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Manoela Amália, uma história de amor eterno

11 de Novembro de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Joari Reis

As pessoas que me conhecem sabem que não sou dado a presentes. Não desgosto de perfumes e livros. Em meu aniversário ganhei um livro maravilhoso, escrito por um pelotense que acho conhecer de vista, sem ter ido além disto. Acho que ele não me conhece, nem dos tempos universitários. Porém, após ler sua pesquisa que engloba pessoas que viveram no século 19, eu só tenho de louvar seu trabalho gigantesco de recolher e confrontar informações, lhe dar os mais sinceros parabéns. O livro não tem mistérios, é um mistério só. Sua heroína morreu e seus ossos foram incinerados. O livro não tem enredo, mas sempre desejamos passar à próxima página. O livro tem gravuras, velhas fotografias, registros de um tempo que não volta mais.

O livro que li, publicado pela Chiado Editora, de Portugal, é sobre Pelotas, a gente de Pelotas de outro tempo, tem o ar de Pelotas, o arroio e seu trajeto até o rio Camaquã. O livro chama-se O mundo de Manoela Amália, a noiva de Garibaldi; o Garibaldi, jovem de seus 30 anos, louro e esbelto, conheceu Manoela Amália numa casa de Bento Gonçalves, num baile no final de 1838. Manoela era loura de olhos azuis, bela e recatada. A jovem chamou a atenção do aventureiro e correspondeu. Ali um amor nasceu e não cresceu, porém, dele Manoela jamais esqueceu. Enclausurada em sua casa em Pelotas, Manoela alimenta um desejo jamais realizado. Todos conhecem Manoela como a noiva de Garibaldi, isto até o dia de sua morte no janeiro de 1903. Se pudesse fazer o tempo voltar, gostaria imensamente de ver e beijar as mãos daquela mulher tão romântica e apaixonada.

Anos depois subi as escadas do Memorial Vittório Emanuelle, Roma, e vi um fantástico museu sobre o Herói de Dois Mundos que fez a Guerra dos Farrapos, além de unificar os paezze italianos. Por isso recebeu tantas honrarias, suas medalhas estão lá, armas e espadas, suas fardas, chapéus e até a roupa de baixo. O museu nos deixa estimulados, vibrantes em saber que um herói de verdade viveu a luta ao lado dos gaúchos. Ele que levou um lanchão sobre os verdes gramados até chegar à água maior.  O livro também é sobre nossa história, nossos homens e mulheres, dos escravos vendidos como mercadoria.

Nossos jovens que morreram por tuberculose ou tísica, homens que buscavam fortuna através das hipotecas, dinheiro falso e dívidas não pagas. Mulheres de muitos filhos, muitos deles morrendo antes da adolescência.

Obrigado Pedro Luiz Brum Fickel pelo exaustivo trabalho, pela coragem e verdade que há nele. Pelo romance que continua vivo, por um amor não consumado.

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