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Por Eleições Diretas Já!

19 de Maio de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Jurandir Silva
Engenheiro agrônomo e assessor do PSOL na Câmara de Vereadores

“A queda de Temer e a ocorrência de novas eleições não se darão pela nossa simples vontade ou por um acordo entre as elites que controlam o país”

Na última quarta-feira foram reveladas novas denúncias que agitaram ainda mais a grave crise política do Brasil. Além do envolvimento do presidente nacional do PSDB e ex-candidato à presidência da república por este partido Aécio Neves - até então tido por alguns como referência ética - tais denúncias atingem em cheio o presidente da república Michel Temer.

Em pouco mais de um ano o governo ilegítimo de Temer impôs ao povo brasileiro um conjunto de medidas - algumas já aprovadas e outras em tramitação - entre as quais a PEC da limitação dos gastos públicos, as reformas do Ensino Médio, Trabalhista e Previdenciária, a lei das terceirizações e tantas outras que conformam um programa político-econômico que não foi aprovado por qualquer urna em nosso país.

Aliado ao fato do envolvimento de membros do alto escalão deste governo em escândalos de corrupção apresentados a partir da Operação Lava Jato, já havia inúmeras demonstrações de que Temer não tinha qualquer possibilidade de se manter na presidência do país. As revelações da última quarta-feira são a gota d’água para a queda deste governo, pois demonstram o envolvimento pessoal do presidente em exercício no pagamento de propina para calar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, também do PMDB, atualmente preso.

Definitivamente, é hora de dar fim a este governo. Tal processo envolve necessariamente a mobilização da população. O momento exige que aumentemos o nível de organização e mobilização popular, pois não podemos permitir que os grandes empresários, as grandes redes de televisão, o Judiciário ou o Congresso Nacional definam os rumos do país em momento tão decisivo.

Temer deve cair e necessariamente abrir-se-á - perdão pela utilização do decadente vocabulário - a disputa pelos caminhos que a sociedade brasileira deve seguir. É absolutamente necessário propormos caminhos democráticos. Devemos rechaçar qualquer possibilidade de eleições indiretas pois este Congresso Nacional não tem qualquer legitimidade para definir os rumos do país. Defendemos que o povo decida, a partir da convocação de novas eleições para a Presidência da República e o Congresso Nacional.

A queda de Temer e a ocorrência de novas eleições não se darão pela nossa simples vontade ou por um acordo entre as elites que controlam o país. Por isso é absolutamente necessário que façamos pressão para que isto ocorra, com mobilizações como as que estão acontecendo em todo o país desde a noite de quarta-feira. Tais conquistas só ocorrerão como resultado de um amplo processo de mobilização que deve incluir todo um conjunto de forças políticas, sociais e indivíduos que tenham a certeza da necessidade de saídas democráticas para o momento que vivemos.

Nesta mesma perspectiva de termos saídas que contemplem mais democracia, e não menos democracia, devemos debater a convocação de uma assembleia constituinte soberana, onde possamos rediscutir com o conjunto da população inclusive as reformas que foram aplicadas durante o governo de Temer. Bem como devemos avançar no debate sobre a reforma política, para ressignificar os processos eleitorais do país, neste momento comprovadamente controlados pelo poder econômico e suas relações desonestas com a absoluta maioria dos grandes partidos e políticos tradicionais.

O caminho é árduo mas temos que trilhá-lo, coletivamente. Nunca é demais repetir que não podemos aceitar saídas que não passem pela democracia e pela participação popular. Eleições Diretas Já!


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