Estilo
Memória

200 anos de Rheingantz

Por meio do empresário, a Zona Sul começou a desenvolver e a mostrar sua pujança plutonômica no setor agrícola

05 de Agosto de 2017 - 22h00 Corrigir A + A -
Foto mostra a casa do fundador da colônia de São Lourenço (Foto: Divulgação - DP)

Foto mostra a casa do fundador da colônia de São Lourenço (Foto: Divulgação - DP)

Monumento ao empresário na coxilha do Barão (Foto: Divulgação - DP)

Monumento ao empresário na coxilha do Barão (Foto: Divulgação - DP)

Por Carlos Guilherme Rheingantz (tetraneto)

O empresário Jacob Rheingantz trouxe, durante quatro décadas, um contingente enorme de gente que mudaria as feições econômicas da zona meridional da então Província do Rio Grande do Sul que só se ocupava com a pecuária. (Edilberto Luiz Hammes, março de 2017).

E foi graças a Rheingantz que nossa Zona Sul começou a desenvolver e a mostrar sua pujança plutonômica no setor agrícola. Trazendo milhares de colonos, especialmente da Pomerânia, num período que durou aproximadamente de 1858 a 1890, Jacob proporcionou a alavancagem do progresso, com a fundação da Colônia de São Lourenço que, à época, fazia parte do município pelotense. (Edilberto Luiz Hammes, março de 2017).

Antes da fundação da Colônia de São Lourenço, Jacob Rheingantz residira nas cidades de Rio Grande e de Pelotas, com carreira ascendente no comércio local por longos anos. Houve tentativas anteriores para a colonização da área escolhida por Rheingantz e Guimarães, tanto por iniciativa privada como provincial. Com a fundação da Associação Auxiliadora da Colonização de Estrangeiros, em Pelotas - 1850, houve apoio aos imigrantes irlandeses que fundaram as colônias Dom Pedro II e Monte Bonito, pouco depois por eles abandonadas. (Moacir Böhlke, 2003)

Ainda em 1848, Jacob casou-se com uma enteada de seu patrão, Maria Carolina Von Fella (nascida a bordo de uma fragata dinamarquesa ao entrar na barra de Rio Grande, em novembro de 1829), filha legítima e única dos irlandeses barão Carlos Adams Von Fella (morreu afogado) e Joanna Hillert Martin. Tiveram dez filhos, o primeiro batizado de Carlos Guilherme Rheingantz (nascido em abril de 1849) que, mais tarde, fundou a primeira confecção brasileira - conhecida internacionalmente como União Fabril, seus produtos com a marca Rheingantz.

Reno e Moselle
Jacob Rheingantz nasceu no dia 10 de agosto de 1817 na pequena aldeia alemã de Sponheim, então pertencente à Prússia Renana. A família Rheingantz, antes Rheingans, passou a ser conhecida, a partir do ano de 1570, na Rhenania, Bacharach, Steeg, Rheinböllen e Sponheim, região compreendida entre os cursos dos rios Reno e Moselle. Empreendedores, no Brasil seu precursor foi Jacob Rheingantz e alguns de seus descendentes diretos foram industrialistas, agropecuaristas, comerciantes e políticos destacados, exercendo importante papel na evolução econômica e política gaúcha e brasileira.

A Colônia de São Lourenço, fundada em 1858 por Jacob Rheingantz na Serra dos Tapes, à margem do rio Camaquã, município de Pelotas, Rio Grande do Sul, desenvolveu-se crescendo e prosperando até atingir sua autonomia sob a forma de município, única e exclusivamente sob a administração privada. A dedicação de Jacob ao projeto foi muito importante, do seu ponto de vista a colônia não era apenas uma iniciativa comercial destinada a proporcionar, no futuro, lucros, mas uma obra que realizaria, transformando uma região bruta e agreste num centro humano de atividade produtora, facultando a semelhantes seus a oportunidade de erguer um lar fecundado pelo trabalho num solo que viria a ser deles.

Sociedade
Em 1857 Jacob Rheingantz formou uma sociedade com José Antônio Oliveira Guimarães, luso-brasileiro muito rico e morador à margem esquerda do rio São Lourenço que já havia doado 1/8 de légua para a construção de um vilarejo no litoral de São Lourenço em 1850. Nessa sociedade, visando estabelecer uma colônia agrícola na Serra dos Tapes, num contrato com a duração de cinco anos sujeito a prorrogação se interessante aos dois sócios, Oliveira Guimarães compraria tais terras entre os arroios Grande e São Lourenço, prepararia com antecedência grande quantidade de agasalhos para quando os colonos chegassem, assim como o seu transporte do porto até a colônia, além de abastecê-los com bovinos, ovinos e aves para criação podendo, ainda, tirar o dinheiro a prêmio para as medições das terras compradas e sua subdivisão.

A Rheingantz caberia o encaminhamento dos colonos, por meios legais, para os estabelecimentos coloniais da sociedade, abastecendo-os de comestíveis e ferramentas agrícolas por seis meses a contar de sua chegada ao porto. (Eduardo Yepsen, 2008)

Inicialmente pensou Jacob em formar uma empresa colonizadora, com participação de outros sócios para formar o capital necessário. Não conseguindo formar a sociedade que imaginara, decidiu-se Jacob a levar adiante sua empresa individualmente, com seus próprios e exclusivos recursos.

A 18 de janeiro de 1858 chegam os primeiros colonos, 88 pessoas embarcadas no Twee Vrieden, em Hamburgo a 31 de outubro de 1857, instalando-se nas picadas dos Moinhos e de São Lourenço, onde tudo era mata virgem dotada de madeiras de lei.

Coube a Jacob Rheingantz tomar as providências para que não fracassem seus esforços. A cada colono competia uma área de 100 braças de frente por mil de fundo, salvo quando na condição topográfica do terreno não fosse permitido tal extensão. Emprestava dinheiro particular para os colonos, devidamente documentado.

Das diversas empresas de colonização no Brasil, somente uma iniciativa não malogrou: a colônia de São Lourenço. Jacob dominou todos seus atos e iniciativas com a preocupação pelo empreendimento, como o bem-estar e a satisfação dos colonos, revelada nas concessões que lhes fez em numerosas ocasiões, pelos auxílios generosos com que favoreceu a criação de escolas e igrejas na colônia e, desde o início, na construção de sua mansão familiar, a casa de sua residência, no seio da própria colônia, para estar no centro de sua obra acompanhando, de perto, o seu crescimento.

O coração o matou de forma fulminante, aos 60 anos, quando se encontrava caminhando pelas ruas da cidade de Hamburgo à procura de novos braços de trabalho para o progresso do Brasil. (E.L. Hammes, março de 2017).

Bibliografia
Jacob Rheingantz, fundador da Colônia de São Lourenço, seus ascendentes e descendentes -
por seu bisneto Carlos Grandmasson Rheingantz, Revista Genealógica Brasileira, 1941, nº 4.
A Colônia de São Lourenço e seu Fundador Jacob Rheingantz - Vivaldo Coaracy, Oficinas Gráficas Saraiva S.A., 1957.
Colônia de São Lourenço - comendador Carlos Guilherme Rheingantz, 1907
(edições em alemão e português)
A Imigração Alemã para São Lourenço do Sul - Edilberto Luiz Hammes, 2014

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados