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Meio ambiente urbano: os pombos podem trazer doenças

12 de Agosto de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Dutra da Silva, ecólogo

Visitar o centro de Pelotas e não ficar admirado com a beleza dos prédios é impossível, mesmo nos dias mais corridos. A intensa movimentação de pessoas, entrando e saindo das lojas, encanta quem passa e a parada para o cafezinho no Aquários é quase obrigatória. Circular pela praça, na feira de antiguidades e pelos bares do Mercado tornou-se o programa preferido dos finais de semana ensolarados, com direito a doce, pipoca, chimarrão e pombos por todos os lados.

Os pombos são aves sociais, que facilmente ganham a simpatia das pessoas e as crianças adoram. São atraídas por grãos e migalhas de alimentos, além de insetos e outros bichinhos. Vivem abrigados em frestas de fachadas e no interior de prédios abandonados, também em torres de igrejas e engenhos de arroz. No geral, onde tem abundância de alimento e a segurança de um abrigo, os pombos se instalam e sua população cresce, rapidamente.

O pombo-comum (Columba livia) são originários da Europa, norte da África, Oriente Médio e Ásia. Foram introduzidos no Brasil no século XVI, como animais de estimação e aves domésticas. Adaptaram-se bem às cidades e tornara-se aves urbanas por excelência. Vivem em grupos e, nas condições ideais, um casal de pombos pode reproduzir de três a cinco vezes por ano. A Pça. Cel. Pedro Osório se aproxima bastante da condição ideal: a água é limpa e disponível; as árvores e os prédios garantem um abrigo seguro; e a oferta de alimentos é abundante.

O contato com pombos é perigoso e pode te deixar doente. Compartilhar de espaços ocupados por uma população razoável de pombos, onde fezes permanecem acumuladas por muito tempo, é se colocar numa situação de risco, no mínimo. Fezes de pombo podem estar contaminadas e transmitir doenças, entre elas: a Criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose, encefalite, dermatites, alergias respiratórias, doença de Newcastle (Paramyxovirose), aspergilose e tuberculose aviária.

A imensa população de pombos que se observa no centro da cidade é um problema de saúde pública, que merece mais atenção e controle, por parte das autoridades. Tem que haver algum tipo de orientação oficial para que os animais não sejam alimentados na praça. Cenas bonitas de crianças jogando migalhas, rodeada de pássaros, de aves pousadas no chafariz e de revoadas próximas ao carrinho de pipoca, podem perder a graça rapidamente.

A limpeza da praça precisa ser mais frequente, de preferência com água produtos sanitários. Também as calçadas e fachadas dos prédios próximos, que após a limpeza devem ser equipados com obstáculos ao pouso e permanência desses animais. Limpar, diminuir a oferta de alimento e as condições de abrigo é o primeiro passo na direção do controle populacional de pombos no centro da nossa cidade, que deve ser seguido por uma mudança de hábitos, mais informação e um programa inovador de educação ambiental, relacionada a saúde e ao meio ambiente urbano.


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