Estilo
Crônica

Autossabotagem

18 de Março de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Laila Palazzo -  lailapalazzo@gmail.com

A inércia não é só um princípio da física, ela age sobre nossos estados emocionais tal qual Newton descreveu quando criou a sua primeira lei: quando nos movimentamos em uma determinada direção, a tendência é nos mantermos naquela trajetória, com a mesma velocidade.

Falar desse ritmo me faz lembrar das vezes que fico na minha zona de conforto e de como é bom ter um ninho para se aconchegar de vez em quando, mas o princípio da inércia me relembra também um monstro que alimentamos e tratamos de cuidar todos os dias, a nossa autossabotagem.

Sabotar a si mesmo é uma ação que está relacionada com o processo de autoconfiança. Quando não temos segurança suficiente em quem nós somos ou naquilo que estamos dispostos a realizar, enxergamos barreiras e justificativas que nos convencem a não sair do lugar. Ficamos empacados e impactados pelo nosso estado de medo e não conseguimos olhar para trás para saber de onde vem esse sentimento; nem para frente, porque simplesmente não conseguimos agir.

Entramos no estado que a antroposofia chama de parasitismo, um dragão que nos ameaça e nos faz crer que precisamos sempre ter ou saber mais para tomar uma atitude. Normalmente quando ficamos assim é porque tememos os julgamentos dos outros e, para evitar qualquer ameaça, tratamos logo de nos proteger e criar explicações racionais que justifiquem a nossa falta de movimento.

O problema é que, enquanto nos sabotamos, a oportunidade vai embora e, como diria a minha mãe, nem sempre o cavalo passa encilhado duas vezes. Por isso, é preciso ter cuidado com a nossa paralisia demasiada. Se somos felizes onde estamos, tudo bem. Agora, se a vida pede movimento, abre o olho, porque a autossabotagem pode ser a âncora que nos mantém imobilizados e que nos impede de tomar a atitude que poderá nos levar para o caminho de maior autorrealização, segurança e orgulho de si mesmo.

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