Estilo
Crônica

Os Maias da vida real

21 de Abril de 2017 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Thaís Russomano

Apesar de sua obra como um todo ter dado início ao Realismo literário em Portugal, quando, no século 19, Eça de Queiroz escreveu Os Maias, ele nunca imaginou que um dia a história deste romance deixaria as páginas de seu livro.

Publicado no Porto em 1888, ele conta a saga da família Maia ao longo de três gerações, culminando com o intenso amor entre Carlos Eduardo e Maria Eduarda. Sem nada desconfiar, os amantes apaixonados eram filhos da mesma mãe, o que os tornava irmãos de sangue - algo pouco provável, mas não impossível de acontecer.
E, mais uma vez, a realidade copia a ficção. Recentemente, um casal procurou uma clínica de fertilidade no Mississippi, Estados Unidos, com a intenção de obter ajuda para a concepção de filhos. Como parte da rotina da avaliação de seus clientes, exames de DNA são realizados. O resultado, no entanto, surpreendeu (e chocou!) a todos. O casal não era apenas formado por dois irmãos de sangue, mas por dois irmãos gêmeos.

A confusão começou muitos anos antes, logo após um evento trágico que marcou para sempre a vida de uma menina e de um menino. Um acidente de carro matou, instantaneamente, pai e mãe, deixando os gêmeos órfãos. Os filhos foram então colocados para adoção. Na hora do registro, porém, eles foram identificados em seus documentos como sendo filhos únicos. Assim, as famílias adotivas desconheciam por completo a existência do outro gêmeo.

Muitos anos se passaram, a vida de cada um seguiu seu caminho até ocorrer o reencontro, que culminou numa paixão entre eles e, posteriormente, no casamento - uma versão moderna (e um pouco mais complexa) da história dos Maias de Eça de Queiroz.

Nas palavras do próprio escritor português, a arte não passa de um resumo da natureza feito pela imaginação. E essa imaginação do autor lusitano soube encontrar seu caminho rumo à vida real.

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