Editorial

A cidade motorizada

13 de Setembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Preste atenção nesses números: entre 2016 e 2017 a população de Pelotas cresceu 734 habitantes (IBGE), enquanto, no mesmo período, a frota de veículos aumentou 2.387 unidades (Detran-RS). Uma relação que se repete anualmente e levará o município, num futuro próximo, a ter mais automóveis, motos, ônibus, caminhonetes e caminhões do que pessoas.

Na reportagem especial publicada pelo Diário Popular na edição de ontem, essa reflexão foi feita. Pelotas chegou – e já ultrapassou – a 200 mil veículos e colocou um peso sobre os ombros daqueles que respondem pela organização do sistema de trânsito, principalmente da área urbana.

Para o secretário municipal de Transportes e Trânsito, Flávio Al Alam, o desafio é atender a todos os agentes no mesmo espaço, com preocupação àqueles que estão sempre em desvantagem em relação aos carros - os pedestres e ciclistas.

O “problema” de Pelotas é o mesmo de cidades do mesmo porte, onde os congestionamentos passaram a fazer parte da rotina de quem sai de casa para o chegar ao trabalho, levar e buscar os filhos na escola ou realizar alguma tarefa nos horários mais críticos.

Al Alam lembrou ainda, corretamente, a condição de polo regional da cidade nas áreas de saúde e educação. Isso faz com que para cá venham veículos de toda a Zona Sul. Um inchaço ainda maior do tráfego.

Não existe fórmula mágica para resolver essa questão “matemática”. Afinal, novas ruas e avenida não são criadas, no máximo ampliadas uma ou outra. Por sua vez, a frota avança todos os dias. O que pode ser feito e costuma ter bons resultados é a oferta de meios alternativos ao transporte e o incentivo a práticas mais úteis ao deslocamento, como o uso de bicicletas. Nesse quesito, Pelotas está bem servida e deve chegar, até a metade de 2018, a 50 quilômetros de ciclofaixas e ciclovias.

O trânsito pelotense não irá melhorar ao longo dos anos, por melhor que sejam o esforço - e investimento - da prefeitura. A “corrida” será sempre contra algo à frente (o crescimento da frota). Por isso é preciso repensar velhos hábitos. E saber quem está disposto a trocar o automóvel por uma carona, uma bicicleta, uma caminhada, um ônibus. Sob pena de, daqui alguns anos, todos estarem dentro dos carros e no mesmo lugar.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados