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Mário de Andrade em quadrinhos

Série da editora Ática lança agora duas obras de um dos ícones do Modernismo brasileiro em nova versão

14 de Abril de 2017 - 17h35 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Autor transgrediu as regras gramaticais vigentes em Amar, verbo intransitivo, de 1927. (Foto: Divulgação)

Autor transgrediu as regras gramaticais vigentes em Amar, verbo intransitivo, de 1927. (Foto: Divulgação)

Novas edições dos títulos clássicos foram cuidadosamente
preparadas para preservarem o impacto dos originais

Novas edições dos títulos clássicos foram cuidadosamente preparadas para preservarem o impacto dos originais

Mário de Andrade, um dos principais nomes do Modernismo brasileiro, acaba de ter duas obras, Amar, verbo intransitivo e Macunaíma, adaptadas para quadrinhos pela Editora Ática. Os títulos compõem a série Clássicos Brasileiros em HQ, que completa dez anos em 2017 com 13 títulos publicados.

Amar, verbo intransitivo foi publicado há exatos 90 anos, em 1927, e, agora na versão em quadrinhos, preserva o impacto original que causou na época - além da temática polêmica, o livro quebrava com as regras gramaticais vigentes. A adaptação da história foi feita pelo escritor Ivan Jaf, que tem mais de 60 livros publicados, e as ilustrações ficaram por conta do premiado artista gráfico Eloar Guazzelli.

O livro narra a história de Elza, contratada pelo industrial paulista Felisberto para educar os filhos segundo os costumes europeus, com aulas de piano e de alemão. Mas o real interesse dele ao levar a governanta para casa é que Elza cuide da iniciação sexual de Carlos, o primogênito. Dividida entre as aulas de amor e o desejo de receber o provento prometido para voltar para a Alemanha e se casar, Elza conquista as crianças ao mesmo tempo que causa estranheza em Laura, a mãe delas. Com seu comportamento austero, a governanta alemã revoluciona a rotina na casa dos Sousa Costa.

Macunaíma conta com roteiro e arte do artista Rodrigo Rosa. Criado originalmente pelo autor modernista, Macunaíma ganha agora novas formas e cores. Nesta adaptação do clássico modernista, o tom bem-humorado e fantástico da obra original é mantido, e a narrativa fragmentada e veloz leva o leitor a viajar em busca da muiraquitã perdida e de traços da identidade cultural brasileira.

Na história, em busca do amuleto, Macunaíma e seus irmãos saem em andança pelo Brasil e dão início a uma odisseia tupiniquim. Com linguagem popular, a obra traz uma representação original do caráter brasileiro com referências à ambiguidade da natureza humana. Inspirado também na vanguarda europeia, o livro traz o popular e o erudito, o primitivo e o moderno, a cidade e o campo convivendo lado a lado.

As cenas cinematográficas, a riqueza dos cenários, o humor, o tom fabular, tudo isso leva a acreditar que Macunaíma nasceu para ser quadrinizado. Ao final da HQ, o leitor encontra informações e curiosidades sobre a época em que a história se passa, além de um making of do roteiro e das ilustrações.

Sobre os autores
Gaúcho radicado em São Paulo, Guazzelli é quadrinista, professor de ilustração, ilustrador e diretor de arte para animações.

O carioca Ivan Jaf é autor de mais de 60 livros, principalmente voltados para o público juvenil, várias peças teatrais e roteiros para o Cinema. Na década de 1990, com o renomado desenhista argentino Solano Lopes, publicou histórias de ficção científica e de terror na revista italiana Skorpio.

Rodrigo Rosa nasceu em Porto Alegre. Para a coleção Clássicos Brasileiros em HQ da editora Ática, assinou também as adaptações de Memórias de um sargento de milícias e Dom Casmurro e, pela editora Saraiva, publicou a HQ Labirinto, tendo contado com a parceria do roteirista Ivan Jaf em todos esses títulos.

Mário de Andrade nasceu em 9 de outubro de 1893, em São Paulo. Aos 24, usando o pseudônimo Mário Sobral, publicou seu primeiro livro de poemas, Há uma gota de sangue em cada poema. Foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, em 1922, ao lado de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. A publicação de Amar, verbo intransitivo, em 1927, chocou a burguesia paulistana pelo seu conteúdo ousado.

Os intelectuais não aprovaram o desrespeito presente na obra às regras gramaticais vigentes na época. Em 1928 publicou a obra Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Em 1936 criou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Vivendo no Rio de Janeiro, de 1938 a 1941, foi professor de Filosofia e História da Arte e trabalhou no Instituto Nacional do Livro. Morreu em 1945, em São Paulo.

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