Artigo

A Conspirata da Pólvora

15 de Julho de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Sergio Cruz Lima

Guy Fawkes é um dos dez ingleses acusados de planejar e executar a Conspirata da Pólvora, cujo objetivo era catapultar Jaime I, da Casa dos Stuart, e a Câmara dos Lordes, em 5 de novembro de 1605. A intenção dos conspiradores era assassinar o rei, juntamente com toda a nobreza protestante, para exalçar ao trono sua filha, então com nove anos de idade, a princesa Elizabeth. Tinham fé os insurretos que a menina dispensaria um melhor acolhimento aos católicos ingleses, perseguidos e maltratados desde 1533, ano em que Henrique VIII rompera relações diplomáticas e religiosas com a Santa Sé.

Em missiva anônima endereçada ao barão Monteagle, em 26 de outubro, a conspiração é traída. Na véspera da data marcada para eclodir, Fawkes, um expert em explosivos, é identificado nos subterrâneos do prédio do Parlamento com três dúzias de barris de pólvora, carga suficiente para explodir o edifício inteiro. Preso e torturado, ele revela a identidade dos demais conspiradores. Todos são condenados ao suplício da forca e esquartejados.

Obviamente, França e Espanha, potências católicas, são logo carimbadas pela Inglaterra protestante como mandantes do atentado terrorista. Mas há os que procuram inculpar o lobby do tabaco, porque Jaime I, antitabagista de carteirinha, ameaçara veladamente a implantação de leis proibitivas ao fumo em território inglês. Há, por fim, de modo bem fatigante, aqueles que assacam a Conspirata da Pólvora à Companhia de Jesus, mão operacional do Vaticano na queda de braço contra a difusão do protestantismo.

O tempo se esvai. Nada é comprovado contra os dois países católicos, nem contra o rei inglês que jamais há de legislar contra o uso do fumo, introduzido no país por sir Walter Raleigh, nem mesmo, e por derradeiro, contra a Companhia de Jesus, cuja meta primeira era a extinção da religião idealizada por Lutero em solo europeu.

Em verdade, nada foi além de um embriagante coquetel de fantasia e realidade, embora seja exaustivo precisar a porcentagem de uma e de outra.


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