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Porto Memória

Adeus festivo

17 de Fevereiro de 2017 - 11h08 Corrigir A + A -

Por: Guilherme Almeida - colunaportomemoria@gmail.com

Na terça-feira, 15 de fevereiro de 1876, o Tampico foi desamarrado do cais do Porto de Pelotas, para logo atracar no trapiche da charqueada de Heleodoro de Azevedo e Souza, imediatamente vizinha àquele. Começaria a carregar charque deste estabelecimento saladeiril - “sem dúvida o primeiro em seu gênero” que possuía então a cidade, “pela regularidade e perfeição com que está montado” - no dia 17, quinta-feira, com destino a Pernambuco; exportação a cargo de Antônio José da Silva Maia.

A imprensa anunciava o “lindo festejo” programado para ali ocorrer, no qual tomariam parte as “pessoas mais gradas” da cidade. Em nome do proprietário, informava que o acesso seria, porém, franqueado a quem desejasse prestigiar. O evento começaria às 11h, contando com trilha sonora das “mais elegantes peças” da banda Lyra Pelotense, muitas girândolas de foguetes e farto “lunch”.

A charqueada, administrada por pai e filho, teve sua cancha (espaço por onde o boi era arrastado antes de ser morto e esfolado) “convertida momentaneamente em um amplo salão, com duas ordens de cadeiras”. As embarcações fundeadas no São Gonçalo estavam, em sua maioria, lindamente embandeiradas, especialmente os dois iates do senhor Heleodoro. Após instantes de confraternização em solo, rumaram os convivas para bordo do navio, enchendo-o “de popa à proa”.

Sobre a coberta de câmara do Tampico, protegida por um toldo, encontrava-se “uma imensidade de doces e líquidos, frutas e diferentes iguarias, tudo adornado de flores e disposto com o mais esmerado gosto”. O capitão do navio foi presenteado com uma bandeira norte-americana, “primorosamente bordada” pela família Mendonça.

O carregamento foi revestido de grande cerimônia; verdadeiro ritual, pleno de significado. Descobriu-se uma das pilhas de charque, pesando-se certa quantidade de mantas. Completo o peso, solenemente, a primeira e simbólica manta de charque foi atirada ao convés pelo Visconde da Graça. A segunda, pelo senhor Antônio J. S. Maia, a seguir imitado por muitos outros cavalheiros. Falas empolgadas entremeavam os arremessos. Já à mesa, seguiram-se entusiásticos brindes e mais discursos, destacando-se o brinde de honra do anfitrião, dado “ao progresso pelotense”.

O Tampico deixaria Pelotas em 23 de fevereiro, às 7h da manhã, transpondo a Barra de São Pedro somente em 2 de março de 1876. Aproximadamente nove anos depois do Tampico, a importante charqueada de Heleodoro seria honrada com duas visitas da Princesa Isabel (outro fato digno de muitas festividades), como será visto adiante. Nos limites daquela antiga faixa de terra, alongada no sentido Noroeste-Sudeste, seriam futuramente edificadas a antiga fábrica Fiação e Tecidos Pelotense e a antiga Estação Pelotas-Fluvial da Companhia Ferro-Carril e Cais de Pelotas, entre outros prédios, após sua transformação em área urbana loteada.

Você Sabia?
►Que o processo de revitalização da orla portuária prossegue com a recuperação das fachadas do antigo Armazém São Francisco e prédio administrativo, no Terminal de Toras do Porto de Pelotas, e que até o começo de março o restauro das fachadas estará finalizado?

►Que para a Celulose Riograndense as Áreas de Preservação Permanente (APPs) são mais do que uma questão legal, são um conceito integrado à missão, aos valores e a sua política florestal e que hoje se somam 154 mil hectares?

►Que os coletivos culturais que atuam na região do Porto estarão levando a partir de março oficinas a seis escolas da rede municipal, com diversos temas e segmentos artísticos, esportivos e educacionais?

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