Estilo
Crônica

Rita

18 de Março de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Lisiani Rotta - lisirotta@hotmail.com.br

Meu amigo tinha uma irmã que eu admirava demais. Ela era três anos mais velha e uma graça. Charmosa, sem papas na língua, cheia de atitude e dona de um superbom gosto musical. Mais do que tudo, eu a invejava por ela ter 16 anos (o que pra mim parecia um sonho distante). Pouco ligando pra nossa diferença de idade, ela me tratava com o respeito e o carinho de uma irmã mais velha. Quando me chamou pra ver o seu quarto novo, eu mal pude acreditar. Era tudo de bom. Um quarto jovem, descontraído, tinha um Don’t disturb me na porta e uma eletrola só pra ela. Foi neste som, jogada entre almofadas, que ouvi Rita Lee pela primeira vez. Foi amor à primeira ouvida. O disco era Fruto proibido (que se tornou um clássico) e a música, Ovelha negra, que dispensa comentários. Ouvimos até decorar a letra. A identificação foi imediata com aquela menina maluqueta que tocava guitarra e cantava rock and roll cheia de charme e atitude. Rita quebrava paradigmas ao falar do universo feminino sem pudores, sem receio, sem medo de ser feliz. O avesso da princesa dócil, prisioneira do castelo machista da época. Virei fã. Não houve um disco que eu não tivesse, uma música que eu não conhecesse. Rita era tudo o que eu sonhava ser. Uma mulher que fazia tudo o que queria fazer.

Eu me perguntava que histórias teriam por trás daquelas letras. Naquela época não tínhamos o acesso à informação que temos hoje e o fato de morar numa pequena cidade, no extremo sul do Brasil, significava estar do lado oposto aos acontecimentos artísticos, o que tornava os nossos ídolos quase intocáveis. Não fossem os shows, onde podíamos vê-los com os nossos próprios olhos, poderíamos pensar que não eram de carne e osso. Sabíamos pouco de sua vida pessoal e quando sabíamos duvidávamos, porque raramente as fontes eram confiáveis. Por estas e muitas outras razões, ler a biografia da Rita Lee significou tanto. Eu me senti viajar no tempo. Lembrei, sem esforço, onde estava quando ouvi pela primeira vez cada um de seus LPs, quando vi cada show. Músicas como Doce vampiro e Mania de você, do LP de 1979, por exemplo, foram temas do meu namoro mais duradouro. Uma mania que continua até hoje. Por essas e outras que conhecer, por Ela, a história de seus discos, músicas e shows, foi demais. Saber detalhes da sua vida foi como conversar com uma velha amiga. Amei. Terminei o livro ainda mais fã do que sempre fui. #superaconselho.

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