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Porto Memória

18 de Março de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Guilherme Almeida - Pesquisador do Almanaque do Bicentenário de Pelotas

No longínquo ano de 1816, a nascente Freguesia de São Francisco de Paula foi visitada por um xará, Francisco de Paula d’Azeredo, Conde de Samodães. Coronel do exército português, Francisco aqui esteve destacado como comandante do 2º Batalhão do 2º Regimento dos Voluntários d’El Rei Dom João VI durante a campanha do Rio da Prata, na qual foram anexadas terras meridionais sob a denominação de Província Cisplatina.

Perspicaz observador, produziu interessantes notas de viagem, inclusive vaticinando sobre a vocação comercial da futura cidade. Suas memórias foram editadas em livro por seu filho na cidade do Porto, Portugal, em 1866, com base em seus diários. Nelas, versa sobre a região do atual porto de Pelotas, os cursos d’água que lhe acessam, entre outros assuntos:

“Tendo o Coronel atravessado também a lagoa dos Patos, subiu pelo rio de São Gonçalo duas léguas e aí desembarcou, indo acampar o batalhão no local das Pelotas, que já era então uma bonita povoação [..] /Esta povoação das Pelotas está numa situação vantajosíssima para o comércio, sobre o rio de mesmo nome, que é navegável mais de nove léguas e deságua no rio São Gonçalo [...], navegável mais de setenta léguas. [...]/ [...] a não ser o viço da vegetação de uma terra virgem e a imensidade dos horizontes, que não oferecem repouso algum à vista, não se acharia diferença entre um e outro país [Brasil e Portugal]./ [...] É aqui o centro da importante e rica [futura] Província do Rio Grande do Sul”.

Prossegue: “[...]/A não ser a salubridade do clima e a pureza dos ares, as epidemias seriam frequentes, porque a podridão do sangue e dos intestinos, de que os campos estão juncados estes meses [setembro e outubro], danificariam o ar e produziriam as pestes, pois não são só os bois que os charqueadores matam em quantidade considerável.

Com agudeza, observa: “Como a vida se torna fácil neste magnífico país [sentido de nação], a ociosidade é partilhada por todos os brancos, e só os escravos trabalham nas indústrias que deixamos indicadas [as charqueadas], que dão contudo lugar a um tráfico [acepção de trato mercantil] imenso, facilitado pelos grandes rios e vias aquáticas, onde se movem centenares [sic] de iates carregados dos produtos do país. [...]/ [...] As margens do rio [Canal São Gonçalo] são agradáveis, mas incultas e desertas; e o rio é mais largo e tão caudaloso como o nosso Douro”.

imagem - texto 19

Porto de Pelotas. Vista na direção Leste. À esquerda, escadaria do trapiche da Companhia São Pedro de navegação. Ao fundo, a praça Domingos Rodrigues. Postal. Fotografia da década de 1890. Acervo Almanaque do Bicentenário de Pelotas.

Você sabia?
Que no Katanga’s (Instituto Hélio D’Angola), localizado no Quadrado, ocorrem aulas gratuitas de reforço escolar para as crianças da comunidade?

Que todas as atividades realizadas pela Sagres nos portos de Pelotas e Rio Grande estão fundamentadas nas normas ISO 14001 (Gestão Ambiental) e OHSAS 18001 (Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional)?

Que em breve a Celulose Riograndense fará a entrega de cadernos escolares e folhas de papel à Secretaria Municipal de Educação de Pelotas, uma iniciativa do Projeto Educação, um dos mais reconhecidos programas sociais da empresa?

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