Editorial

Um olho no céu e outro no mar

24 de Janeiro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Muitos pescadores da Colônia Z-3 não perdem a fé, mas a cada ano que passa são testados ao limite. Eles insistem porque a Lagoa dos Patos, em sua imensidão, constantemente dá alguma esperança. Safra após safra, temporada após temporada, o olhar é para a água e as redes. Sempre com a mesma pergunta: “Esse ano será diferente?”

A oito dias da abertura da safra do camarão, a incerteza é a melhor palavra que define o sentimento nessa localidade de Pelotas. Dúvida que, hoje, pende mais para o lado negativo. Afinal, as condições não apontam para meses de abundância do crustáceo e rentabilidade às famílias.

A Lagoa já provou, inúmeras vezes, uma de suas principais características. Ela é inconstante. Ora está cheia, ora mais vazia. Ora sua água está doce, outro momento está salgada. Tanto que em dezembro de 2016, há apenas 24 dias, não havia pessimismo entre os pescadores. Naquele momento, as palavras oscilavam entre otimismo e receio de festejar antes da hora. A combinação de pouca chuva e vento sul permitia acreditar no avanço do mar, o que ajudava a entender alguns sorrisos entre os homens. No meio do caminho, porém, as condições favoráveis mudaram. Veio o vento norte e chegou a chuva na região, com intensidade.

Ouvidos pela reportagem do Diário Popular, os experientes pescadores deram o tom do momento na Colônia. “Para que fosse uma safra boa, em novembro já deveria ter salgado”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z-3, Eduardo Stanislau. “Essas crises acontecem”, recordou Osmar Bernardes, em atividade há mais de 50 anos.

Não é apenas o clima que funciona como uma barreira contra a atividade artesanal. Os próprios trabalhadores apontam outros fatores, esses criados pelo homem, como a pesca predatória em alto-mar. A prática responde por arrastões, que interferem na entrada do pescado na lagoa.

A partir de 1º de fevereiro serão quatro meses de captura liberada no estuário. Um momento que já foi de alegria às famílias das colônias em Pelotas, Rio Grande, São José do Norte, São Lourenço do Sul e outros municípios. Se o camarão chegará aos barcos, tudo dependerá de mudanças rápidas, que só a Lagoa consegue oferecer. É o momento de torcer e manter a fé.


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