Ensino

Escola em turno integral deve sair em 2018

Parceria entre a prefeitura e a UFPel pode transformar a Deogar Soares, no Dunas, em modelo para outras instituições no município

20 de Abril de 2017 - 07h30 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Escola Deogar Soares foi criada há 14 anos (Foto: Jô Folha - DP)

Escola Deogar Soares foi criada há 14 anos (Foto: Jô Folha - DP)

Atualmente são atendidos 545 alunos no local (Foto: Jô Folha - DP)

Atualmente são atendidos 545 alunos no local (Foto: Jô Folha - DP)

Professora há 30 anos, Nara Lisete Pereira, 56, não consegue esconder o orgulho enquanto circula pelos corredores da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jornalista Deogar Soares. Diretora desde a inauguração, há 14 anos, comemora que seja a comunidade do Dunas, na Zona Leste, a primeira a ter uma escola de turno integral, o que deve ocorrer a partir do ano que vem.

Para que isso ocorra, prefeitura e Universidade Federal de Pelotas (UFPel) caminham juntas. Enquanto a Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed) trabalha para cumprir um compromisso de campanha da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), de implantar o ensino em dois turnos nas escolas da cidade, a academia se associa ao sonho. E pensa além: quer fazer da Deogar Soares uma experiência para, no futuro, implantar o 17º Colégio de Aplicação do país na cidade.

O processo é lento. Tanto para o turno integral chegar ao Dunas quanto, principalmente, para a construção de uma escola da UFPel. Mas anda a passos firmes e que são o motivo dos sorrisos da diretora Nara. “Ter o turno integral, especialmente em um bairro visto com muita restrição por parte de muitas pessoas, vai ser uma experiência muito rica.”

Para que a Deogar Soares chegue em 2018 como a primeira escola pelotense de turno integral, este ano está sendo considerado pela Smed como tempo de pavimentação do caminho. A ideia é que, através de encontros entre direção e comunidade escolar, prefeitura e UFPel, se trace um diagnóstico completo da estrutura necessária. Afinal, o educandário conta hoje com uma boa estrutura para atender os atuais 545 alunos divididos em 24 turmas que vão da pré-escola ao nono ano. “Será preciso uma reestruturação, com adequação de alguns espaços, possivelmente algumas ampliações. Tudo isso ainda será definido através de diálogo com a comissão formada para discutir o tema”, explica o secretário Arthur Corrêa, da Smed.

Exemplo de envolvimento e cuidado

“Aqui pais, alunos e professores cuidam de todo o dia a dia da escola, inclusive discutindo as regras que devem ser seguidas”, conta Nara. Segundo ela, sempre foi assim, desde a inauguração. E tem dado certo. Dentro da Deogar Soares, o clima entre alunos, professores e pais é de absoluto respeito. Detalhes simples, como o “boa-tarde” escrito no quadro de avisos aos alunos, são exemplos de envolvimento. “O dia em que não colocamos no quadro, as crianças perguntam se há algo errado”, brinca uma funcionária.

Assessor especial de Programas e um dos interlocutores entre prefeitura, escola e UFPel, Sadi Sapper diz que, mesmo ainda não havendo uma definição de quais outras escolas seguirão o exemplo em breve, a iniciativa no Dunas é apenas o começo. “Não há como voltar atrás, o investimento em turno integral precisa acontecer. Se tudo der certo, queremos chegar a 2020 com pelo menos outras duas ou três escolas nesse modelo”, projeta.

No caso da Deogar Soares, como experiência inicial em 2018, não serão todas as turmas que terão aulas e atividades complementares em dois períodos. Apenas os alunos de pré a terceiro ano farão parte do projeto. “Isso já nos leva a crer na necessidade de novos espaços, como uma nova sala de apoio educacional, salas de dança e música e a conclusão do laboratório de informática”, afirma a diretora.

Onde entra a UFPel

Se o objetivo da prefeitura é colocar em prática um compromisso de campanha, também na universidade a ideia do turno integral faz parte das propostas que elegeram o reitor, Pedro Curi Hallal, empossado há pouco mais de 90 dias. A construção de um Colégio de Aplicação, o 17º do tipo no país, é o horizonte vislumbrado pela nova direção.

Batizado como Programa Institucional de Estudo e Implantação da Escola de Aplicação da UFPel (Piea), o projeto está em fase inicial de discussão dentro da instituição. Porém, um de seus primeiros frutos é justamente a parceria com o município para implantar o turno integral na Deogar Soares.

“Entraremos com o conhecimento para atuar em conjunto com os professores da escola, exercitando práticas que ajudem na inovação, na construção de um modelo que inspire sua expansão”, diz a professora Lúcia Maria Vaz Peres, que coordena o projeto de criação do Colégio de Aplicação. Na prática, significa dizer que educadores e alunos da UFPel se integrarão à vida escolar, levando conhecimento de áreas distintas, como agronomia, psicologia e todas as demais que tiverem projetos que possam contribuir com o ensino de crianças e jovens.

Nascida em março, a proposta de trabalhar a escola do Dunas como piloto tanto para o município quanto para o projeto da UFPel dará nesta quinta-feira (20) à tarde, na Deogar Soares, mais um passo. Uma visita da professora Lúcia à diretora Nara iniciará o processo de conhecimento da infraestrutura escolar e construção conjunta da proposta pedagógica. Todos os 44 professores e 16 funcionários da escola participarão do processo e também auxiliarão a UFPel na consolidação da proposta do Colégio de Aplicação.

A Deogar Soares

- Localizada no Loteamento Dunas, no Areal
- Inaugurada em 2003
- 545 alunos divididos em 24 turmas (manhã e tarde)
- 44 professores e 16 funcionários
- 12 salas de aula
- Quadra poliesportiva coberta
- Auditório
- Laboratório de Informática

O Colégio de Aplicação

Parte do plano administrativo da UFPel, o colégio é uma proposta da universidade para aproximar da comunidade o conhecimento acumulado pelos cursos de graduação através de uma proposta voltada ao Ensino Fundamental. Administrada pela instituição, a escola funciona também como porta de entrada não só para que estudantes universitários possam aplicar projetos e pesquisas, mas também para estimular a inovação na área educacional.

Ainda em fase inicial de discussões, o objetivo é que através da parceria com o piloto implantado na Escola Deogar Soares, o Colégio de Aplicação possa acumular experiência para se tornar realidade nos próximos anos, com uma sede própria.

Segundo a coordenadora do grupo que trabalha no projeto, Lúcia Maria Vaz Peres, já existe uma área que interessa à universidade. “Porém, ainda é cedo para falar sobre isso. Há muito a ser feito até que se consolide o projeto e passe pelos conselhos superiores. É um sonho que estamos trabalhando para realizar”, conclui.


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