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Centenário de um patrimônio

Programação intensa, que começa neste mês, marcará as comemorações dos cem anos do Conservatório da UFPel

09 de Setembro de 2017 - 12h00 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

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Entidade ocupa o mesmo prédio desde a fundação em 1918 (Foto: Gabriel Huth)

Prestes a completar 99 anos, o Conservatório de Música de Universidade Federal de Pelotas (UFPel) marca neste mês o início das comemorações do centenário da entidade. Dia 18, data do aniversário, os professores dos cursos de Música da Universidade farão recital em uma cerimônia comemorativa em que será firmada parceria com o Sesc-RS e lançada a campanha para a aquisição das cadeiras do Salão Milton de Lemos, que começa a ser restaurado. O evento ocorrerá no Salão Nobre da Bibliotheca Pública Pelotense, a partir das 19h30min.

Fundado em 4 de junho de 1918 e inaugurado oficialmente em 18 de setembro do mesmo ano, o Conservatório formalizou o ensino da música no município, além de se converter em um espaço de acesso a esta arte. Desde o início as atividades ocorreram no prédio da rua Félix da Cunha, 651, onde funciona até hoje.

A entidade nasceu privada, mas foi municipalizada em 1937 e incorporada à UFPel em 1984. Em 2004 a entidade foi reconhecida pela Assembleia Legislativa como Patrimônio Cultural do Estado. Há quatro anos o Conservatório de Música foi transformado em órgão suplementar pertencente ao Centro de Artes da Universidade.

Hoje destinada a atender toda a atividade extensionista da Música, a parte superior do prédio da Félix da Cunha é considerada pequena para o tamanho da demanda. O espaço abriga aproximadamente 200 alunos inscritos nos cursos de Canto, Flauta, Piano, Violão, Violino, Sax, Acordeom, Guitarra, Trompete, Teclado e Regência, além do coral infantil. O público é variado e para se inscrever não há necessidade de conhecimento prévio.

O ecletismo também está presente nos cursos de bacharelado, que hoje não buscam só a formação clássica. “Hoje se tem um convívio muito bom de estéticas diferentes nos cursos. Não estamos fechados, o que abre um leque para que os alunos passem por uma experiência musical positiva”, argumenta o professor Márcio de Souza, um dos responsáveis pelas atividades comemorativas.

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Professor Márcio Souza diz que se tem um convívio
muito bom de estéticas diferentes no curso (Foto: Paulo Rossi0

De volta ao Salão
Apesar da atual destinação, o Conservatório também acolhe algumas aulas do bacharelado. “Aqui é um espaço muito bom até em termos de acústica. Nosso plano é ampliar os cursos de Extensão, claro que para isso precisaríamos ter todo o prédio”, fala a diretora e professora Leonora Oxley Rodrigues.

Nos últimos cinco anos, a interdição do Salão Milton de Lemos, o auditório do prédio, onde ocorriam os recitais, ensaios e aulas, tem dificultado a realização de algumas atividades. Desde 2016 os recitais estão sendo realizados na Bibliotheca Pública Pelotense. “Nossa maior dificuldade é a falta do auditório, é aqui que os alunos fazem o amadurecimento de ir ao palco. Agora estamos sujeitos à agenda da Bibliotheca.”

O auditório, fechado por falta de condições do piso de madeira, começa a passar por processo de requalificação. “Essa é uma sala elogiada por concertistas e estamos fazendo todo o empenho para comemorar os 100 anos com o prédio a pleno”, diz o professor Souza.

Além do restauro do piso, a sala irá receber novos layout e mobiliário. Na cerimônia do dia 18 será lançado oficialmente o projeto de doação das novas cadeiras. O mobiliário escolhido é especialmente confeccionado para este tipo de uso de forma que não interfira na acústica. “É a mesma cadeira utilizada na sala São Paulo”, antecipa a servidora Eliane Brum Machado.

São 215 cadeiras com custo total de R$ 187.703,75, mais os 20% do produtor cultural. Cada cadeira custará pouco mais de R$ 1 mil para o comprador/doador que será homenageado com placa em seu nome aplicada na mobília.

Inspira vocações
Formado no segundo semestre do ano passado, o pianista Tomás Storino, 28, mantém o vínculo com a entidade ministrando aulas na Extensão, atividade que desenvolve desde 2013, um ano depois de começar a graduação. “Como já tinha formação anterior pude dar aulas”, explica o instrumentista que começou os estudos no piano ainda criança na Escola de Belas Artes de Rio Grande, onde nasceu.

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Pianista Tomás Storino gostou da experiência de dar aulas e pretende seguir no magistério (Foto: Paulo Rossi)

Com grande carinho pelo Conservatório, Storino diz que se sente em casa no prédio da Félix da Cunha. O local também tem outra grande importância na sua vida: foi ali que descobriu que tinha vocação para ser professor. “O pessoal diz que tenho jeito, que sou calmo”, comenta.

O pianista leciona duas vezes por semana a uma clientela eclética que vai dos 11 aos 70 anos. A atividade estimula o desejo de fazer mestrado e doutorado e continuar na profissão não só como músico, mas também como professor.

Inscrito em seleção para mestrado, se tudo der certo no final do ano o pianista deve se despedir de Pelotas e do Conservatório. “Vou sentir falta, espero sempre voltar aqui e com o Salão voltando a funcionar, espero que me convidem para um recital.”

Parceria com o Sesc
Outra novidade comemorada pela direção do Conservatório será a parceria com o Sesc, correalizador das atividades comemorativas, que entre outras atividades irá homenagear a entidade pelotense durante o 8º Festival Internacional Sesc de Música, realizado em janeiro. O gerente de Cultura do Sesc-RS, Sílvio Alves Bento, diz que é importante fazer essa distinção por ser uma data tão significativa. “Precisamos dar essa importância a essa entidade local, que é parceira, por meio da UFPel, com todo o histórico de formação de profissionais.”

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Cursos de extensão dominam as atividades da entidade (Foto: Paulo Rossi)

A partir deste mês até setembro de 2018 duas atividades por mês irão lembrar o aniversário. “O Sesc será parceiro nestes recitais levando músicos”, confirma o gerente. Neste dia 18 será assinado termo de parceria e também um acordo de cooperação técnica entre Sesc e UFPel em outras áreas.

Sílvio Bento adianta que durante o Festival Internacional Sesc de Música está programada uma exposição didática, com imagens e textos, contando a trajetória do Conservatório, no Mercado Central. O projeto Sesc Partituras, realizado em quatro edições ao longo do ano em cidades diferentes, será concentrado em Pelotas. “É uma maneira de fortalecer a ação na cidade que tem público que prestigia e gosta da música de concerto”, fala Bento.

Para o público
Neste mês ainda está programado recital dos alunos no dia 22. Em outubro, o 1º Simpósio Internacional de Música e Crítica e o 1º Encontro de Sopros e, em novembro, o 1º Encontro de Corais, na Catedral, e a apresentação do Coral Infanto-Juvenil e do Grupo de Violões (Gruvi). Toda a programação será divulgada com detalhes nas próximas semanas.

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