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Porto Memória

12 de Agosto de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Guilherme Almeida - pesquisador do Almanaque do Bicentenário de Pelotas

Conforme Ester Gutierrez, constavam do inventário de Domingos Rodrigues, aberto em 1818 por sua esposa, uma “morada de casas térreas de vivenda coberta de telha e paredes de tijolos forradas e assoalhadas”, na qual residia a família; um armazém de despejo, próximo da residência e em semelhante arquitetura - porém ladrilhado - e um galpão da charqueada, coberto de palha, contendo objetos de lida campeira e navais. Em sua residência - sobrado edificado por volta de 1784 - Domingos dispunha de seis escravas, e mantinha mais 42 cativos no serviço em seu saladeiro. Outros seis marinheiros servis atendiam seu iate Marquês do Alegre e os seus bergantins (veleiro de dois mastros com velas latinas triangulares; bragantim) São José e Triunfo da Inveja. Possuía também duas datas de terras na Serra dos Tapes, também atendidas por seus escravos.

Domingos Rodrigues e sua esposa Maria Luzia Ferminiana do Pilar tiveram três filhos, herdeiros: João Rodrigues Ribas, Domingos Rodrigues Ribas e Cecília Ferminiana. Os dois varões possuiriam muitos terrenos urbanos, sendo a maior parte correspondente àquelas terras, sua futura herança. Estas eram compreendidas nos limites da rua Dom Pedro II, a norte, rua Almirante Barroso, a oeste, canal São Gonçalo, a sul, e rua João Pessoa, a leste.

Os limites dessa propriedade conformavam linhas inclinadas em relação ao traçado original da freguesia, que por sua vez já fora proposto angulado em relação aos limites das terras de Antônio Francisco dos Anjos, núcleo da urbanização da cidade. Porém, quando da urbanização dos terrenos de Domingos, assim como dos restantes de Mariana Eufrásia da Silveira (na década de 1830), foi continuada a orientação da retícula daquele núcleo, garantindo à zona sul da cidade tecido urbano harmônico.

Em 1832, com a elevação da freguesia à condição de Vila de São Francisco de Paula e a criação da Câmara de Vereadores, uma das primeiras medidas tomadas pelos edis foi a proibição das construções em uma faixa de 22m nas margens do Canal São Gonçalo. No trecho foi construído um trapiche de madeira para atracação das embarcações. Em abril do ano seguinte, foi proibida a venda “por miúdo” de quaisquer gêneros comestíveis após 48h da abertura das escotilhas e da exposição - previamente autorizada pelo fiscal competente - de tais produtos. (Continua...)

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Planta da Cidade de Pelotas, 1835. Detalhe da Zona Sul. Acervo Bibliothèque Nationale de France.

Você sabia?
►Que são 14 os municípios que geram a madeira para o transporte através da hidrovia no projeto do Terminal de Toras do Porto de Pelotas: Aceguá, Arroio Grande, Bagé, Candiota, Capão do Leão, Cerrito, Herval, Hulha Negra, Jaguarão, Pedras Altas, Pedro Osório, Pinheiro Machado, Piratini e Rio Grande?

►Que o acervo da exposição Simões Lopes Neto - onde não chega o olhar prossegue o pensamento, que no ano passado mostrou uma ampla visão da trajetória do escritor, está agora disponível para visitação no Instituto João Simões Lopes Neto, em Pelotas?

►Que a galeria a céu aberto do projeto Arte no Muro foi pit-stop no passeio ciclístico alusivo aos 50 anos da Rádio Universidade (RU)? Equipes da Sagres recepcionaram os participantes com frutas e água para hidratação dos ciclistas.

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