Artigo

Em busca do futuro...

19 de Maio de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

- Muito prazer, Padre Oclides, natural de Rincão do Pedregulho!

Não, não sou um padre religioso, destes que rezam missa, meu nome é Padre Oclides. Minha mãe confessava sempre com um padre chamado Euclides, mas, como era difícil dizer o nome deste santo homem, meu pai, em agradecimento à complicada ação de fazer minha mãezinha feliz após orar, de acordo com as orientações religiosas, após cada uma das demoradas sessões no confessionário, homenageou o religioso dando o nome dele ao caçula, isto é, eu...

A vila Rincão do Pedregulho, fica ali pertinho de ... deixa pra lá, vai ser difícil mesmo explicar, bem, esta vila só tinha uma escola, com uma sala de aula, a privada ficava bem nos fundos do pátio, por onde passava o riacho que deu nome à vila. A professora, Dona Teia, que agora perdeu até o acento, dividia a tarefa de professora com a de parteira, mal assinava o nome, mas, com a colaboração de uma filha, ensinava os números e as letras. Juntar as letras era um pouco mais complicado, somar e subtrair nem pensar. Meu pai, minha avó e uma irmã mais velha deram uma ajuda e pude terminar o segundo ano primário. Quando fui para a cidade grande avancei nos estudos e conclui o Primário e o Secundário, hoje chamada Educação Básica. Isto já faz muito tempo, estas lembranças são como que raízes que suportam minha realidade, nestes novos tempos...

Computador, internet, TI, Complexidade, Teoria do Caos, Transdisciplinaridade etc... etc.. etc..., lá no Rincão do Pedregulho, na Escola da Dona Teia, estas coisas eram inconcebíveis, mas foi esta geração que iniciou o grande salto para a Era da Informática, início da grande revolução do pensamento, evoluindo da linearidade para a não linearidade, era do facebook, IPhone, Apple, on-line, Xbox, TV LED HD 3D e muito mais...

A Dona Teia ainda é viva, tem 103 anos, o Padre Euclides já morreu, meu pai e minha mãe estão morando ainda em Pedregulho, raízes de uma fantástica força e de uma resistência que atravessa o tempo e mistura passado, presente e futuro.

O mundo ainda não sabe, mas estas pessoas de minha infância e de todas as infâncias, ajudaram a construir este louco mundo não linear onde a tecnologia alterou e segue alterando as relações do homem com o Universo, do homem com os outros homens e do homem com ele mesmo, como indivíduo, como unidade da consciência universal, como permanente habitante da Noosfera.

O futuro é assim, nasce na simplicidade à beira de um riacho e continua na busca do conhecimento universal...


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