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Crônica

Uma ideia para Lieserl

09 de Setembro de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Thais Russomano

Ideia, substantivo feminino, com dois significados: representação mental de algo concreto ou abstrato e definição de alguma coisa que se tem conhecimento. Assim, a evolução da humanidade se baseia em ideias - ideias que inovam, ideias que revolucionam.

A história está repleta de exemplos. Alguns são fictícios, mas alcançaram tanta notoriedade que se atreveram a cruzar a linha divisória entre lendas e fatos reais. Uma delas é a maçã de Newton. A versão na qual ele estava sentado sob uma macieira, quando uma fruta caiu na sua cabeça não é verdadeira. Ele apenas considerou que a força que faria uma maçã cair seria a mesma que mantinha a Lua orbitando a Terra.

No livro de Marie Benedict sobre a Senhora Einstein, ela conta como a ideia da relatividade surgiu. Mileva, a esposa de Albert, logo após a morte da primogênita Lieserl, estava numa estação, quando lhe ocorreu uma ideia: “Se o trem viajasse acima da velocidade da luz, ela poderia voltar no tempo - e então rever sua filha ainda viva”. Nascia aqui a Relatividade, onde espaço-tempo é uma entidade unificada.

Será isso verdade? Como com Newton, fato e ficção se misturam. No entanto, sempre pareceu real a intenção de Mileva de homenagear a filha no artigo de 1905 sobre a relatividade, no qual ela deveria ser coautora.

Einstein, porém, acabou como único autor e recebeu sozinho todas as glórias. Mileva sofreu duplamente: pela falta de reconhecimento público e pela omissão da homenagem à filha. Para ela, a morte prematura de Lieserl foi o que inspirara a ideia que mudaria para sempre a percepção da humanidade sobre o binômio espaço-tempo. E essa seria uma forma de imortalizar a filha, de tê-la sempre viva, algo talvez melhor do que viajar acima da velocidade da luz!

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