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Do empório ao bistrô

Depois de serem novidades, diversas gourmeterias da cidade transformaram-se em bares e restaurantes

07 de Janeiro de 2017 - 15h00 Corrigir A + A -

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O ano de 2014 foi marcado pelo surgimento de várias lojas dedicadas à venda de produtos gourmet. As chamadas delicatessens ou gourmeterias apresentaram-se como uma sensação na cidade e, gradativamente, passaram por mudanças, sendo que algumas transformaram-se em bares e restaurantes.

Os estabelecimentos, como Aromata, Bodega e Casa Bender, estão completando três anos de atividades em Pelotas. Os três não são os mesmos do início. Juliano Kruger, um dos proprietários, explica que houve uma popularização dos alimentos selecionados por sua qualidade superior.

O fato de várias lojas comercializarem os mesmos produtos gerou concorrência. Além da Genovese, que, sem questionamentos, é a mais antiga, outros negócios inauguraram logo na sequência de 2014 e 2015, como a Banca 51, o Mucho Gusto e, recentemente, o Armazém Maciel.

Fora as diferentes opções para o consumidor, este foi surpreendido com a possibilidade de adquirir os mesmos rótulos nos supermercados. “Quando abrimos a Aromata foi preciso correr para conseguir os produtos, apenas nós vendíamos. Precisei ir para Porto Alegre, obter cada um deles para identificar as importadoras e, em seguida, entrar em contato. Hoje tem vendedores das marcas até em Pelotas. Mudou muito”, relata Juliano.

O cenário, somado à crise do último ano, fez com que o poder de compra do brasileiro diminuísse. O corte de gastos foi direcionado para o que pode ser considerado supérfluo. Ao invés de adquirir uma massa ou um molho de tomate de uma delicatessen, o cliente vai no mercado e pega um básico. São economias esperadas.

O dólar foi outro fator que pesou no gerenciamento das gourmeterias. Os importados tiveram um considerável aumento de preço. Segundo Fabrício Bender Pereira, a alternativa foi valorizar os produtos locais e nacionais, até porque há muito insumo de boa procedência sendo produzido na região.”O cliente busca qualidade, que pode ser de produtos de Pelotas ou da Espanha”, argumenta. 

No geral, pelo menos três redutos gastronômicos passaram por adaptações: a Casa Bender expandiu seu armazém ao inaugurar uma choperia, a Aromata reduziu o espaço da delicatessen para privilegiar o bistrô e a Bodega 974 aboliu os produtos gourmet para se firmar exclusivamente como restaurante.

Aromata

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Juliano Kruger assumiu a cozinha e oferece pratos sofisticados (Foto: Carlos Queiroz)

Desde a inauguração, a Aromata ostenta em néon, na sua fachada, a proposta de ser uma gourmeteria e um bistrô. As portas do estabelecimento na rua General Osório, 1.257, foram abertas, inicialmente, para a loja de produtos gourmet. Durante mais de dois anos, o negócio deu muito certo e não foi possível colocar em prática a ideia do restaurante. 

O contato direto com os clientes incentivou o casal proprietário Juliano e Gabriela Kruger a investir na segunda etapa do projeto. Surgiram os primeiros convites para realizar eventos. Juliano é cozinheiro de mão-cheia e ficou responsável por jantares para até 200 pessoas.

Frente ao mercado em queda, a Aromata mudou de foco. Não houve uma transição. A loja fechou por duas semanas e, no dia 8 de outubro do ano passado, abriu como bistrô, utilizando o deck na frente da casa e as duas primeiras peças do interior para acomodar o público. A gourmeteria acabou concentrada em um terceiro ambiente.

O deck na varanda com suas mesas e as cadeiras já existia, aguardando a utilização quando o bistrô fosse colocado em prática. Na mudança foram realocados os móveis, mantendo o charme marcante da Aromata, e construído uma cozinha, nos fundos da casa.

Durante o verão, a aposta é no happy hour, a partir das 18h, com chope, clericot, espumante e petiscos, como bruschettas e cogumelos recheados. O cardápio também inclui pratos à la carte, além de um menu completo servido nos finais de semana, obedecendo o movimento da slow food. Sábados serve-se almoço com prato especial do dia.

A procura pela loja segue e, agora, vale também de estoque para o próprio restaurante, que utiliza em suas receitas os produtos.

