Estilo
Crônica

Um dia pra se falar de amor

12 de Agosto de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Lisiani Rotta
lisirotta@hotmail.com

Gostos são gostos, algo que não se discute. Não se trata de desfeita com quem gosta do que você não gosta. A ideia não é ofender quem sente diferente de você. Minha irmã, por exemplo, ama Fábio Junior. Já me fez ir a um show, na primeira fila, e registrar cada momento. Meu filho, numa prova de amor incondicional à tia, encarou a fila quilométrica de mulheres histéricas que se acotovelavam em frente ao camarim, pra conseguir fotinho autografada pra ela.

Quando há festa aqui em casa, pelo menos duas músicas do F.J. tem que ter, pra ela pirar na pista. A gente se diverte muito vendo o quanto ela vibra. Não há vez que toque Fábio Júnior que alguém não berre o nome dela. Respeito muito o trabalho do artista talentoso, premiadíssimo, sério e comprometido que ele é. Mas, definitivamente, não é o tipo de música que vai pra minha playlist. Porém, quando ele canta Pai, música que interpreta divinamente, eu caio em prantos. Gente! Que música que me toca! Que coisa mais linda! A primeira vez que ouvi pensei que ia morrer chorando. Lembram da letra?

... Pai, eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz.

Se esta letra maravilhosa não diz nada a você, seja qual for o seu gosto, então você não é pai. Quem pôs alguém no mundo e sentiu vontade de congelar o filho na infância ou até mesmo gritou aos quatro ventos:

“Não cresça por favor!”

Talvez entenda essa culpa inconsciente do filho ao se tornar um adulto com ideias próprias. A insegurança, o medo de não corresponder à expectativa paterna em briga com a vontade de se tornar quem de fato ele é. A saudade do amor explícito e espontâneo da infância, duelando com a busca da individualidade e da independência. A vontade do colo e a sede de liberdade. O doloroso corte do cordão umbilical. A hora de alçar voo ao seu próprio encontro.

A maturidade traz isso de bom. A compreensão da vida pelo conhecimento de ambos os papéis. A quebra de expectativas a favor da expansão da mente. O entendimento de que, antes de sermos pais ou filhos somos almas únicas, repletas de vivências e sonhos muito particulares.

O único comportamento que, acredito, seja comum a todos os pais é a vontade de ser o melhor do mundo para cada um dos seus filhos. O único comportamento, acredito, comum a todos nós, filhos, é o profundo desejo de que nossos pais saibam o quanto somos gratos.

Pai, obrigada pelos livros que lemos, pelas músicas que ouvimos, pelas longas conversas em volta da mesa, pelos momentos que compartilhamos, pelo tempo que dedicaste a mim. O teu amor e o teu cuidado me tornaram quem hoje sou. Uma pessoa do bem, livre e muito, muito grata. Obrigada pelas minhas asas. Te amo. Feliz Dia dos Pais!

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