Editorial

Em frangalhos

19 de Maio de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A República Federativa do Brasil ruiu. O pouco que ainda se sustentava sobre os já trincados pilares entrou em colapso no início da noite de quarta-feira, quando o país soube do áudio em que presidente Michel Temer (PMDB) pede que se mantenha a “mesada” ao condenado pela Justiça, ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), para mantê-lo de boca fechada na prisão.

Nas primeiras horas da manhã de ontem foi possível perceber ainda mais a gravidade dos fatos. Na abertura do mercado financeiro, em 30 minutos os negócios foram cancelados (desde 2008 isso não acontecia) porque a Bolsa despencava 10%, as ações do Banco do Brasil caíam e o dólar batia na casa dos R$ 3,40. Isso apenas dois dias depois de o governo comemorar os sinais de recuperação da economia e a duas semanas de o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar a nova taxa de juros.

A crise instalada em Brasília - na verdade, no Brasil inteiro - é mais um capítulo das denúncias que mostram o quanto a política nacional está completamente podre. Nenhum partido escapa. De esquerda, de direita, de centro. A cada dia, a cada semana, mais nomes aparecerem no rol de investigados pela Operação Lava Jato e em outras esferas da Justiça. E quase sempre atrelados à iniciativa privada, médias e grandes empresas que, por anos, comungaram do poder através de propina e da corrupção, hoje uma chaga enraizada em quase todos os setores da sociedade.

O futuro, para os especialistas políticos, ainda é uma incógnita. Qualquer previsão nesse momento é difícil de ser feita porque as notícias mudam a cada minuto. De eleições indiretas em menos de 90 dias caso o cargo do presidente fique vago a eleições diretas antecipadas são possibilidades dos bastidores.

A população apega-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) como se ali estivesse depositada a última esperança para salvar o que resta da República. De certa forma, existem razões para acreditar nisso, mas sempre é bom reforçar: os representantes políticos só chegam ao poder porque nós, os eleitores, os colocamos lá, embora não lembramos quem escolhemos senador, deputado federal e estadual em 2014. A descrença é tão grande que ficar distante do mar de lama parece amenizar as consequências da crise da vida da população. Um engano gigantesco.

O Brasil, nesse amanhecer de sexta-feira, terá novas notícias de Brasília, que dificilmente darão um norte à nação esfarelada. A hemorragia não tem prazo para estancar.


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