Casa Bende

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Fabrício atendeu uma demanda do público e atualmente mantém dois estabelecimentos sob o nome de Casa Bender . (Foto: Carlos Queiroz)


De um lado, o armazém. De outro, o bar. A Casa Bender ocupa não apenas uma esquina, mas duas no cruzamento das ruas General Osório e Rafael Pinto Bandeira. Desde sua inauguração, há dois anos, o empreendimento de Fabrício Bender Pereira tem oferecido novidades para os frequentadores.

A concepção inicial aliava duas paixões do proprietário: gastronomia e antiguidades. A união de produtos gourmet com objetos e móveis do passado resgatou o que era chamado de armazém de secos e molhados, uma venda pequena que oferecia de tudo um pouco, desde pães, queijos e azeites até vinhos e cervejas artesanais.

Sob solicitação do público, o dono do empório criou alguns espaços dentro da casa para que as pessoas pudessem degustar de tábuas de frios ou sanduíches especiais. A resposta superou as expectativas: o happy hour tornou-se disputado no local, principalmente nas mesas na calçada.

A fim de separar as duas propostas, Fabrício ocupou mais uma casa de esquina com o que chama de Espaço de Convivência. Na verdade, é um bar que tem como objetivo promover a interação entre os frequentadores. Por este motivo, foram substituídas as mesas individuais por balcões, possibilitando que aconteça essa troca de ideias.

Assim como o armazém, a segunda casa é pequena, com capacidade de 48 pessoas. Porém, esse número dobrou quando foi inaugurado recentemente o deck na rua, com autorização da prefeitura. Até mesmo nesse novo espaço ocorre uma interação entre aqueles que compartilham do extenso banco comunitário.

Fabrício apostou e investiu em seu negócio. Em breve, um novo local ao ar livre, nos fundos da choperia, deve ser aberto ao público. “É preciso apresentar, de tempos em tempos, novidades”, acredita. O cardápio, por exemplo, varia a cada dia, mantendo a batata rústica com maionese caseira e as clássicas tábuas de frios.

Tudo isso acontece mediante um intercâmbio entre as duas casas Bender. Os produtos do armazém são utilizados como ingredientes na cozinha do bar e os clientes da choperia, além de provar os ingredientes especiais, tornam-se clientes da mercearia. “Melhorou as vendas de lá, inclusive”, declara.

Bodega 974

           bodega - divulgacao                 bodega - credito laureano bittencourt

Keka Pinto Ferreira e Fabrício Coelho comandam o encantador restaurante 


A transformação da Bodega 974 ocorreu naturalmente - e muito influenciada pelos próprios clientes. A semente foi plantada quando os proprietários Keka Pinto Ferreira e Fabrício Coelho inauguraram o primeiro deck de rua na cidade, no dia 11 de outubro de 2015. Antes disso, a casa funcionava apenas como delicatessen, tendo um pequeno espaço para realizar lanches rápidos. 

Com o deck, veio a possibilidade de expandir o momento de happy hour. A dupla conta que, no primeiro dia, o movimento foi surpreendente e não demorou para que o horário de encerramento fosse ampliado das 20h30min para as 23h30min. Permaneceu assim durante todo o verão.

Quando as temperaturas diminuíram, os frequentadores da Bodega passaram a perguntar se teria mesas no interior da casa. Desta forma, a loja acabou dividindo espaço com restaurante. Primeiro foi desmontada a sala dos vinhos, depois a sala dos embutidos, e por fim a sala da frente, onde os últimos produtos do estoque foram colocados sobre uma grande mesa para liquidação.

Após um ano e meio de gourmeteria, a Bodega 974 transformou-se definitivamente em restaurante, oferecendo entradas, sanduíches, pizzas, cortes de entrecot e um “prato do dia”. “Os clientes nos levaram a acabar com a loja e ficar somente com o restaurante. Como a casa é pequena, não tinha como manter os dois”, explica a dona.

No dia 30 de março a Bodega completa três anos de atividades na gastronomia. “A delicatessen deu certo, mas o público estava mais interessado no restaurante”, acredita. Keka e Fabrício continuam a utilizar os produtos gourmet dos antigos fornecedores, como queijos, embutidos, vinhos e azeites, em suas receitas.

Como a Bodega não foi planejada para ser um restaurante, o seu interior não apresenta um grande salão. “É um lugar mais intimista, com a cara de casa mesmo. É privado e aconchegante”, define Keka. O espaço interno acomoda 30 pessoas, além do deck. Fica na rua 15 de Novembro, 974.

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