta os trabalhadores já haviam feito a limpeza de 700 metros da orla, do Shopping Mar de Dentro até a avenida Rio Grande do Sul.


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