Editorial

Um panorama

22 de Fevereiro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Os sinais da retomada na economia parecem estar cada vez mais presentes no cotidiano. E isso apesar de toda a força contrária que exerce a política brasileira, instável, em grande parte desacreditada e corrupta. Imaginem o país que seria o Brasil se o próprio Brasil fosse levado a sério.

Em reportagem recente, publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que a economia do país deve chegar ao quarto trimestre com crescimento de 2% em cima do terceiro trimestre. Segundo o economista, a previsão de retomada, ainda que lenta, está atrelada a um cenário que se avizinha: o das reformas, como a do trabalho e a previdenciária.

A grande questão, e que pode ser um impeditivo, é se o governo federal terá força política para encaminhar tais reformas. E a que custo. Se contar com a base dos deputados e senadores do chamado "Centrão", que se movem conforme os interesses próprios e à custa de favores, a conta pode ser alta demais. Não para o governo, claro, mas para o cidadão. Se a lógica da propina se interpor no processo, todos perdem - inclusive aqueles que pensam que ganham.

O economista Luiz Fernando Figueiredo, ainda em entrevista ao Estado de São Paulo, disse estar confiante na aprovação da Reforma da Previdência no Congresso. Mais: afirmou que, se não for a ideal, ao menos pelo que se tem acertado até aqui, será "razoável". Por um lado, todos conhecem o tamanho do rombo previdenciário e o quanto ele engessa a capacidade de investimento do governo. Por outro, como fazer para o que o cidadão comum, que sempre contribuiu, religiosamente ao INSS, não saia penalizado por anos e anos de má gestão?

De certo, tem-se que o assunto será alvo de debates acalorados. Tem sido, desde já. E a tendência é de que isso se acentue. Com relação à reforma trabalhista, idem. Há quem considere a legislação trabalhista protecionista demais e pesada ao empregador. De fato, o investimento para manter um trabalhador com carteira assinada no país é enorme. E este ponto deverá ser levado em consideração - a partir dos grupos de pressão, principalmente - pelo Congresso.

As reformas são necessárias. Mas não podem ser feitas a toque de caixa, rapidamente, sem o devido debate com a sociedade. Ao fim, o que se busca, ou que se deveria buscar, é uma relação social mais justa. A grande dúvida é se o governo Temer terá capacidade de encaminhar tais reformas, se terá apoio para tanto, se conseguirá, devido aos escândalos sucessivos que abalam a atual administração, ser convincente de que fez o melhor para o país. E pensando tão somente no bem do país.


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