Editorial

Temer faz suas apostas

22 de Maio de 2017 - 08h55 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O presidente Michel Temer (PMDB) ganhou o último fim de semana para respirar. Não que tenha dormido tranquilo. Ao contrário. Se comemorou o fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ter aceito o pedido de sua defesa e decidido, no sábado, enviar para perícia da Polícia Federal (PF) o áudio no qual o dono da JBS, empresário Joesley Batista, gravou a conversa que teve com ele, foi surpreendido ainda na madrugada de ontem com o nono pedido de impeachment. Esse aprovado pelo Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Temer tenta ganhar tempo. Entende que quanto mais minutos, horas e dias conquistar, melhor será para apagar as chamas que ainda ardem à sua volta em Brasília e provocam baixas significativas. A última foi o PSB, que anunciou o rompimento com o Governo. Não é pouca coisa. No Congresso, Temer deixa de contar com o voto de 42 parlamentares.

Sem carne da JBS no cardápio, o presidente está isolado. A Folha de S.Paulo publicava ontem que o jantar oferecido por ele aos líderes da base aliada teve de ser cancelado por falta de adesão e acabou transformado em conversa com quem estava presente. A ideia de mostrar em um evento caseiro que continua com a maioria do Congresso falhou.

Da OAB vieram recados fortes. De acordo com o site da entidade, “os advogados concluíram que, ao não denunciar Joesley após ele admitir ter corrompido dois juízes e um procurador, Temer faltou com o decoro e feriu a Lei do Servidor Público. Também teria agido em favor dos interesses pessoais de Joesley em detrimento do interesse público”.

Para a Ordem, “o presidente da República também teria procedido de maneira incompatível com o decoro exigido do cargo, condição prevista tanto na Constituição da República quanto na Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950), por ter se encontrado com diretor de uma empresa investigada em cinco inquéritos. O encontro ocorreu em horário pouco estranho, às 22h45min, fora de protocolo habitual, tanto pelo horário quanto pela forma, pois não há registros formais do encontro na agenda do presidente”.

A interpretação de Temer, porém, é outra para o caso. Apega-se às gravações e não aos fatos. “Não existe isso (a compra do silêncio) na gravação, mesmo tendo sido ela adulterada”, declarou ele no segundo pronunciamento, sábado à tarde.

Temer vê um tipo de crise, enquanto OAB, oposição, ex-aliados e uma parte significativa do país vê outra.


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